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VIOLÊNCIA POLICIAL | 4 mentiras que te contaram sobre a polícia

Vemos a violência policial ao redor do mundo. Policiais atuam a todo momento contra os imigrantes, as mulheres, o povo negro e trabalhador. Mesmo em meio à pandemia essa instituição continuou tirando vidas, como foi com George Floyd nos Estados Unidos e com a chacina em Jacarezinho no Brasil. Por isso, desde uma perspectiva marxista trazemos aqui neste texto quatro mentiras que você com certeza já ouviu sobre a polícia.

terça-feira 18 de maio | Edição do dia

1. Policial é trabalhador

Aqui primeiramente temos que retomar como Marx definiu o trabalho:

“Qualitativamente como potencial, uma atividade vital que expressa os poderes e capacidades do homem. O trabalho é um processo em que o ser humano com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza [...]”

Ou seja, o trabalho humano é a mediação entre o homem e a natureza com vistas à produção material ou não. Esta ação humana é diferente da de outros seres vivos porque modifica a natureza de modo intencional e objetivo por meio do trabalho, fazendo com que este assuma um “valor de uso” para satisfazer a sua própria necessidade, e também um valor de troca.

Se o trabalhador é aquele que realiza o processo de intercâmbio material com a natureza gerando valor, isso passa longe do que as instituições policiais fazem, que é reprimir o povo pobre e proteger as grandes propriedades privadas. Assm, reivindicar melhores condições de serviço para os policias alegando que são trabalhadores, é necessariamente buscar melhores condições para o assassinato e a repressão funcionar. Mesmo que a origem de um policial individualmente seja da classe trabalhadora e negra, seu papel dentro do funcionamento do capitalismo é servir ao braço armado do Estado.

Já sabemos que Bolsonaro e a direita são ferrenhos defensores das forças armadas e da polícia, milicianos, como podemos ver no caso da execução da vereadora Marielle Franco, que lutamos até hoje por justiça. Inclusive vimos Mourão (PRTB) recentemente justificando a chacina de Jacarezinho ao afirmar que era “tudo bandido”. O STF faz demagogia com a ADPF das Favelas. E até mesmo governadores que se dizem oposição a Bolsonaro fortalecem a polícia, como é o caso de Rui Costa (PT-BA) que tem uma das PMs mais violentas do Brasil, ou Fátima Bezerra (PT-RN), que chegou a comemorar o aniversário de 182 anos da PM que comanda. Mas setores da esquerda como o PSOL que reivindicam o marxismo levarem à frente esse discurso de “melhores condições de trabalho para a polícia” é uma enorme contradição, um desvio político e teórico.

Pode te interessar: O que faria a esquerda brasileira que defende a polícia se estivesse nos Estados Unidos?

2. O problema são os policiais maus

Dentre os militares existe um setor negro e pobre, que está sendo treinado para os momentos de guerra, onde serão jogadas em campos de batalha como linha de frente. Muitos deles entram por ser a oportunidade de ter uma renda frente ao desemprego, que só se acentua no governo Bolsonaro e no regime do golpe institucional, ou por experiências ruins com o crime na sua região. Muitos foram pro Haiti, morreram em operações nas periferias, muitos permanecem nas prisões militares.

Dentro dos quartéis, recebem a educação militar, e, de lá, muitos seguem carreira, vestem a farda com orgulho e se entregam à ideologia nacionalista. Com os policiais pobres e da base da corporação, é praticamente a mesma situação porque passam a exercer a função de ser parte do braço armado do Estado, ou seja, deixam de ser trabalhadores para serem policiais.

A polícia existe para proteger a propriedade privada e reprimir a classe trabalhadora. Sendo assim, independentemente da origem dos policiais, a função social que cumprem é uma função de classe e seu problema é estrutural, e não do caráter de cada um.

Parte do programa dos marxistas frente a isso tem que ser pelo fim do alistamento obrigatório, junto com as batalhas contra a criminalização da pobreza, contra o encarceramento em massa, pela legalização das drogas, contra militarização da educação e pelo fim das polícias, que teria que envolver uma forte força social que sabemos que não é o que está colocado para o cenário imediato. Isso tem que vir junto de uma batalha contra o desemprego, para que jovens não vejam a polícia como uma das únicas fontes de renda estáveis.

3. Polícia é para combater o crime

Um dos argumentos usados para justificar a atuação policial é a necessidade de combater o narcotráfico. Como revolucionários, condenamos abertamente o narcotráfico, mas sempre vamos denunciar que estão vinculados ao Estado de mil formas. É a criminalização das drogas que mantém o tráfico. Os maiores traficantes do país são grandes empresários e políticos que vivem em bairros de luxo e fora do país, e não a juventude negra.

Se escondendo por trás desse discurso falacioso, a própria polícia é protagonista de inúmeros crimes. Em três anos, 2215 crianças morreram pelas mãos de policiais e poderíamos ficar listando muitos outros aqui, como já citamos no decorrer do texto.

4. A polícia sempre existiu e sempre vai existir

A primeira instituição policial uniformizada e militarizada do Brasil surgiu em 15 de dezembro 1831. Até então, o policiamento da colônia era estabelecido por milícias e jagunços dos grandes latifundiários e burocratas. A Polícia nasceu com objetivos bem específicos: atender aos interesses dos escravocratas e colonizadores, e seu salário vinha da captura de negros que fugiam da condição de escravidão.

Não passam de um “destacamento especial de homens armados” para a defesa do capital, como definia Engels. Sendo assim, podem muito bem deixar de existir. A perspectiva de acabar com a instituição policial, no entanto, precisa estar profundamente ligada com uma perspectiva de acabar com o conjunto do sistema capitalista.




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