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FORA BOLSONARO, MOURÃO E OS MILITARES | 29M mostrou nossa força: precisamos de assembleias nas Universidades e um comando nacional

Os atos do dia 29 demonstraram por todo o país a disposição da juventude para tomar as ruas da extrema-direita. Amplificar essa luta para barrar os cortes, as reformas e privatizações é nossa tarefa mais essencial. Os estudantes precisam ter voz para definir os próximos passos da mobilização com assembleias de base e uma coordenação nacional das universidades.

Lina HamdanEstudante de Artes Visuais na UFMG

segunda-feira 31 de maio | Edição do dia

No dia 29, mais de cem mil pessoas em todo o país tomaram as ruas demonstrando disposição para lutar, com grande peso da juventude universitária, que foi demonstrar o seu rechaço aos cortes, reformas e privatizações do governo genocida de Bolsonaro, que só precariza nossas vidas, faz alastrar a fome neste país em que já alcançamos a marca de 460 mil mortes pela covid. Essa força que se mostrou não pode ser desperdiçada e nem virar palanque para 2022. Precisamos seguir articulando nossa mobilização, ocupando as ruas e, para dar voz à insatisfação social, unificando as pautas com a classe trabalhadora que é quem move tudo e quem pode causar o impacto capaz de barrar todos os planos de Bolsonaro, Mourão e os militares.

Os centenas de milhares que foram para as ruas com fortes atos nas capitais, com 10 mil em BH, milhares no Rio e mais de 20 mil em São Paulo, em Porto Alegre com mais de 8 mil, mas também no interior do país, demonstram que a juventude, maioria dos atos, tem fôlego para lutar. O “fica em casa”, que leva à responsabilização individual e livra a culpa dos governos e patrões no alastramento da pandemia, usado pelas direções burocráticas como forma de justificar sua paralisia diante de tantos ataques, agora não é mais visto como uma verdade inquestionável. O “Na luta que a gente se encontra”, do samba da Mangueira, foi uma realidade para muitos jovens que não se viam há tempos e puderam estar juntos nas ruas.

Foram milhares de estudantes, com peso especial das universidades federais. Muitos que ainda nem tiveram a oportunidade de ter aulas presenciais em suas universidades devido à pandemia, mas que decidiram sair às ruas para defender a educação e mostraram uma força que pode barrar não só os cortes, mas que, lado a lado com a classe trabalhadora, pode derrotar também o conjunto de ataques que Bolsonaro, Mourão e os militares, com apoio do congresso nacional e do STF querem passar, como as demissões em massa aprovada semana passada, a tramitação da reforma administrativa e da privatização da Eletrobrás em curso no parlamento.

Diversas categorias de trabalhadores estiveram no ato, mesmo que a CUT e a CTB, principais centrais sindicais do país, tenham chamado um ato virtual para o dia 26, enquanto a UNE, principal direção estudantil, chamou o ato de sábado. Se não houvesse essa divisão por parte do PT e PCdoB que dirigem majoritariamente estas organizações de massas, as mobilizações poderiam ser ainda mais expressivas nas ruas, nos locais de trabalho e de estudo.

Essa divisão que só nos enfraquece precisa ser superada. A partir do Esquerda Diário e da Faísca Revolucionária, estamos levantando que a UNE precisa urgentemente articular centenas de assembleias de base em cada universidade e instituto federal do país, assembleias que sejam democráticas com voz e voto, para que possamos de fato decidir os rumos da nossa mobilização. Essas assembleias deveriam votar representantes para um comando nacional das universidades federais que possa articular democraticamente os próximos passos da nossa luta.

Essa é a forma mais democrática de garantir que o conjunto dos estudantes da base possam ser ouvidos e representados. A decisão sobre o ato não pode ser por uma reunião de cúpula entre os dirigentes das entidades e nem de uma assembleia convocada apenas por uma única organização, sem representar de fato os debates dos estudantes em seus cursos. O comando seria a melhor forma de dar seguimento à nossa mobilização para unificar com os trabalhadores, potencializando as manifestações de rua. Para isso, os sindicatos também precisam chamar uma paralisação nacional como parte de um plano de mobilizações que permita confluir a luta da juventude com a classe trabalhadora.

A oposição de esquerda, pela sua posição nas universidades federais é corresponsável pela falta de espaço em que os estudantes pudessem se expressar, como assembleias, se recusando a votar exigências para defender a unificação com os trabalhadores, como na UFRGS, justamente no momento em que precisamos nos aliar mais do que nunca.

Nossa raiva acumulada não pode ser canalizada para a CPI da Covid, pois estes mesmos senadores que a realizam, concordam com todas as retiradas de direito que os empresários querem, assim como não pode ir em direção a um impeachment, que retiraria Bolsonaro para colocar no poder o general reacionário Mourão.

Confiando nas nossas próprias forças e não em nenhum setor do regime, confluindo com a classe trabalhadora, ampliando a auto-organização, poderemos retirar ao máximo da potencialidade que o dia 29 mostrou, lutando por Fora Bolsonaro, Mourão e os Militares, sem nenhuma confiança no Congresso e no STF que são parte desse regime político golpista que aplica os ataques contra as universidades e nossos direitos. Essa luta poderia impor não só o fim dos cortes nas universidades, mas uma universidade a serviço da classe trabalhadora. Por isso, uma das propostas que fazemos para debater no movimento é a defesa da bandeira de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pelas mobilizações em curso para mudar não apenas os jogadores e sim as regras do jogo. E neste caminho, nós como revolucionários, defenderemos a luta para impor um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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