Política

ELEIÇÕES 2020

6 razões para reafirmar o ódio a Crivella e enfrentar a extrema direita e todo golpismo

Relembramos alguns dos grandes podres de 4 anos de gestão de Marcelo Crivella, aliado de Bolsonaro, que só ofereceu precarização da saúde, demissões, salários atrasados e mortes ao povo trabalhador do Rio de Janeiro.

Carolina Cacau

Professora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

quarta-feira 11 de novembro| Edição do dia

Crivella é a cara do que há de mais repudiável no Rio de Janeiro e precisa ser energicamente combatido, como fizemos em cada momento de sua gestão. Recuperamos alguns dos grandes podres de 4 anos de gestão desse reacionário aliado de Bolsonaro, uma figura que merece a lata de lixo da história.

1. Crivella e a destruição da saúde pública

É verdade que a saúde pública do Rio de Janeiro vem precarizada e privatizada há muito tempo, Paes é um grande responsável desta precarização, como criticamos nesse artigo, mas o estado calamitoso em que chegamos na pandemia carrega as marcas das mãos do milionário pastor. Há vários anos há demissões, cortes e atrasos de salários dos terceirizados. Isso motivou inúmeras greves de trabalhadores da saúde, que nós do Esquerda Diário cobrimos e lançamos uma campanha em apoio.

Foram mais de 1500 demitidos na véspera da pandemia, fechamento de unidades das farmácias populares e programas de atenção básica, que poderiam ter salvo muitas vidas na pandemia. Sem recurso para saúde pública, ambulâncias foram deixadas no pátio apodrecendo e a população à mingua. Os trabalhadores da saúde, sem salário tiveram que recorrer à vaquinhas online para colocar comida em casa.

Com a ajuda de Witzel reprimiu trabalhadores em greve e não faltaram recursos para enriquecer os donos das OS’s, como a IABAS. As OS’s receberam R$100milhões de uma só vez, enquanto milhares de trabalhadores da saúde eram postos no olho da rua.

2. Crivella é um dos responsáveis das mais de 20 mil mortes por Covid no Estado

O Rio de Janeiro é o município com maior população, maior quantidade de empregos e maiores recursos de todo o Estado, com maior número de hospitais e equipamentos. Que foram sistematicamente dilapidados com fechamentos, demissões, desfinanciamentos. Esse é um dos fatores de porque o Rio de Janeiro tem uma das maiores taxas de letalidade de Covid no mundo. Mas para Crivella morreram poucas pessoas. Ele disse “morreu menos que o esperado”. Ele esperava o que? Cem mil mortos evitáveis?!

Crivella também vetou o aumento do auxílio emergencial no Estado, o que poderia ter permitido que mais pessoas se isolassem e não se contaminassem. Mas enquanto não haviam recursos para que a população não tivesse que escolher entre a COVID e a FOME, não havia testes, nem leitos, ele garantiu recursos públicos para contêineres para armazenar os cadáveres.

Junto de Witzel e Bolsonaro, Crivella militou pela abertura das escolas e comércios sem testes e sem leitos, o que levou a um aumento de 64% das mortes – isso nos números oficiais subnotificados.
A exposição de trabalhadores à COVID, os atrasos de salários se tornou programa de governo, ele cortou salário de merendeiras e expos trabalhadores sem equipamentos de proteção, como fez com os garis da COMLURB, não tinham EPI’s e nem mesmo sabão.

Crivella tentou para agradar os empresários colocar dezenas de milhares no Maracanã e criar uns cercadinhos privatizados nas areias da praia para favorecer empresários amigos nos aplicativos ->https://www.esquerdadiario.com.br/Em-projeto-de-cercadinho-Crivella-e-Rappi-se-unem-para-reabrir-praias-e-lucrar-com-pandemia].
E se alguém ousasse criticar a precariedade da saúde em meio à pandemia lá estavam os “guardiões do Crivella”, jagunços pagos com recursos públicos para intimidar a população. Há comprovação de que seus bate-paus eram pagos com dinheiro dos impostos do povo e atuavam para intimidar e tentar desesperadamente influir no resultado eleitoral deste domingo.

3. Favorecimento financeiro e político de sua igreja em detrimento dos direitos da população

Crivella atuou explicitamente para favorecer sua igreja e igreja aliadas, atacando o estado laico. Ao invés de instalar tomógrafos em unidades públicas de saúde, resolveu instalá-los em sua igreja na Rocinha. E eles ficaram lá parados sem uso, enquanto poderiam estar sendo usados para salvar vidas. Diante de uma grande população na fila de espera por cirurgias de catarata falou para membros de sua igreja procurarem sua assessora Márcia e furarem a fila. Crivella deu um terreno público para a “Sociedade Bíblica do Brasil”,
o favorecimento das igrejas também se fez presente financeiramente, inclusive facilitando convênios de servidores públicos para pegar empréstimos e enriquecer o banco do líder da Universal Edir Macedo.

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4. Ataques aos direitos dos trabalhadores e deboche da população

Crivella também se destacou por se adiantar a Bolsonaro e implementar uma reforma da previdência para extinguir o direito à aposentadoria dos servidores. É justamente para defender e continuar esse legado, de reacionarismo e de ataques aos trabalhadores que Bolsonaro quer Crivella na frente da prefeitura do Rio de Janeiro. Querem fazer do Rio de Janeiro uma vitrine da extrema-direita, um laboratório da fusão de milícias, igrejas e tráfico como estudos têm destacado.

Foram 4 anos com deslizamentos e mortes nessa tragédia anunciada e Crivella respondeu com cortes de recursos públicos que deveriam ser gastos contra as enchentes. O que Crivella tem a oferecer a quem sofre é deboche, como fez contra moradores que perderam suas casas, e por isso foi atacado com lama pelos mesmos.

5. Crivella censura à arte destilando seu racismo e homofobia

Crivella atuou veementemente para proibir a exibição de uma mostra de arte queer, depois quis proibir uma peça teatral que representava Jesus como uma mulher trans e por fim tentou confiscar Histórias em Quadrinhos na Bienal do Livro que tivessem beijos entre homens. Já perseguiu e proibiu algumas rodas de samba e slams pela cidade.

Todo esse obscurantismo não é um detalhe. É parte constitutiva de seu projeto para os trabalhadores cariocas. Quanto mais forte for o racismo, o machismo, a Lgbtfobia mais divididos estarão os trabalhadores e maiores serão os lucros dos empresários, é esta a função de sua ideologia e de seu governo, queridinho de Bolsonaro.

6. Organizar os trabalhadores nacionalmente para derrotar Crivella e toda a extrema-direita e os golpistas

Crivella é parte dessa extrema-direita que precisa ser derrotada nacionalmente, junto com Bolsonaro, Mourão e Guedes. Mas também todos os representantes do regime do Golpe como o SFT, a Câmara de Rodrigo Maia (DEM) e o Senado. E todos os oportunistas como Eduardo Paes, também do DEM, que tentam se mostrar diferentes da extrema-direita, mas rastejam pelo apoio do Bolsonaro, todos defendem as privatizações e retirada de direitos dos trabalhadores.
Foi esse mesmo regime que no Rio, várias vezes blindou Crivella de denúncias e das votações de impeachment. Essas votações em prol de Crivella enquanto os mesmos partidos aprovavam o impeachment de Witzel, demonstram, como esse mecanismo é utilizado para favorecer os interesses dos capitalistas e da direita já que o maior beneficiário da queda do odioso Witzel foi Bolsonaro.

Não é com “mal menor”, que é sempre um passo a mais rumo a mal maior que combateremos a direita, mas organizando uma força militante, oposta ao falso progressismo de Paes, a Martha Rocha que tem nada a oferecer para quem se considera progressista, seja pelo seu histórico na polícia civil seja por ser porta-voz de um partido que defende as privatizações, inclusive da CEDAE. Nem será através da conciliação petista que faremos frente à direita e colocaremos Bolsonaro e Crivella na lata de lixo. Benedita defende a continuidade das alianças com as igrejas e seu partido está coligado com bolsonaristas em centenas de municípios pelo país.

As eleições deste ano não podem ser encaradas em seus limites municipais. São as eleições para prefeito mais nacionais da história recente, que se dão em meio a um regime que se degenera pelos mandos e desmandos do STF, de juízes eleitos por ninguém, do Congresso e das abjetas figuras de Bolsonaro e Mourão. Qualquer alternativa de esquerda precisa, ao contrário da lógica do possibilismo do menos pior, ligar os destinos dos trabalhadores das cidades aos de todo o país e trabalhar pelo seu desenvolvimento. E ao contrário de se adaptar às regras do jogo do regime político cada vez mais autoritário, defender abertamente uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que possa anular as reformas, a Lei de Responsabilidade Fiscal, e proibindo as demissões. Que pode instituir que todo político e juiz ganhe o mesmo que uma professora, e sejam revogáveis. Para isso ao contrário de apoiar a polícia, como Marta Rocha e Íbis Pereira, candidato a vice do PSOL, chamam a fazer, os trabalhadores e o povo deveriam se auto organizar contra a repressão estatal e cada um dos ataques no Rio e no país. Aos que creem que uma via de fundo como esta é uma utopia, chamamos a refletir que utopia é achar que de mãos dadas com a direita possamos combater a extrema-direita.




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