Gênero e sexualidade

MULHERES E MENINAS TRANS

29J: É essencial lutar contra esse sistema que mata, cada vez mais cedo, jovens trans

No país que mais mata pessoas do público T, no ano de 2020, 175 mulheres trans e travestis foram assassinadas violentamente, o que corresponde a um assassinato a cada 2 dias, superando a marca de 2019 de 124 mulheres, um aumento de 41% de assassinatos. A vítima mais nova tinha 15 anos em 2020; em 2021, a vítima mais nova tinha 13 anos, Keron Ravach, o que evidencia que as meninas e mulheres trans estão sendo mortas cada vez mais cedo.

sexta-feira 29 de janeiro| Edição do dia

Segundo o Dossiê de Assassinatos e Violência contra Travestis e Transexuais em 2020 da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), 78% das vítimas são mulheres negras, 72% trabalhavam com prostituição, 56% tinham entre 15 a 29 anos e 77% foram mortas com requintes de crueldade.

Veja também: Ministro da Educação Milton Ribeiro, faz nova declaração homofóbica durante culto.

Esses dados mostram a revoltante realidade do Brasil do golpe, com reacionários como Bolsonaro e Damares. O país é internacionalmente reconhecido por ser o lugar onde mais morrem pessoas trans por violência.

Não se pode se esquecer que nas primeiras semanas do governo golpista, Damares foi escolhida para promover "a nova era do Brasil: menino veste azul e menina veste rosa". Depois direitos LGBT já conquistados foram sendo retirados e seguiu a promoção de campanhas de combate as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em base a discriminação e estigmatização. Tudo isto, em nome, da guerra contra a suposta "ideologia de gênero".

Além do ódio e da intolerância disseminados pelos representantes desse governo, outros representantes do regime institucional do golpe, como a Rede Globo, querem mostrar sua face da diversidade recrutando para suas novelas personagens transexuais. No entanto, a Globo faz isso enquanto apoia medidas que atacam os trabalhadores, atacando ainda mais as mulheres trans que ocupam os subempregos, largadas à própria sorte e sujeitas a nenhum tipo de amparo estatal. Sendo assim, isso mostra que essa diversidade levantada pela emissora é totalmente conciliável com os ideais da família do estado capitalista, como se os profundos problemas enfrentados pelas mulheres trans fossem resolvidos por meio da representatividade, amansando uma luta por direitos básicos e pela vida, que passa por acabar com o sistema capitalista que oprime e explora triplamente essas mulheres.

Meninas que não performam a cisnormatividade esperada pela sociedade patriarcal são expulsas de casa cada vez mais cedo, com 13 anos, ficando totalmente vulneráveis a qualquer tipo de violência e sendo jogadas para a prostituição como forma de sobrevivência. Nesse caminho, essas meninas e mulheres ficam expostas nas ruas sujeitas à violência e ao ódio, muitas vezes sem ter acesso à saúde básica ou a políticas de assistência para que possam de alguma forma amparar a sua condição.

Nesse dia 29 de Janeiro, dia da visibilidade trans, nós do Esquerda Diário e do Pão e Rosas exigimos justiça pelas centenas de mulheres trans que são assassinadas violentamente todos os anos, e mantemo-nas vivas em nossas lutas por um mundo onde as pessoas possam expressar livremente sua identidade de gênero e sua sexualidade, num mundo livre das amarras do capitalismo que oprime e explora em níveis ainda mais altos o público T.

Para isso, é necessário que todas as mulheres trabalhadoras e oprimidas, que são as mais exploradas pelo capitalismo, tomem a linha de frente da batalha para derrubar Bolsonaro, Damares e o regime do golpe junto com o capitalismo. É essencial a luta para derrubar um sistema que acorrenta e ceifa vidas pela exploração e pelo ódio patriarcal, pois como o revolucionário Leon Trotsky já advertiu, aqueles que com mais afinco lutam pelo novo são os que mais sofrem com o velho.

Veja aqui: Que nesse dia da Visibilidade Trans, o orgulho LGBT seja o combustível para enfrentar Bolsonaro, Damares e os capitalistas.




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