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BELFORD ROXO | 5 meses sem resposta: exigimos a aparição com vida dos meninos de Belford Roxo e investigação independente

Hoje completam 5 meses que Lucas Matheus (8 anos), Alexandre (10 anos) e Fernando Henrique (11 anos) desapareceram em Belford Roxo quando saiam para brincar. A polícia demorou 3 meses para achar uma imagem de vídeo e após 4 meses o MP abriu uma força tarefa. Exigimos a parição dos 3 meninos com vida e uma investigação independente.

Carolina CacauProfessora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

quinta-feira 27 de maio | Edição do dia

Há 5 meses, no dia 27 de dezembro, os 3 meninos foram vistos pela última vez com vida no bairro quando saíram para brincar no campo de futebol perto de casa. A delegacia de homicídios da baixada fluminense investiga o caso, alegam que os meninos foram mortos pelo tráfico de drogas da favela na comunidade do Castelar, onde moram as famílias das crianças.

É escandaloso que o fato de três crianças negras estejam desparecidas há 5 meses e isso não tenha uma forte repercussão no país. A atuação da polícia mostra o que sempre denunciando seu papel é repressão e morte contra os negros e pobres, a falta de respostas mostra o descaso total num caso que sequer podemos nomear o que tem sido feito de investigação.

No dia 25 de maio deste ano, a polícia civil fez uma operação na comunidade do Castelar para supostamente prender os assassinos dos 3 meninos desaparecidos. 16 suspeitos foram presos, haviam mais de 20 mandados de prisão e não encontraram os assassinos de Lucas Matheus, Fernando Henrique e Alexandre.

Essa operação foi feita justamente no dia em que o STF estava julgando a ADPF das Favelas, que “proíbe” operações policiais durante a pandemia, restringindo-as apenas à “situações especiais”. A aprovação da ADPF aconteceu pela mobilização de vários coletivos de favelas e do movimento negro e também porque o regime de conjunto viu a força da luta negra com o Black Lives Matter nos EUA e teve medo das explosões sociais que podem acontecer no Brasil. Na prática a polícia segue assassinando nas favelas e a chacina do Jacarezinho é expressão disso.

A polícia civil junto a políticos como Castro e Eduardo Paes criticaram a ADPF por não deixar a polícia “fazer seu trabalho” e o delegado responsável pela chacina em Jacarezinho falou em “ativismo judiciário”, como se a polícia não seguisse matando nas favelas com operações mesmo depois dessa lei. Só em 2021 foram 9 chacinas no Rio de Janeiro. A operação na comunidade do Castelar, que supostamente iria prender os suspeitos do desaparecimento dos 3 meninos, não levou a lugar nenhum, servindo para pressionar o STF na votação da ADPF das favelas.

Fato é que enquanto o racista e reacionário Cláudio Castro apoia a brutalidade policial e os assassinatos nas favelas, as famílias e a população carioca segue sem nenhuma resposta do desaparecimento dos meninos. Sabemos que no Rio, o Estado, a polícia e o tráfico de drogas e as milícias tem relações intrínsecas, fato que aumenta a certeza de que não se pode ter nenhuma confiança nessa suposta investigação. Isso se expressa na demora, demoram 3 meses para encontrar imagens de vídeos dos meninos antes de desaparecer.

Sabemos também que isso acontece porque o estado brasileiro é racista, se comparamos, por exemplo, com outro caso tão bárbaro quanto, como foi o assassinato do menino Henry, vemos a indiferença que o estado brasileiro racista e a mídia burguesa lida com o desaparecimento de 3 meninos negros e moradores de uma área de periferia da baixada fluminense.

Lucas, Matheus e Alexandre podem ter tido suas vidas e sonhos interrompidos. Logo após o desaparecimento Silvia, uma das avós disse: “libertem eles, a gente não vai fazer nada com você, solte meus netos, deixe eles livrem, eles têm família, eles sentem saudade da gente”

A esperança dessa mulher negra e trabalhadora mostram também a dura realidade de milhares de mães e avós que acordam todo dia nas periferias e comunidades cariocas com medo de que seus filhos sejam assassinados pela polícia ou eu entrem para o tráfico de drogas ou para a milícia. Por isso elas cuidam de seus filhos assim como Silvia cuidava de seu neto. Essa realidade cruel não é nada mais que o resultado da barbárie capitalista, que pros empresários e ricos têm um mundo de possibilidades a oferecer aos seus filhos, aos filhos das mães trabalhadoras, uma infância atravessada pela violência.

Exigimos a aparição com vida dos Fernando Henrique, Alexandre e Lucas Matheus. O Estado é responsável pelo seu desaparecimento. Denunciamos também o tráfico que também oprime moradores e trabalhadores nas favelas. Não será da polícia que tem ligações com o próprio tráfico e com as milícias que sairá as respostas deste caso absurdo que segue sem explicações.

Justamente a polícia civil que impôs sigilo a operação do Jacarezinho e outras operações durante a pandemia durante 5 anos, não pode dar nenhuma resposta a esse caso. Por isso defendemos uma investigação independente, na qual o estado disponibilize todos os recursos necessários para dar prosseguimento às investigações, como câmeras públicas, depoimento dos familiares, etc. E que essa investigação seja composta por ativistas dos movimentos de favelas, movimento negro, moradores da comunidade Castelar, familiares e amigos dos desaparecidos.

Pelo fim das operações policiais e que seja suspenso imediatamente o sigilo sobre a Chacina da favela do Jacarezinho. Exigimos do Estado a aparição com vida dos 3 meninos e nos solidarizamos com os familiares e amigos que tem a esperança de vê-los brincando novamente.




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