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Guarulhos | 5 propostas para fortalecer a greve na Proguaru e mudar os rumos da luta

Os trabalhadores da Proguaru estão em seu oitavo dia de greve, em uma luta heróica contra o fechamento da empresa que demitirá cerca de 4.700 trabalhadores em meio a pandemia. Apesar do cerco midiático e da política de isolamento pela diretoria do sindicato, os trabalhadores decidiram em assembleia realizada hoje (27/09) seguir com a greve, ao mesmo tempo que se coloca a urgência de uma política que permita a vitória da luta.

segunda-feira 27 de setembro | Edição do dia

A força e a determinação dos trabalhadores da Proguaru é admirável, temos visto atos expressivos e um sentimento de revolta e indignação bastante grandes na vanguarda da categoria, protagonizando ações debaixo de sol forte e contra qualquer derrotismo. Afinal é um enorme ataque o fechamento da empresa, encabeçado pela gestão municipal do bolsonarista Guti (PSD), e que agora vem acompanhado de uma reforma da previdência municipal que ataca os aposentados e pensionistas, na corrente dos ataques capitalistas que acontecem nacionalmente desde o golpe institucional de 2016 e agora aprofundados pelo governo Bolsonaro.

Após 8 dias de conflito a greve se encontra em um momento decisivo: Os trabalhadores realizaram mais um ato na Praça Getúlio Vargas e com marcha pelo entorno, atos que são chamados diariamente pelo Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal de Guarulhos (STAP), dirigido pela Força Sindical, com o objetivo de desgastar a vanguarda grevista. Ao mesmo tempo, a diretoria do sindicato busca separar essa vanguarda da base dos trabalhadores nas unidades da empresa - isso sem dizer sobre outras categorias - gerando um isolamento que se expressa na diminuição do número de participantes no dia de hoje. Justamente porque o objetivo da direção do sindicato é de encerrar o conflito, desmobilizando a greve e submetendo a luta à justiça burguesa em todo momento.

Nós do Esquerda Diário temos acompanhado o conflito junto a estudantes da Juventude Faísca e trabalhadores do Movimento Nossa Classe, sempre nos colocando a serviço de fortalecer a luta na Proguaru e romper com o cerco da mídia burguesa que quer abafar o caso. Justamente por não se tratar de um conflito isolado, já que em diversos lugares do país temos visto se desenvolverem lutas defensivas contra a carestia de vida e em defesa dos empregos e direitos da classe. Colocamos aqui 5 propostas que acreditamos que possam contribuir para fortalecer a greve em um momento decisivo e impedir que a luta seja entregue pela diretoria da Força Sindical:

1- Um giro à base para ampliar a mobilização.

É preciso romper com a política divisionista da diretoria atual, e todos os trabalhadores em greve precisam urgentemente se concentrar em conversar com seus colegas e batalhar por reuniões e assembleias nas unidades da empresa. Justamente em espaços como esses é que se pode batalhar por medidas que possam organizar a luta, como panfletagens nas unidades para convencer outros setores da categoria da importância de aderirem a greve, e que somente assim é possível lutar pela manutenção dos postos de trabalho. A mobilização pela base é o que permite massificar a greve em cada unidade da Proguaru.

2- Organizar o Comando de Greve pela base.

Quando estoura a greve outros setores de trabalhadores se colocam na vanguarda da mobilização, e portanto os rumos da luta precisam ser decididos democraticamente por todos aqueles que constroem a greve. Nas assembleias de base é possível batalhar pela política de conformar um Comando de Greve. Este comando serve para integrar no corpo de direção da luta todos e todas as lutadoras que se elejam em suas unidades para comporem o Comando, um elemento que possibilita retomar o poder de decisão para as mãos dos trabalhadores, para se opor à política isolacionista da diretoria atual na greve.

3- Batalhar por um plano de luta organizado democraticamente

É evidente como a política da diretoria atual, realizando atos diários por fora de um plano de lutas efetivo, organizado e debatido democraticamente entre a vanguarda grevista, é um elemento que tem gerado desgaste desse setor na mobilização. Somente um plano de luta é que pode pensar as mais diversas iniciativas a serem tomadas contra o fechamento da empresa, e que deve ser tarefa dos lutadores da categoria exigir que se realize por parte do sindicato, tendo como ponto de apoio a força eleita do Comando de Greve. Do contrário o conflito seguirá rumando para uma situação cada vez mais difícil, com os trabalhadores enfraquecidos e isolados por não poderem pensar cientificamente como potencializar a greve para uma vitória da nossa classe.

4- Lutar pela unidade com outras categorias na cidade, contra os ataques de Guti

Como dissemos anteriormente, a gestão municipal de Guti segue a cartilha dos patrões e empresários, ou seja, ataca nossos direitos, empregos e salários para lucrarem em esquemas corruptos. A prova disso é a proposta de reforma da previdência articulada com sua base na Câmara Municipal. Na assembleia do ato de hoje foi proposto que se chamasse aos trabalhadores da saúde para aderirem à luta, um aspecto importante que pode e deve ser generalizado com propostas concretas neste sentido. É preciso batalhar, inclusive pela via do Comando de Greve, para que se organizem medidas de solidariedade e inclusive em perspectiva de unificação de uma mobilização dos servidores municipais contra a precarização dos serviços públicos de Guarulhos para toda a população.

5- Unificar a oposição sindical da categoria em um polo classista e antiburocrático

Todos os setores que se colocam hoje enquanto oposição a política da diretoria atual do sindicato precisam apresentar uma política alternativa que busque superar estes limites burocráticos à greve. Uma política que aposte unicamente na força da mobilização contra os ataques, sem confiança na justiça dos patrões e que não aceite essa onda de demissões em massa pelo fechamento. Batalhando por essa perspectiva de uma greve pela base da categoria em aliança com outros setores, conquistando o apoio popular. Inclusive que possa exigir das grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, que prestem apoio ativo e solidariedade, ao invés de manter as lutas separadas e dispersas, justamente para que percam a força e se desgastem.

Exemplos como a greve dos trabalhadores da MRV em Campinas recentemente, que conquistaram suas reivindicações em uma luta histórica da construção civil, mostra que o caminho para derrotar os ataques capitalistas do governo Guti, de Doria no estado de SP e Bolsonaro nacionalmente, só pode vir da força da nossa mobilização.

Chamamos todos os lutadores e ativistas a seguirem firmes na luta da Proguaru e batalhar por uma política que possa alterar os rumos da luta, para um caminho que possibilite a vitória. É com esse objetivo que seguiremos atuando, para buscar superar a linha atual de desgaste dos trabalhadores e que leva a desmoralização. Contra qualquer ceticismo é preciso saber que há muita disposição de luta, sendo necessário canalizar em uma alternativa de direção do conflito.




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