Política

90 mil mortes: Para ajudar empresários, Bolsonaro e governadores sacrificaram vidas que poderiam ser salvas

sábado 1º de agosto| Edição do dia

Nesta sexta-feira, 31, o Brasil registrou 1.212 mortes por coronavírus em 24 horas, totalizando 92.568 óbitos desde o início da pandemia. O país é o segundo lugar em número de casos e de mortes, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A política negacionista de Bolsonaro é responsável por esse resultado, mas os governadores dos estados, que tentam aparecer como oposição ao governo federal, também tem uma parcela significativa de colaboração em relação às mortes por covid-19.

Os novos casos se encontravam em uma tendência de estabilização nos últimos dias, pois atingiram o pico da curva de infecção, mas agora voltaram a crescer devido ao fenômeno da interiorização, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. A expectativa é que os casos do interior irão “substituir” os casos da capital, mas ainda há o risco de que essa infecção no interior volte a afetar as capitais no futuro.

Tudo isso ocorre em um momento onde o desemprego tem aumentado em 26% e que mais de 17 milhões de brasileiros desistiram de procurar emprego, saindo ainda dessa estatística do desemprego. Isso significa que o número real de desempregados é ainda maior do que o noticiado. Além disso, boa parte da classe trabalhadora segue trabalhando normalmente, como é o caso dos entregadores, profissionais da saúde e transporte, se expondo todos os dias à insalubridade que é trabalhar sem a proteção adequada com EPIs.

Os governos, tanto federal quanto estaduais, utilizam dessa situação de miséria para realizar uma chantagem: dizem que é necessário reabrir a economia a fim de salvar os trabalhadores da fome. Combinado a isso vem também uma série de retiradas de direitos para salvar os lucros dos capitalistas.

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Demissões em massa e MP da fome de Bolsonaro já agridem ainda mais a vida dos trabalhadores

Isso só evidencia como Bolsonaro e os governadores não estão a serviço da classe trabalhadora, e sim ao lado dos capitalistas. Fazem demagogia enquanto mais de 90 mil vidas já foram ceifadas, sendo que o Ministério da Saúde não usou nem ao menos 1/3 dos recursos disponíveis para combater o coronavírus. Apesar disso, no início da pandemia o governo federal destinou 1,2 trilhão aos bancos, para salvar seus lucros.

Frente a todo esse cenário, é fundamental que a classe trabalhadora batalhe por uma saída da crise direcionada pelos trabalhadores, independente da vontade dos patrões e dos governos, uma saída que coloque a vida acima dos lucros. Apenas um programa levado à frente pelos trabalhadores pode realizar essa tarefa. É necessário que todos os trabalhadores essenciais tenham condições de trabalhar sem se contaminar, para que não levem o vírus às suas famílias, e para isso é preciso que todos recebam EPIs adequados. Também se faz necessária uma campanha de testes massivos, para que os trabalhadores não se exponham ainda mais.

Contratações emergenciais para os setores de serviços essenciais, como a saúde e o transporte, se fazem mais que necessárias para garantir atendimento a toda a população, principalmente em cidades e bairros mais pobres, que têm menos infraestrutura para combater o covid. Para ajudar a suprir a demanda por atendimento público é preciso estatizar, sob controle dos trabalhadores, todos os leitos privados de UTI, que hoje possuem um grau de ocupação muito menor que os leitos públicos.

Como já apontado acima, não é apenas a crise sanitária que causa miséria à classe trabalhadora hoje, mas também o desemprego e os ataques capitalistas aos direitos dessa classe. É urgente que a renda emergencial seja garantida a toda a população desempregada, com um valor mínimo de 2 mil reais, valor esse que era a média salarial antes do início da pandemia. Outra medida para combater o desemprego é a redução da jornada de trabalho sem redução nos salários, para que o trabalho disponível seja distribuído entre os trabalhadores ativos.




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