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Greve Nacional | 95% dos aeronautas aprovam procedimento de greve contra os ataques da patronal

segunda-feira 25 de outubro | Edição do dia

Nesta segunda-feira, os pilotos e comissários votaram pela proposta de construção de uma greve contra os ajustes e ataques que as empresas aéreas querem impor. Por 95,53% dos votantes foi aprovado o sim em iniciar a preparação de uma greve da categoria, caso não seja formalizada a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria até dia 20 de novembro de 2021.

Desde o início da pandemia, as companhias aéreas estão tentando rebaixar as condições de vida dos seus funcionários e atacar os direitos conquistados, além das milhares de demissões que ocorreram em 2020. Essa proposta de greve mostra a disposição de luta dos aeronautas e já deve servir como um exemplo a todos trabalhadores da aviação que é possível fazer as empresas recuarem e conquistar direitos, se as categorias se unificarem e mostrarem a enorme força que tem.

São diversos pontos que as companhias aéreas querem atacar para fazer com que os comissários e pilotos trabalhem mais, podendo estender a jornada de trabalho de 12 para 13 horas, e diminuindo as folgas mensais, além de atacar o pagamento referente a alimentação fazendo um rombo financeiro nos direitos salariais dos funcionários. Em particular na LATAM, onde os trabalhadores acumulam mais direitos conquistados, o ataque seria ainda maior. Desde o 2020 a LATAM busca rebaixar as condições de salário e trabalho igualando a outras empresas como a GOL e AZUL que já precarizaram as condições de trabalho dos seus funcionários, e agora é a hora de unificar a categoria para impedir mais perda e igualar " para cima" seus direitos.

A ameaça de que se não houver acordo as empresas podem fazer valer a CLT sem os direitos adquiridos é uma ameaça que só mostra o desespero das companhias que não conseguiram até agora fazer passar um acordo coletivo cheio de ataques. Nesse momento o sindicato SNA precisa organizar a greve, não permitindo essa medida reacionária contra os trabalhadores. Não é verdade que é "melhor pingar que faltar" como diz o dito popular, essa resignação passiva só serve para não ver que é possível ter vitórias.

Os sindicatos podem articular uma forte greve, organizando materiais e reuniões que concretizem um dia de paralisação, uma medida como essa em uma categoria tão estratégica rapidamente viraria capa dos jornais, e faria as empresas perderem milhões e terem que negociar. Sem contar que seria um ganho subjetivo enorme para os trabalhadores da aviação em particular, mas para toda a classe, mostrando a força que têm os trabalhadores quando se dispõem a lutar. Os aeroviários também estão em campanha salarial e é o momento dos sindicatos unificarem as duas categorias.

Os trabalhadores têm sentido na pele o salário se corroendo pela inflação, a perda de direitos e a exploração, além do drama social de ver como o enorme desemprego e aumento do custo de vida vem levando a pessoas ao nível de buscar comida nos lixos e na fila do osso. Bolsonaro, os militares e a direita levaram o país a essa situação, contudo não podemos nos iludir que as empresas, mesmo com discurso de inclusão ou ambiental, são isentas da responsabilidade de chegar onde chegamos. Pelo contrário, muitos dos que hoje fazem discurso eleitoral contra o Bolsonaro, aprovam as medidas econômicas desse governo. Quando se trata de ataques aos trabalhadores, judiciário, Dória, Ciro e tantos outros andam juntos. E nesse meio, não podemos esquecer como a política de conciliação petista serviam para os lucros dos empresários, num momento onde as condições econômicas favoráveis ajudavam a ideia de um gradualismo onde supostamente "todos ganhavam", essa situação não existe mais, e mesmo o PT - que privatizou e terceirizou - vai ter que atacar mais que nos seus anos de governo anteriores.

Por isso, movimentos como esse, que mostram a recomposição da força de luta dos trabalhadores, é tão importante e podem ser um sinal a toda a sociedade que são os próprios trabalhadores que podem dar uma resposta ao desemprego, à fome, à miséria e à exploração.

No Esquerda Diário viemos defendendo a unidade entre trabalhadores empregados e desempregados, salário e trabalho digno a todos, e que os sindicatos organizem um plano de luta para responder aos ataques e unificar as diversas greves que vemos surgir, mas que por política das direções acabam isoladas, como vimos agora em Guarulhos, na greve de mais de 4 mil trabalhadores contra as demissões na PROGUARU.




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