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Patronal | “A FIESP que fala hoje em democracia apoiou a prisão de Lula e o golpe de 2016”, diz Maíra Machado

Nos últimos dias, a FIESP, junto ao Itaú-Unibanco, à Febraban e ao Judiciário, disseram se posicionar "em defesa da democracia", diante das ameaças golpistas de Bolsonaro. Confira abaixo a declaração de Maíra Machado, professora da rede estadual de São Paulo e pré-candidata do MRT a deputada estadual, sobre a hipocrisia desses setores patronais, que na realidade apoiam todas as reformas e ataques de Bolsonaro.

quinta-feira 28 de julho | Edição do dia

"Enquanto a classe trabalhadora e o povo pobre no Brasil são atravessados pela reforma trabalhista, pela reforma da previdência, pela fome, alta inflação, Bolsonaro esbraveja suas ameaças golpistas, ainda que recua quando se sente isolado como se expressou no ato de lançamento oficial de sua pré-candidatura em que não seguiu colocando eixo no questionamento do processo eleitoral. Essa situação de carestia de vida, diante da crise econômica, é o projeto de Bolsonaro. Ele e Paulo Guedes aprofundaram a reforma trabalhista, transformando a vida da nossa classe num inferno, legalizando o teletrabalho, por exemplo. Foi no governo dele que Moise Kabagambe foi assassinado a pauladas por ir reivindicar seu salário num quiosque no Rio de Janeiro, um assassinato horrível e revoltante, fruto da ’negociação direta com o patrão’.

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Mas, como disse, Bolsonaro aprofundou, justamente porque ele é o herdeiro do legado do golpe institucional que ocorreu em 2016 e serviu para os poderosos atacarem ainda mais nossos direitos do que o próprio PT já vinha atacando. Entre aqueles que articularam o golpe estão o judiciário, militares, empresários, banqueiros, patrões que descarregaram a crise nas nossas costas e que estavam e estão lado a lado de Guedes, compartilhando do mesmo plano econômico. Não podemos nos esquecer do pato amarelo de borracha gigante que era símbolo da FIESP em apoio ao impeachment de Dilma. A FIESP que fala hoje em democracia apoiou a prisão do Lula e o golpe de 2016, que acarretou na eleição de Bolsonaro. Pra não falar do seu histórico de apoio à ditadura. Estiveram e estão o tempo todo com o Judiciário - outro setor que hoje quer se mostrar como democrático -, com o STF, em suas medidas autoritárias, que caçaram o direito do povo de decidir em quem votar em 2018.

Não é possível combater Bolsonaro e o bolsonarismo e a direita com nossos inimigos, que atuaram para que o golpe se efetivasse contra a maioria da população. Nosso combate deve ser na luta de classes, para revogar as reformas e os ataques, contra o legado do golpe institucional de 2016, seus atores e os patrões. Por isso que hoje está na ordem do dia unificar a classe trabalhadora, a juventude, os setores oprimidos e o povo pobre de forma independente dos governos e patrões contra quem nos ataca, contra as instituições autoritárias, como o STF e o Congresso Nacional. A CUT, a CTB, a UNE que são dirigidas pelo PT e PCdoB precisam de uma vez por todas romper com sua conivência e passividade e debater em cada local de trabalho e estudo um plano de luta efetivo, chamando greves e mobilizações. As direções burocráticas estão de olho na eleição da chapa Lula-Alckmin, que já garantiu ao golpista do Temer que não vai revogar a reforma trabalhista.

Confira: Enfrentar o bolsonarismo e a direita na luta de classes para revogar as reformas e ataques

A gente precisa hoje construir uma força política, inclusive nesse cenário eleitoral, da classe trabalhadora, que coloque à frente a luta pela revogação de cada reforma, a luta pela expropriação das grandes indústrias alimentícias e as coloque sob gestão dos trabalhadores e controle popular, que são quem realmente conhecem as necessidades do conjunto da população, dos mais pobres que passam fome. É urgente uma saída operária para essa crise, porque cada vez mais, ainda mais profundamente desde a pandemia, com centenas de milhares de mortes, fica mais escancarada a irracionalidade capitalista. Precisamos enfrentar os capitalistas no nosso terreno, na luta de classes, no rumo de construir uma sociedade livre da opressão e da exploração".

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