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SAMARCO

5 anos do crime de Mariana: um monumento à impunidade das grandes empresas

Neste dia 5 de novembro completa-se mais um ano do crime ambiental da Samarco – propriedade da Vale e BHP Billiton – em Mariana, Minas Gerais. Já são cinco anos de impunidade aos grandes empresários, que seguem com seus lucros de bilhões. Cinco anos de injustiça contra milhares de famílias e comunidades que perderam tudo. Os governos Bolsonaro e Zema, assim como o Judiciário, e também os governos PT em 2015, são todos responsáveis por meia década de impunidade.

quinta-feira 5 de novembro| Edição do dia

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

Neste dia, em 2015, se rompeu a Barragem do Fundão, uma barragem de contenção de resíduos de minérios localizada no distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, interior de Minas Gerais.

Os 44 milhões de metros cúbicos de lama tóxica percorreram 700 quilômetros dos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce, entre Minas Gerais e o Espírito Santo. Foram 19 mortos e 700 mil atingidos nessa tragédia criminosa que está impune até hoje, mantendo a maioria dessas milhares de famílias sem qualquer reparação. Somente 2 das 300 casas prometidas foram entregues, e apenas cerca de um terço das indenizações foram pagas.

Entre os atingidos, há prejuízos de diversas formas: vidas que foram perdidas na tragédia ou depois, em decorrência da depressão e adoecimentos, um distrito inteiro destruído, centenas de casas. Meios de sobrevivência das comunidades originárias, que há cinco anos não existem mais, em sua maioria ligados aos rios e ao meio ambiente, ao longo de quilômetros por dentro de Minas Gerais até o Espírito Santo. A fé e os sonhos de povos indígenas, que morreram junto com a morte do Rio Doce. Tudo destruído em nome da ganância dos capitalistas.

Uma das questões que faz dessa tragédia um enorme crime declarado é o fato de que não foi um rompimento inesperado, e sim algo anunciado, que se contava os dias até acontecer. Não foi o primeiro rompimento de barragem em Minas Gerais e, infelizmente, nem mesmo o menor e último.

Antes do crime de Mariana, é sempre importante lembrar de Itabirito (1986), São Sebastião das Águas Claras (2001), Miraí (2007) e novamente Itabirito (2014). Como se Mariana em 2015 não tivesse sido escandaloso o suficiente, no início de 2019 tivemos o enorme desastre em Brumadinho, considerado o maior acidente de trabalho no Brasil em questão de perda de vidas humanas. Há ainda outras barragens que seguem com risco de ruptura iminente.

A responsabilidade por todas essas tragédias, inclusive pelos atrasos e adiamentos na entrega de casas e pagamento de indenizações, é das mineradoras que exploram o meio ambiente levando-o ao seu limite. São responsáveis a Samarco e suas acionistas, Vale e BHP Billiton, assim como o Judiciário autoritário, que sempre atua conforme os interesses dos empresários e capitalistas, mantendo esses cinco anos de impunidade e injustiça, permitindo que as grandes mineradoras explorem e destruam o meio ambiente e, junto com ele, vidas e cidades inteiras.

Não bastasse as multas aplicadas terem sido irrisórias diante do lucro das empresas, a justiça permitiu e segue permitindo que a enorme maioria não tenha sido paga e grande parte dos acordos não sejam cumpridos.

Ao longo desses anos de angústia para os moradores e trabalhadores de todo o caminho da lama, e de lucros exorbitantes e multas irrisórias aos capitalistas, um golpe institucional aconteceu e abriu um novo momento no regime desse golpe, sob o qual as eleições de 2018 foram manipuladas e governos ilegítimos como o de Bolsonaro foram eleitos.

Se o PT atuou para manter impunes as empresas, seja sob o governo federal de Dilma Rousseff até meados de 2016, seja sob o estadual de Fernando Pimentel, até 2018, mais ainda o fizeram os governos reacionários de Bolsonaro e seu aliado estadual, Romeu Zema, que nunca esconderam ser amigos dos empresários e inimigos dos trabalhadores e do meio ambiente.

A cada nova tragédia criminosa, ambiental e humana como essa, que se repete, mais o capitalismo aponta para sua incapacidade de lidar com os males que ele mesmo criou. A ânsia pelo lucro dos empresários destrói nossa natureza, rouba nossas riquezas, e arranca a vida de tudo que é vivo e cruza o caminho do lucro.

Leia também: Pela re-estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular, para enfrentar a mineração predatória

A única maneira de cessar esses desastres que se anunciam e garantir todos os direitos dos atingidos pelas barragens, é colocando as mineradoras nas mãos daqueles que conhecem e vivem da mineração: os trabalhadores. É preciso estatizar a Vale e todas as outras empresas envolvidas, arrancando-a das mãos dos empresários, com sua expropriação sem indenização, para enfrentar a atividade predatória da mineração e a contaminação do meio ambiente, com controle popular e com representantes de ambientalistas eleitos nas universidades e comunidades, como uma forma de haver uma transição e superação da atual forma predatória da extração e para que a relação da mineração com o meio ambiente seja sustentável.

A luta pela reparação aos atingidos, pela punição dos empresários e estatização da empresa, é o que também defende Flavia Valle, professora da rede estadual e candidata a vereadora em Contagem pelo MRT:




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