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Greve Global pelo Clima | 24 mi de metros quadrados viram cinzas na Chapada. É urgente derrubar Bolsonaro e agronegócio com a força da mobilização

Há mais de uma semana a Chapada dos Veadeiros (GO) arde em chamas. Já são mais de 24 mil hectares devastados, 1 hectare equivale a 10 mil metros quadrados. A sanguinária sede de lucro do agronegócio e o negacionismo reacionário do Bolsonaro são os culpados, com conivência de setores do regime como o STF e o Congresso Nacional. Rumo à Greve Global pelo Clima, podemos apostar apenas na força da nossa mobilização ao lado dos trabalhadores e mais oprimidos para combater as queimadas, fruto da produção capitalista.

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

quinta-feira 23 de setembro | Edição do dia

Foto: @ahmadjarrah

É absurda as cenas das queimadas na Chapada dos Veadeiros que devastam ainda mais o bioma do Cerrado brasileiro e sua fauna e flora. Já são mais de 10 dias de um incêndio catastrófico que deixou apenas cinzas de mais de 24 mil hectares, para se ter uma noção 1 hectare equivale a aproximadamente um campo de futebol ou 10 mil metros quadrados. Só nas últimas 48h foram 10 mil hectares queimados.

Leia mais: Incêndio na Chapada dos Veadeiros: fogo destrói área equivalente à 24 mil campos de futebol

Segundo oInstituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), os incêndios que ocorrem no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Piauí já ultrapassaram a média histórica de incêndios para o mês de setembro. Esse dado e as queimadas na Chapada, não podem ser enxergados e analisados por fora da profunda crise que vivemos, onde as contradições do sistema capitalista ficam escancaradas, e a crise climática e ambiental, ao contrário do que Bolsonaro mente na ONU, são uma realidade inegável, a sentimos na pele mais do que nunca.

A expressão da produção desenfreada capitalista se materializa nas secas fortes e prolongadas que estamos vivendo, nas ondas ora de calor ora de frio, nas chuvas torrenciais, na crise hídrica, entre outras expressões de devastação ambiental, as investigações indicam que a principal causa das queimadas, incluindo a da Chapada, é a ação humana, ou melhor dizendo, a ação do agronegócio sedento pelo lucro, e não da seca como setores burgueses gostam de alegar. Inclusive, nem a polícia consegue esconder que os incêndios são criminosos, segundo fonte do G1, o Capitão da corporação, Luiz Ântonio Dias Araújo disse que acredita que o fogo é resultado de ação criminosa.

Esses não são os primeiros incêndios criminosos, e certamente, no capitalismo, não serão os últimos, visto que a sede de lucro do agronegócio e da burguesia não cabe em uma relação harmônica entre o capitalismo, a natureza e a sociedade. Enquanto milhões de pessoas sofrem de fome, o desemprego, a pandemia, o agronegócio e a produção industrial de alimentos impulsionados pela sede de lucro destroem ecossistemas inteiros para entregá-los à monocultura. Eles só querem mais pasto para produzir e lucrar mais às custas das nossas florestas, dos povos originários, quilombolas e camponeses pobres.

O sistemático genocídio dos povos originários é um reflexo disso, assim como os ataques que visam entregar as terras históricas desses povos à produção capitalista como é o Marco Temporal e a PL 490 aqui no Brasil. E, também, o recente projeto de lei apresentado pelo deputado federal Delegado Waldir (PSL-GO) que em nome do agronegócio e do latifúndio racista, visa reduzir em 73% a área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Não à toa as queimadas da Chapada acontecem agora e são próximas a regiões recém desmatadas. O meio ambiente e os nossos futuros não valem nada para os capitalistas e seus governos, que passam dos diversos ataques e abrem espaço para essa devastação. Sabemos que o agronegócio compõe a base de sustentação reacionária do governo Bolsonaro-Mourão, mas que também possui relações profundas com o centrão e frações burguesas dentro do regime político brasileiro. Um exemplo disso é o próprio Marco temporal que estava sendo votado no STF, e que Bolsonaro se colocava “contra”, apenas para se contrapor ao STF. Mas, sabemos que no fim das contas era apenas um embate entre essas frações burguesas do regime político, demonstrando a profunda crise política brasileira, mas que o projeto econômico neoliberal de devastação de Bolsonaro e das instituições do regime como o STF e o Congresso Nacional é o mesmo, assim como os militares, e estão todos juntos para descarregar a crise sob nossas costas e garantir os lucros do agronegócio e dos imperialistas.

Nesse sentido, para salvar a Chapada e o nosso planeta, não podemos apostar em nenhuma saída que não passe pela organização e mobilização dos únicos que verdadeiramente tem o interesse de estabelecer uma relação harmônica entre a natureza e a sociedade, que são os trabalhadores ao lado dos estudantes e mais oprimidos, como os povos indígenas. A relação da sociedade com o resto da natureza é mediada pela produção, e para que essa relação possa se desenvolver de forma harmoniosa precisamos revolucionar a produção. É por isso que a classe trabalhadora, a única classe genuinamente produtora na sociedade, pode articulador uma aliança social capaz de ativar o "freio de emergência" diante do desastre ao qual o capitalismo está nos levando.

Leia a Declaração das Juventudes da Fração Trotskista e participe da plenária de apresentação dela, sábado(25), às 16h: O capitalismo e seus governos destroem o planeta: destruamos o capitalismo!

Esse é o nível da irracionalidade do capitalismo, destrói o planeta, assassina povos inteiros, e não pode nem resolver a crise que mesmo criou. Frente a isso, é mais urgente do que nunca um programa operário unificado de combate à crise capitalista com respostas às crises climática, ambiental e social. É com essa perspectiva que nós da Faísca e do MRT batalhamos em cada processo de luta que participamos recentemente como da MRV Campinas, Carris no RS, Sae Towers MG, Rede TV em SP, Detran no RN, na greve da ProGuaru, e também na luta dos indígenas em Brasília.

Imaginem se a força que se expressou nesses processos ainda pequenos de luta, fossem organizadas e coordenadas pelas centrais sindicais como a CUT(PT) e a CTB(PCdoB) e pelas organizações de esquerda. Como com um plano de lutas unificado construído pela base dos estudantes e trabalhadores em aliança com os povos indígenas para tomar às ruas em defesa da Chapada, contra o agronegócio, Bolsonaro e os militares. Uma força dessa seria capaz de ir muito além do que defender o meio ambiente, ela seria capaz de conquistar a revogação de todos os ataques ou por exemplo conquistar o urgente reajuste de automático dos salários de acordo com a inflação e emprego com direitos para todos, que é uma medida para se enfrentar com a fome e o desemprego e os lucros dos capitalistas.

Rumo à Greve Global pelo Clima e o dia 2 de outubro pelo Fora Bolsonaro é por essa unidade e política que precisamos batalhar, e não de aliança com a direita reacionária e de uma espera passiva das eleições de 2022 como quer Lula e o PT, não podemos esquecer que foi no governo do PT onde o agronegócio cresceu e lucrou como nunca, tudo isso sob o sangue indígena e através da devastação de biomas como a Amazônia. Os partidos que se colocam com oposição PSOL, PSTU, PCB, UP e que dirigem diversosCAs, DCEs e sindicatos pelo país precisam romper com a subordinação a política de conciliação de classe do PT e construir blocos classistas pelo país para articularmos as forças reais e necessárias para derrotarmos o bolsonarismo, a direita, o agronegócio, os militares e golpistas nas ruas.

Editorial MRT : 2/10: derrotar Bolsonaro com um programa operário para que os capitalistas paguem pela crise




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