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PORTO ALEGRE | 6 motivos para lutar contra a privatização da Carris e desfazer as mentiras de Melo

A crise em todo o país é imensa. Filas nos hospitais, salários mais baixos, alimentos e combustível mais caros, demissões em massa… Bolsonaro e Paulo Guedes estão levando o país ao colapso, com a ajuda dos governadores, e acham que a venda de todo o patrimônio público é o que vai ajudar. A verdade é que privatizações, além de enriquecerem alguns poucos ricos, precariza e piora os serviços públicos. Os apagões no Amapá e as tragédias de Mariana e Brumadinho que o digam. Agora Melo quer destruir um legado histórico em nome dos lucros de seus amigos. Aqui vão 6 motivos para lutar contra a privatização da Carris e desfazer as mentiras do prefeito.

domingo 4 de abril | Edição do dia

Foto: Alex Rocha/PMPA/Divulgação

1. A justificativa de que a Carris dá prejuízo, e portanto deve ser vendida, é mentira. A Carris está salvando o sistema de transporte durante a pandemia.

Melo é obstinado com a mentira. Quando ele diz que a Carris teve prejuízo pois a prefeitura, em 2020, repassou R$ 66 milhões para a Carris, ele manipula os dados e mente. Ele fala que o Km rodado da Carris é mais caro, mas não explica o porquê. A verdade é que, durante a pandemia, a Carris salvou o transporte público (e por isso rodou muito mais do que nos anos anteriores e teve gastos maiores). Com a expressiva diminuição de passageiros no início da pandemia, as privadas largaram mão de linhas deficitárias. Mas ainda assim trabalhadores usavam essas linhas. Quem as salvou? A Carris. Foram 19 linhas encampadas pela Carris, que são deficitárias, que as privadas abandonaram, descumprindo as regras de licitação, sem nenhuma contrapartida. A partir das 19h as privadas recolhem seus carros para não perder dinheiro. Há denúncias também de que a Carris, por ordem da administração, compra combustível mais caro para favorecer amigos da prefeitura.

Na prática, esse investimento de R$ 66 milhões serviu para livrar os capitalistas de déficits e ao mesmo tempo garantir o funcionamento da cidade. Não é a Carris que dá prejuízo para a cidade e sim os lucros capitalistas. Além desse dinheiro que serviu para garantir a cobertura que a Carris fez diante do desserviço das privadas, Melo despejou R$ 42 milhões para salvar os lucros das empresas privadas, sem nenhuma garantia de manutenção dos empregos dos trabalhadores. Ao invés de repetir bravatas contra a Carris, deveríamos estar abrindo as caixas-pretas das grandes emrpesas para saber para onde está indo o dinheiro das passagens, quebrando o segredo fiscal desses empresários que lucram com o que é público.

2. Vender a Carris vai piorar o transporte público da cidade e as condições de trabalho dos rodoviários

Empresa privada tem um único objetivo: lucro. Para lucrar mais, os empresários sucateiam a frota, dão péssimas condições de trabalho aos rodoviários, manipulam dados para aumentar a tarifa (como a ausência de transparência no dinheiro dos TRI ou os gastos com combustíveis), há corrupção na fiscalização da EPTC nas garagens privadas para liberar ônibus sem condições de rodar (enquanto na Carris eles ficam retidos), dão advertências e ganchos em cima dos trabalhadores, demitem pais e mães de família, impõem plebiscitos fraudulentos nas garagens, com a ajuda do sindicato, para reduzir o salário dos trabalhadores, dão menos conforto e higiene no transporte e descumprem regras da licitação.

Durante a pandemia, a maior parte dos trabalhadores grupo de risco da Carris foram afastados e recebem salário e vale alimentação integral, enquanto muitos das privadas foram demitidos ou estão recebendo salário do governo. As empresas privadas não pagam nenhuma multa pela notificação de atraso, não cumprimento de horários ou irregularidades nos veículos há quatro anos. A Carris paga. Quando um carro é assaltado, a Carris fornece acompanhamento com psicóloga e médica do trabalho e o assalto é registrado como acidente de trabalho, com possível afastamento com atestado. Nas privadas, muitas vezes, se o trabalhador não saiu fisicamente machucado, segue o baile.A Carris possui muitos problemas, mas a privatização vai agravá-los e não melhorá-los. Para todos os rodoviários da Carris, a tendência é ou perderem seus empregos ou piorarem significativamente suas condições de trabalho, ao passo em que o conjunto do transporte público será afetado.

3. A privatização da Carris só serve para enriquecer os amigos do Melo

Se a Carris de fato desse prejuízo, por que alguém, em sã consciência, iria querer comprá-la? A conta não bate. A única resposta para essa pergunta é porque ela dá lucro. As poucas famílias que lucram com o transporte público da capital não estão saciadas, eles querem mais. Querem a maior e mais antiga empresa pública de transporte coletivo para eles, loteá-la de acordo com seus desejos de mais capital. Esses homens não se preocupam com a população ou com os rodoviários, se preocupam apenas com seus lucros. Vimos isso de forma nítida durante a pandemia, onde grandes empresários estão jogando os trabalhadores para caldeirões de vírus dentro dos ônibus lotados, pouco se importando com nossa saúde, tudo para garantir seus lucros no fim do mês.

4. Vender a Carris é um ataque ao direito de organização dos rodoviários

Os rodoviários de Porto Alegre já organizaram lutas históricas nessa cidade. Em 2013, não foram poucos os trabalhadores que apoiaram as lutas de juventude contra o aumento da passagem. Em 2014 fizeram uma greve histórica que parou a cidade durante 14 dias em defesa de seus salários. No ano passado impediram que milhares de cobradores fossem jogados na rua por Marchezan, marchando da Carris até a câmara municipal junto a apoiadores. Os empresários das privadas tentam à todo custo demitir lutadores e grevistas, coibir reuniões de funcionários, fraudam eleições (junto ao sindicato) para atrelar a CIPA e a direção sindical aos seus interesses e a privatização da Carris vai no sentido de atacar o direito de organização dos trabalhadores para melhor sufocar a legítima luta dos trabalhadores.

5. A Carris é do povo de Porto Alegre. Vendê-la é vender uma parte da história da cidade.

A mais antiga empresa de transporte coletivo do país está marcada no DNA da cidade. Fundada em 1872, nos anos de D. Pedro II, a Carris tem história. Movimenta a cidade há décadas, nossos avós se recordam das fichas metálicas para poder andar nos bondes, os poemas nas janelas dos carros retratam o canto dos poetas porto-alegrenses, seus operários são contadores de histórias que marcaram a vida de milhares, sua nobre função atravessa gerações… Melo quer deixar um legado de destruição de páginas e páginas da história da cidade, vender essa memória à preço de banana para agradar um punhado de gente rica que não se importa com a população ou com a cidade. O viralatismo de Melo quer enterrar uma fundamental e respeitada empresa pública em nome do lucro de poucos empresários.

6. Ao invés de vender o patrimônio público, devemos lutar por um transporte 100% estatal e controlado pelos rodoviários e usuários.

Transporte não deveria ser mercadoria, e sim direito. Submetido aos interesses privados, o transporte é caro e com baixa qualidade para garantir os lucros dos acionistas. Em defesa dos usuários e dos rodoviários, devemos lutar para que todo sistema seja 100% estatal, 100% Carris, e sob controle dos rodoviários e usuários que sabem melhor do que ninguém os melhores horários de ônibus, as melhores paradas, a quantidade de carros necessário e a qualidade para maior conforto dentro dos ônibus, bem como garantir higiene necessária nesse momento de pandemia. Se faz necessária a redução da jornada de trabalho dos rodoviários, sem redução salarial, para garantir que TODOS os rodoviários demitidos possam ser readmitidos e atacar o alto desemprego da cidade. A estatização total do transporte tende a diminuir a tarifa, pois parte significativa dela está em função dos lucros e não da manutenção do transporte. Se está mal para os empresários, que saiam! E que os trabalhadores controlem tudo!




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