Política

MANIFESTAÇÕES 29 DE MAIO

29M: Para enfrentar os ataques à educação, também é preciso ir contra o regime do golpe

Neste sábado (29) ocorrerá manifestações em todo o país contra os cortes feitos nas universidades federais e contra os ataques do governo aos trabalhadores. É necessário que não apenas questionemos Bolsonaro e seu governo, mas sim todos os atores do regime.

sexta-feira 28 de maio| Edição do dia

Em meio a mais de 450 mil mortes e uma crise sanitária fora de controle, o governo anunciou corte orçamentários às federais, por meio da aprovação da Lei Orçamentária, sancionada por Bolsonaro e aprovada pela Câmara e Senado, que retirou R$ 1,1 bilhões do orçamento anual, fazendo com que as universidades federais, voltasse ao orçamento que tinha em 2004, porém hoje com o dobro de estudantes. Com estes cortes universidades como UFRJ e UFBA correm o risco de fechar as portas, assim como também dezenas de hospitais universitários podem ser fechados sem esta verba.

As manifestações que ocorrerão amanhã vêm em resposta a este absurdo corte, mas também sente-se a repulsa de boa parte da população em relação ao negacionismo de Bolsonaro e Mourão e a demagogia dos governadores e todo o regime político estruturado com o golpe institucional de 2016, que fazem uma gestão escandalosa da pandemia, submetendo a classe trabalhadora e a juventude ao desemprego, à fome e carestia, à falta de vacina e ao luto de milhares.

Pela primeira vez desde o começo da pandemia, por razão dos cortes terem gerado grande revolta entre os estudantes e diversos setores da população, a UNE chamou para este dia 29 um dia de mobilização nas ruas, por fora da política de passividade e do “FiqueEmCasa” que vem sido levada à cabo, sendo a mesma política que é feita pelas principais centrais sindicais CUT e CTB, que não por acaso são dirigidas pelo PT e PCdoB, que dirigem também a UNE.

A política levada tanto nas centrais sindicais quanto na UNE é a de divisão das lutas, sendo amanhã chamado como um dia de mobilização contra os cortes, e o dia 26 um dia de mobilização chamado pela CUT contra “a carestia”. Ora, uma vez que muitos dos estudantes são também trabalhadores, e os que não são sem dúvida se tornarão, e que se estes dois setores unissem suas reivindicações o movimento teria uma força muito maior, por que as direções das entidades estudantis e sindicais chamam dois dias em separado? As centrais assinaram apoio ao dia 29, porém não mobilizaram e promoveram discussões com a base em relação a este dia, ou seja, não construíram este dia e mantiveram a política de divisão entre estudantes e trabalhadores.

No caso específico destes cortes, assim como em muitos outros ataques, como a MP 937, Bolsonaro não foi o único responsável, mas sim todos os atores do regime, que apesar de suas diferenças pontuais, quando se trata de aprovar medidas que precarizam a vida dos trabalhadores estão todos de acordo. Sendo assim nossa luta não pode servir para fazer pressão a CPI da Covid ou ser apenas pelo Fora Bolsonaro, pois é necessário questionar todo este regime pós golpe, responsabilizando também o STF e governadores pela situação em que vivemos, nesse sentido o impeachment não pode ser uma alternativa, pois além de não questionar todo o regime, coloca um reacionário e racista general, Mourão, na cadeira da presidência.

Por isso que nós achamos que nossa luta tem que seguir para além do dia 29, com um plano real de lutas para que possamos derrotar o governo e revogar todos os ataques que seguem vigentes, assim como as privatizações aprovadas recentemente, como da CEDAE e da Eletrobrás. Temos que batalhar para mudar as regras do jogo e não somente os jogadores, por isso lutamos por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que possa dar uma saída de fundo a crise que está colocada.




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