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Propostas para vencer | 4 propostas para derrotar Melo na luta contra a privatização da Carris

Os rodoviários da Carris cruzaram os braços hoje, 23, contra a proposta de privatização da empresa de Sebastião Melo. A larga maioria dos ônibus da Carris pararam e só não parou 100% porque a Brigada Militar cercou um dos portões para garantir que poucos fura-greves pudessem sair.

segunda-feira 23 de agosto | Edição do dia

Essa é uma luta em defesa do caráter público da Carris e dos empregos de milhares de pais e mães de família. Mas não só, trata-se de uma luta também de toda a categoria de rodoviários ameaçada com a extinção de cobradores e demais ataques da patronal e em defesa do transporte público e de qualidade na cidade. Apresentamos aqui 4 pontos para fazer essa greve vencer.

1. Confiar na força dos trabalhadores em aliança com os usuários do transporte



Não podemos confiar em Melo, na Câmara dos Vereadores ou na Justiça. Eles já mostraram que estão preparados para vender o histórico patrimônio público da cidade para os empresários lucrarem mais. A força que se expressou hoje já venceu outras vezes, como em 2020 quando Marchezan tentou aprovar o pacote de ataques que extinguia a obrigatoriedade do cargo de cobrador. Mais de 3.500 empregos foram defendidos naquela luta e mostrou que quando a classe trabalhadora se organiza, é possível vencer.

A Câmara tem fortes aliados de Melo, a começar pela presidência a cargo do PDT. A justiça via de regra atua em benefício do patrão e Melo está com unhas e dentes para arregaçar com os trabalhadores. Nesse sentido é preciso confiar apenas nas forças dos trabalhadores para vencer. Greves já foram vitoriosas em um passado não tão distante, como em 2017 quando milhões de brasileiros pararam e barraram a reforma da previdência de Temer. Fortalecer a luta, organizá-la através das assembleias dos próprios trabalhadores e seguir de braços cruzados nesse momento é fundamental.




2. Criar a aliança da Carris com os rodoviários das empresas privadas

A privatização da Carris é o primeiro passo para Melo e os empresários fazerem a devassa no transporte. Se passa a privatização, fica mais fácil de passar também o projeto de extinção dos cobradores, bem como mais arrocho salarial, mais demissões, mais ganchos e advertências. A patronal está ansiosa para botar as mãos na Carris, justamente pois pode dar enormes lucros (contrariando a falaciosa tese de Melo de que dá prejuízo). Por isso é preciso unir os rodoviários da Carris com os rodoviários das empresas privadas em uma só luta e golpear com um só punho Melo e os empresários. O sindicato precisa chamar uma assembleia emergencial unitária de forma urgente e organizar toda a categoria da cidade.

3. Ganhar a população para o lado dos rodoviários

Melo está fazendo campanha nas redes sociais, em aliança com a grande mídia, para colocar a população contra os rodoviários, dizendo que estão causando prejuízo e que por isso é preciso privatizar a Carris. Precisamos reverter essa narrativa e disputar a consciência da maioria. Essa greve luta em defesa do emprego e da qualidade do transporte público. Se privatizar e acabarem com o cobrador, podemos ter certeza que o já precário transporte público vai piorar ainda mais. Com índices altíssimos de desemprego no país de Bolsonaro, a venda da Carris vai colocar ainda mais pessoas no olho da rua e agravar a crise social em curso.

Se quem controlasse o transporte público fossem os rodoviários e não a ATP e os empresários que só pensam no lucro, seria possível reduzir a jornada de trabalho, mantendo o mesmo salário, para readmitir todos os demitidos durante a pandemia e atacar o desemprego. Um transporte 100% Carris, sob controle dos trabalhadores, é um programa que pode dialogar com a população ao nosso lado. Esse apoio ativo pode ser um fator decisivo para vencer Melo e, como mostramos nesse vídeo, há espaço grande para que os trabalhadores e a juventude apoiem a greve em curso.

4. Os sindicatos, as centrais, parlamentares e as organizações políticas devem ajudar a erguermos um forte fundo de greve

Melo já anunciou o corte de ponto dos trabalhadores. Trata-se de um ilegal ataque ao direito de greve dos rodoviários, pois coage os trabalhadores a voltarem a trabalhar. Isso é inaceitável! Muitos trabalhadores estão no seu pleno direito de greve e talvez não terão o pão do dia na mesa para alimentar sua família. Para fortalecer a luta e a possibilidade de seguir a greve, é urgente que a CUT, a CTB, o sindicato dos rodoviários, demais sindicatos combativos, parlamentares de esquerda e organizações de esquerda ajudem a organizarmos um grande fundo de greve. Ao mesmo tempo, isso pode ajudar a ganharmos apoio popular e fazer ecoar a voz dos trabalhadores por toda a cidade e região.




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