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GREVE DE METROVIÁRIOS SP | 20h de greve e Boulos e a esquerda ainda não se colocaram em apoio ativo aos metroviários

Mais de 20 horas corridas da importante greve dos metroviários de São Paulo e ainda não houve nenhuma contundente manifestação de apoio do ex-candidato a prefeito pelo PSOL, Guilherme Boulos. Parlamentares e figura da esquerda devem colocar todo seu peso em apoio aos metroviários JÁ.

quarta-feira 19 de maio | Edição do dia

A greve dos metroviários teve início às 00h desta quarta-feira e ainda permanece mesmo diante da pressão do governo Doria, do Ministério Público do Trabalho e do Metrô. Os metroviários deram ao longo da madrugada e de todo o dia de hoje uma amostra contundente da força de uma das categorias mais estratégicas de todo o país, que esteve na linha de frente dos serviços essenciais, arriscando suas próprias vidas e de seus familiares, enquanto sofrem cortes de direitos, sobrecarga de trabalho e privatizações, além de contar com mais de mil metroviários acometidos pela Covid.

Nesse cenário, o ex-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, atualmente uma das figuras mais populares do partido, até o momento não se pronunciou de forma contundente a favor da greve - nada para além de um retweet.

Boulos, que possivelmente pretende concorrer a governador do estado, é uma figura pública que sempre foi fortemente associado a movimentos sociais e mobilizações populares. A projeção que ganhou nas últimas eleições municipais, em base aos mais de 20% dos votos, certamente faria abrir os ouvidos de pessoas que hoje erroneamente compram o discurso da mídia de que esses trabalhadores são “privilegiados” e que a paralisação do metrô significa “prejudicar a população”.

Enquanto o PT, através da direção da CUT, que dirige sindicatos espalhados por todo o país, seguem na mais completa paralisia, o PT arquiteta seu plano para 2022 (junto a Sarney e ao centrão) como se só o que importasse fosse o resultado eleitoral do próximo ano, sem se importar com os trabalhadores que gritam contra o sufoco agora. Essa é a falência da estratégia eleitoralista que senta esperando mortes acontecerem enquanto pavimentam o caminho para “derrotar” Bolsonaro pela impotente via eleitoral. Dançando nesse mesmo ritmo é que Guilherme Boulos passou o dia de hoje reunido com Lula para debater o futuro eleitoral para “derrotar Bolsonaro, logo após buscar “dialogar” com o Republicanos da Igreja evangélica.

As figuras públicas de esquerda tal como Boulos, Marcelo Freixo deveriam estar contundentemente afirmando ao maior número de pessoas que fosse possível que o que prejudica o trabalhador é o transporte público superlotado e a falta de contratação de funcionários, o que é cinicamente justificado pelo Metrô como “falta de verba”, enquanto fornece bilhões aos empresários dos transportes, donos das linhas privatizadas, e que estes sim são os privilegiados, enquanto os metroviários todos os dias estão enfrentando a sobrecarga, o perigo do vírus e uma série de direitos caindo por terra. Um tweet não ajuda em nada, é preciso levar solidariedade ativa, estar junto à categoria, usar seu amplo alcance nas redes, colocar todo o movimento social que dirige e que influencia a estar ombro a ombro aos metroviários.

Frente a essa importante mobilização, é necessário que o conjunto dos sindicatos, as organizações de esquerda e movimentos sociais se coloquem a apoiar ativamente. Um tweet não basta, Boulos e os parlamentares e figuras públicas do PSOL poderiam sim fazer uma importante diferença se colocassem seu peso, base de apoio e projeção a favor da luta desses trabalhadores que despontam como linha de frente.

Boulos e muitos outros poderiam estar na linha de frente dos piquetes junto aos metroviários, que também contam com apoio de estudantes e trabalhadores de outras categorias. Faria toda diferença para a greve o apoio e a presença de uma figura como ele.

Leia também: 5 motivos para apoiar a greve dos metroviários de SP

O apoio da população também cumpre papel decisivo para fortalecer os metroviários nesta luta contra a empresa e o governo, como expressão da necessidade da unidade do conjunto dos trabalhadores na defesa de melhores condições de trabalho e de vida, unidade esta que poderia se desenvolver em instrumento contra Bolsonaro, os governadores e os capitalistas.

É preciso fazer da luta metroviária um ponto de apoio para as lutas necessárias que a classe trabalhadora tem de travar, sendo vista como um exemplo de enfrentamento aos governos negacionistas e demagógicos que ceifam milhares de vidas da classe trabalhadora.




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