Política

24M: Sem preparação na base, mais um dia de luta desperdiçado pelas centrais sindicais

quinta-feira 25 de março| Edição do dia

Imagem: divulgação

Com o mote “Dia de luta e Lockdown Nacional - em defesa da vida, da vacina, do emprego e do auxílio emergencial de 600 reais”, as centrais sindicais (CUT, CTB, Força Sindical, UGT, etc.) realizaram ontem algumas ações pelo país, como cortejos, pequenas manifestações simbólicas, carreatas, ações virtuais e algumas paralisações parciais, por exemplo, de condutores de ônibus.

Mas mais uma vez, as centrais sindicais ficaram no quase, ou melhor, mais uma vez desperdiçaram a chance de construir um dia de luta que pudesse levantar a cabeça dos trabalhadores, imersos em uma crise econômica e sanitária sem precedentes, para em seus locais de trabalho responderem a patrões e governantes, e não mais aceitar ter suas vidas em risco e as perdas sofridas de familiares e amigos.

Nos dias que antecederam o 24M - data do chamado de “luta” - já estava claro que seria mais um dia com ações pontuais, para as centrais sindicais mandarem a mensagem de “dever cumprido”, mas sem de fato organizar os trabalhadores em cada fábrica, hospitais, em todos os terminais de ônibus, etc. O “dia de luta” passou bem longe da esmagadora maioria dos trabalhadores, que sequer sabiam do chamado, ainda que seus sindicatos assinassem convocatórias em cartazes para a internet.

Nós do MRT e Esquerda Diário cobramos insistentemente que era necessário bem mais que uma live das centrais sindicais para que existisse um verdadeiro fator de pressão contra as patronais e governos, para isso defendemos que era necessário um plano de luta, que não chegou, debatido em assembleias, plenárias e reuniões virtuais (ou presenciais onde fosse possível realizar com segurança sanitária). As ações parciais e pontuais realizadas por trabalhadores pelo país mostram que se as centrais sindicais se preocupassem em organizar um plano de lutas, os trabalhadores seriam ponto de apoio. No metrô de SP, metroviários questionaram a direção do sindicato, perguntando porque não poderiam usar o colete de trabalho exigindo vacinas em diálogo com a população por mais dias e não somente algumas horas. Condutores de ônibus de algumas cidades e garis de MG aceitaram paralisar as atividades por algumas horas, também exigindo vacinas para a população e segurança. Outras categorias que tiveram mobilizações e iniciativas de seus trabalhadores esse ano, como professores, petroleiros e metalúrgicos, não puderam se organizar para o 24M por inércia e paralisia das suas direções sindicais, que mais uma vez encararam o dia de forma rotineira, exatamente o oposto do que exige um país que enfrenta as 300 mil mortes pela pandemia da COVID-19 e uma crise econômica que esvazia a mesa das famílias.

Na cabeça das direções sindicais só existem as preocupações com seus próprios aparatos, para encontrar seu espaço no regime político pós golpe institucional, mesmo que para isso seja necessário defender os governadores do “bate boca” com o governo federal, e se aliar com esses mesmos governantes que criticam o negacionismo assassino de Bolsonaro cinicamente, mas na prática não atuam com medidas efetivas para o combate a pandemia, com testes, reorganização das indústria para produzir todo o necessário para salvar vidas, isenção de contas como luz e água e a demora na vacinação.

No caso da CUT, e da CTB, a inércia tem também o grande objetivo de canalizar toda a revolta e insatisfação da população na esperança nas eleições de 2022 para eleger Lula, como se fosse possível esperar até lá, enquanto morrem em média mais de 2 mil pessoas/dia por, muitos passam fome e estão com a vida precarizada pelas reformas e ajustes, que inclusive não estão na mira de serem anuladas por Lula e o PT.

Não temos tempo para esperar 2022, as centrais sindicais, como a CUT que ainda dirige grande parte dos sindicatos do país, precisam convocar reuniões, plenárias e assembleias virtuais, e presenciais quando for seguro, em todas as categorias de trabalho, para que os próprios trabalhadores e sua força, possam ser sujeitos na luta por um programa de emergência para essa crise sanitária e econômica e ainda, contra todos os ataques e reformas que precarizaram suas vidas. Assim, é urgente organizar um plano de luta que construa ações efetivas, sejam virtuais ou nos locais de trabalho, para dias de luta que não sirvam para alívio de consciência das direções sindicais, mas sim para batalhar por comissões de segurança sanitária em cada categoria, vacinas e testes, licença remunerada e que impeça mais demissões.




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