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1º de Julho: Paralisação internacional de entregadores de aplicativos

Nesta quarta-feira, primeiro de julho, está sendo realizada uma jornada de luta dos trabalhadores de diferentes aplicativos como Rappi, Glovo, Ifood e Uber Eats no Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica, México, Venezuela, Guatemala e Equador.

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Nas redes sociais está sendo chamado para esse dia também um twittaço para visibilizar a situação das e dos trabalhadores, impulsionando as hashtags #BrequeDosApps, #GrevedosApps e #LasVidasTrabajadorasImportan.

Enquanto se desenrola a pandemia e como resultado das medidas de isolamento, o trabalho de milhares de entregadores em muitos países se viu como parte dos serviços essenciais, sendo encarregados não apenas de entregas de alimentos, mas também de medicamentos e outros itens de primeira necessidade para muitas pessoas. Esse aumento no uso dos aplicativos de entregas, como Ifood, Uber Eats ou Rappi, seguiu-se de medidas de maior exploração de seus trabalhadores.

Diversas denúncias, tanto no Brasil, Argentina ou na Costa Rica, demonstram como plataformas como a Glovo reduziram o pagamento por viagem, com reduções de até 50% da tarifa base. Outros mecanismos, como os bloqueios arbitrários das contas ou a falta de equipamento de segurança sanitária por parte das empresas para proteger seus trabalhadores, revelam a realidade dos ditos essenciais. Com o aumento drástico do desemprego, esse tipo de trabalho se tornou uma fonte de renda para milhares de famílias afetadas pela crise.

A relação de trabalho entre entregadores e empresários está sob a difundida figura do “colaborador ou sócio”, a margem de qualquer responsabilidade patronal, sem reconhecimento de nenhum direito para proteger a integridade e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras de delivery. A cumplicidade das autoridades governamentais já demonstrou que suas prioridades estão em assegurar os lucros dessas empresas.

As e os trabalhadores do setor veem como as condições de trabalho e as imposições das empresas acabam com a vida dos trabalhadores. Só na Argentina já são seis companheiros mortos enquanto trabalhavam. As empresas que ficam com tudo e deixam os trabalhadores sem recursos, esses que, apesar de serem considerados trabalhadores essenciais, são aqueles que arriscam suas vidas sem nenhum direito ou garantia em meio à pandemia.

Em cada país se realizarão mobilizações. Entre as demandas se exigem kits de higiene e segurança urgentemente, o aumento do pagamento por viagem, o desbloqueio das contas, um seguro de vida e contra furtos, e por plataformas dignas para enfrentas as condições de precarização.

No Brasil, os trabalhadores do metrô de São Paulo foram uma importante categoria que veio prestando solidariedade ativa aos entregadores. O governador do estado, João Dória, quer atacar seus planos de saúde e os salários. Os trabalhadores do metrô estão na linha de frente, trabalhando sob perigo em uma quarentena mal administrada, com 300 trabalhadores do metrô ausentes por estarem infectados com Covid-19 e outros com suspeita de contaminação. Essa luta, em muitos lugares, é levada a cabo junto com a luta contra o racismo e a brutalidade policial, que se desenvolveu nos Estados Unidos, mas que também presenciou grandes mobilizações no Brasil.

Na Argentina uma assembleia decidiu construir mobilizações em várias cidades; em Buenos Aires, será na frente da assembleia legislativa da Cidade de Buenos Aires, para barrar a votação de qualquer tipo de projeto que piore suas condições de trabalho e legitime a precarização imposta pelas empresas de aplicativos.

Damián, trabalhador da Rappi e integrante da La Red de trabajadorxs precarizadxs, foi parte da assembleia e disse ao La Izquierda Diario: “Estamos muito felizes de seguir avançando e redobrando a organização a cada dia, participaram muito mais companheiros e companheiras que na assembleia anterior, cada dia somos mais entregadores que querem que parem de nos tratar como se fossemos descartáveis. Não só aqui, mas em todo o mundo. Por isso no 1º de julho queremos fazer uma grande paralisação com carreatas para que tenham que nos ouvir”.

Na Costa Rica, foi convocada uma carreata. A concentração será no parque Central e sairá dali até o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho.

No México, os entregadores também se uniram à paralisação internacional com uma caravana que percorrerá diferentes pontos da Cidade do México. Em memória dos companheiros que se foram, foram colocados capacetes e mochilas brancas nos lugares onde deixaram suas vidas para levar comida para casa.

Trabalhadores de todos os países fizeram chegar suas mensagens de solidariedade. No Brasil, intelectuais e movimentos sociais publicaram uma carta em solidariedade aos entregadores, apoiando a paralisação internacional.

Na Argentina, Claudio Dellecarbonara, trabalhador do metrô, parte da Comissão Diretiva do Sindicato e atualmente deputado estadual pela Frente de Esquerda - Unidade postou o seguinte chamado:

Os trabalhadores das fábricas recuperadas da Argentina, como Zanon e MadyGraf (ex-Donnelley), também fizeram chamados de solidariedade:

No contexto da pandemia, vemos o enorme aumento do desemprego, junto com uma ofensiva por parte dos capitalista, políticos e patrões, para atacar os direitos trabalhistas e impor condições de trabalho ainda mais precárias ao conjunto da classe trabalhadora.

É importante reconhecer o papel desempenhado pela juventude dentro da pandemia, ocupando cada vez mais espaço dentro de um dos setores mais precarizados da classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, um dos serviços mais importantes em termos de transporte de mercadorias. Se a indignação da juventude contra as condições de precarização e exploração a que estão submetidos os entregadores e entregadoras de aplicativo faz eco com as mobilizações contra o racismo e o abuso policial nos Estados Unidos e Brasil, com a rebeldia da juventude chilena que sacudiu 2019, com as demandas de milhares de jovens no continente e no resto do mundo, podem se abrir importantes perspectivas para a luta de classes.

A juventude precarizada pode ser a chama que acende o pavio para maiores confrontos com um sistema decadente, que não promete mais do que maior precarização e exploração para milhares de jovens em todo o mundo.

Desde o Esquerda Diário, seguiremos informando em relação às medidas de luta internacional, e desde já apoiamos o chamado dos entregadores de todo o mundo para enfrentar a precarização. É necessário pôr de pé uma organização ampla e combativa, que agrupe os setores combativos da juventude precarizada e exija todos os direitos para os entregadores.




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