Política

CORONAVÍRUS

77% dos mortos por COVID-19 em Pernambuco são negros

Já são quase 100 mil casos confirmados de coronavírus e 6.634 óbitos em Pernambuco. Quase cinco meses após a chegada do novo coronavírus no estado, os dados sobre casos fornecem informações que apontam os grupos de pessoas em que a covid-19 tem sido prevalente e letal. Os dados escancaram o racismo estrutural e o precário acesso a saúde pública e as condições sanitárias.

terça-feira 4 de agosto| Edição do dia

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), dos 6.634 casos de óbitos em Pernambuco os homens representam 55,2% (3.660), 77% dos que morrem são negros, e analisando a faixa etária, os idosos permanecem entre os que mais têm probabilidade de agravar e morrer em decorrência da infecção, com 74,8% (4.965) dos óbitos tendo a partir de 60 anos. 

Essas mortes não vieram do nada. São fruto do negacionismo do governo Bolsonaro e Mourão e da política totalmente insuficiente adotada, pelos governadores, com o aval do STF, que frente a pandemia, não aplicaram nenhuma testagem massiva, não estatizaram o sistema privado de saúde, não reconverteram a indústria para a produção de insumos, não combateram, na realidade, a pandemia. O resultado disso é esse massacre, que agora vemos os governadores adotando a mesma política do bolsonarismo, ao promoverem a reabertura da economia sem qualquer critério sanitário.

A morte sistemática de pessoas negras pelo COVID-19 nada tem a ver com genética, característica física ou cultural, uma escolha da natureza ou, nesse caso, do vírus, que torne os negros um grupo mais propenso a contaminação e mortes. Contudo, são as condições materiais de vidas que permitem não só a proliferação massiva do vírus, mas também que a letalidade seja maior entre negras e negros. A esse fator soma-se que no país a expectativa de vida dos homens negros seja de 60 anos, muito menor que a de homem brancos, além da violência policial que assola principalmente os homens negros exterminando suas vidas, estes também são os que ocupam os postos de trabalhos mais precários e insalubres e sem garantias trabalhistas, que em meio à pandemia, cresce ainda mais os trabalhos precários tidos como "essenciais", como os trabalhos de entrega precarizados como Uber Eats, Ifood e Rappi que se utilizam de mão de obra negra para lucrarem muito em meio ao surto. 

Apenas podemos confiar na classe trabalhadora para responder à crise sanitária, lutando por um plano operário de combate à pandemia e que levante também a urgente necessidade de arrancarmos Bolsonaro, Mourão e os militares, sem nenhuma confiança no STF e nos Governadores. Basta de negros mortos pelo racismo, capitalismo e covid-19.




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