Opinião

CENTRAIS SINDICAIS

3 mil mortes por dia e a estratégia do PT e da CUT é esperar 2022, não aceitemos

Cerca de 15 mil pessoas morreram de covid na última semana, mais de 70 cidades estão ameaçadas de ficar sem oxigênio; inúmeros ataques como a PEC Emergencial sendo aprovados e descarregando a crise em cima dos trabalhadores. Frente a isso a CUT, maior central sindical do país oque é dirigida pelo PT, quer seguir a estratégia eleitoral de Lula e esperar até 2022 enquanto os trabalhadores seguem sofrendo com a pandemia. Não podemos aceitar! é urgente que se comece a organizar a luta contra Bolsonaro, Mourão, Militares e os golpistas!

sábado 20 de março| Edição do dia

A cada dia que passa a pandemia se agrava terrivelmente no Brasil. 3 mil mortes diárias, mais de 287 mil ao todo, novas cepas que são mais agressivas circulando, sistemas públicos de saúde nos estados em total colapso, pessoas morrendo na fila de espera por leitos, sem contar toda a gravidade causada pela crise econômica que foi duramente agravada com a pandemia. O desemprego segue em alta, a inflação nas alturas e o preço dos alimentos cada vez mais caros, auxílio emergencial com valores muito insuficientes, e enormes ataques contra os trabalhadores que seguem sendo impostas por Bolsonaro, Congresso, governadores e o STF. A vida dos trabalhadores brasileiros está cada vez mais sendo condicionada à miséria e a seguirem morrendo em meio a pandemia.

Frente a toda essa situação caótica a gente se pergunta por que as grandes centrais sindicais como a CUT que é dirigida pelo PT, não começam a organizar a luta e mobilizar a base dos trabalhadores para enfrentar os ataques em meio a toda essa crise? Por que frente a um ataque tão brutal que foi aprovado recentemente pelo o Congresso como a PEC Emergencial do Paulo Guedes que congela o salário dos professores por 20 anos não teve nenhuma resistência ou luta organizada para combatê-la?

Na semana passada, o ministro do STF, Edson Fachin, decidiu anular todos os processos contra o ex-presidente Lula no qual ele recupera os seus direitos políticos e poderá concorrer nas próximas eleições. Sobre os motivos que estão por trás dessa decisão, desenvolvemos uma análise nesse artigo. Mas com essa decisão Lula volta a entrar no jogo político, o único candidato que em todas as pesquisas sobre as eleições de 2022, derrota Bolsonaro no primeiro e no segundo turno. Assim, a única alternativa que o PT e a CUT colocam é esperar até as eleições como se isso fosse resolver toda a crise. Na coletiva de imprensa na semana passada, Lula deu fortes acenos que irá seguir com a sua política de conciliação com os empresários que apoiaram o Golpe Institucional para aprofundar um plano de ataque aos trabalhadores. Isso se expressa quando o Lula sequer menciona as reformas aprovadas pelos governos golpistas de Temer e Bolsonaro. Sua coletiva fez fortes sinalizações para vários setores do golpismo que foi bastante aplaudida pela grande mídia. Todas essas sinalizações mostram que Lula quer se apresentar como um bom gestor do capitalismo, que com a crise de hoje isso significa gerir um Estado onde os capitalistas querem implementar mais ataques.

Mas a pandemia segue e os seus efeitos também, matando milhares por dia devido a todo o negacionismo de Bolsonaro e as políticas dos governadores que fazem discursos demagógicos em defesa da vida mas na prática fazem de tudo para beneficiar os empresários. E mesmo assim, as grandes centrais sindicais seguem a mesma estratégia de conciliação de Lula, e uma política de Frente Ampla comemorando reuniões a portas fechadas que vêm sendo feitas com governadores como Dória e os presidentes da Câmara e do Senado, fiéis defensores e implementadores de todas as reformas.

Não podemos aceitar que tudo que a classe trabalhadora tenha a fazer é aguardar as eleições de 2022 para derrotar Bolsonaro e seus ataques. Até lá os trabalhadores vão continuar sofrendo com seus familiares morrendo pelo vírus e passando fome frente ao desemprego e a miséria.

Por isso é extremamente urgente que os trabalhadores se organizem para exigir das suas direções sindicais que parem com a paralisia e comecem a mobilizar a luta, começando pelo dia 24 que está sendo convocado como um ‘lockdown’ dos trabalhadores em defesa da vida”, mas precisa ser transformado em um grande dia de luta para mostrar toda a força que a classe trabalhadora tem para barrar os ataques e as reformas que Bolsonaro e os golpistas seguem implementando. é preciso desde já organizar a mobilização, mesmo com as dificuldades da pandemia, com assembleias e reuniões de base presenciais ou virtuais de acordo com as possibilidades e com cada categoria, impondo também a formação de Comissões de Higiene e Segurança Sanitária, auto organizadas pelos trabalhadores para averiguar e implementar todas as medidas de segurança necessárias nos locais de trabalho, especialmente entre os setores da linha de frente.

Lutar pelo Fora Bolsonaro, Mourão e todo esse regime podre como parte de enfrentar a crise econômica e sanitária, passa por enfrentar os efeitos econômicos do golpe, fazer essa ligação é papel da esquerda que poderia cumprir uma importante tarefa se construísse um polo anti-burocrático que apontasse para os trabalhadores esse caminho da mobilização e mostrasse que é necessário ter uma política alternativa a conciliação das grandes Centrais, para impor que estas se movimentam e coloquem de pé uma verdadeira frente única operária que possa lutar por um plano de emergência contra a pandemia, pela anulação de todas as reformas e privatizações, contra todas as medidas autoritárias do judiciário golpista e por um programa operário para que sejam os capitalistas e não os trabalhadores os que paguem por essa crise.

Veja também: declaração do MRT com o plano de programa para combater a crise sanitária




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