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DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA A LGBTFOBIA | 17 de maio: enfrentar a LGBTfobia com a força da classe trabalhadora

O dia 17 de maio, dia mundial da luta contra a LGBTfobia, marca a data onde a homossexualidade foi despatologizada pela OMS. Esse processo foi fruto de lutas históricas, avanços e retrocessos dos movimentos por libertação sexual e LGBT. Resgatamos aqui parte de sua história, mas também a necessidade de impor com a força da classe trabalhadora a libertação de nossas sexualidades e pela livre identidade de gênero.

Luno P.Coordenador Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

segunda-feira 17 de maio | Edição do dia

Há 31 anos, no dia 17 de maio de 1990, a OMS deixou de considerar a homossexualidade como uma doença, porém foi apenas em junho de 2018, na décima primeira revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), em que todas as categorias relacionadas às pessoas trans foram removidas do capítulo sobre transtornos mentais e comportamentais. Essa ação de despatologização não se deu por nenhum nível de bondade ou sensatez "anti opressão" por parte da OMS, uma organização comandada pelas principais potências imperialistas, mas foi resultado de uma série de processos ligados à luta de classes, pela libertação sexual e da identidade de gênero.

Foi em 1968, com o ciclo de lutas abertas pelo maio francês e também inspirados pela segunda onda do feminismo na década de 60, que houve a irrupção de movimentos de libertação sexual que surgiram reivindicando o orgulho de nossas sexualidades e identidade de gênero, assim como questionando as instituições que as reprimem. Com a crise capitalista como pano de fundo, isso se deu em meio aos movimentos de libertação nacional em diversos países da África contra o imperialismo britânico, francês e alemão, mobilizações massivas contra os EUA em meio a Guerra do Vietnã, massificação de greves pelo mundo como os cordões industriais no Chile, o povo tcheco enfrentando os tanques da burocracia stalinista na Primavera de Praga, processos que criaram um solo fértil para uma mudança subjetiva de um mundo em chamas. Um dos exemplos mais marcantes da época de como isso se expressou na luta pela libertação sexual e de gênero é o exemplo de Stonewall, bar que foi palco de uma revolta contra a violência policial e a repressão sexual.

Como resposta a esses processos, foi no final da década de 1970 que a direita cristã, aliada com forte propaganda nos meios de comunicação e financiada pelos grandes empresários, começou a se organizar contra os crescentes movimentos feministas e de libertação sexual. A década de 1980 foi palco de uma ofensiva das classes dominantes que, lideradas por Thatcher e Reagan, atacaram as principais conquistas dos trabalhadores e dos oprimidos. Essa reação foi acompanhada da propaganda reacionária das igrejas contra a "peste rosa", que afirmavam que o HIV/Aids era um castigo aos homossexuais pelo uso excessivo de drogas e pelo comportamento sexual “promíscuo e imoral”, desencadeando em uma onda de discriminação e de estigmatização contra a comunidade LGBT+. Thatcher também se recusou a levar a frente campanha de conscientização sobre sexo seguro, uma política que foi fundamental para o começo da epidemia de Aids.

Essa ofensiva também buscou domesticar de conjunto os movimentos sociais que haviam nascido, desenvolvendo toda a ideia da emancipação via consumo onde a nossa libertação sexual só serve para alguns poucos bolsos e impondo a cooptação a partir da institucionalização dos movimentos. Da luta contra toda a opressão sexual se passa para uma luta pela garantia de direitos e representação dentro do Estado.

A remoção da homossexualidade da lista de doenças da OMS significou uma conquista democrática elementar. O fato significou uma igualdade formal, nas leis, mas ainda hoje, as mudanças na vida real estão longe da história de uma sociedade igualitária e "tolerante" em relação aos LGBTs. Cerca de 70 países pelo mundo ainda criminalizam as relações homossexuais, sendo em 6 deles punido com pena de morte. Em meio a crise econômica e sanitária que estamos passando, as pessoas trans sofrem despejos, perseguições policiais e perdem sua renda, como resultado, para conseguir sobreviver, a maioria vai para a prostituição. Milhares de jovens sofrem as consequências da insegurança no emprego, o que tem um impacto maior entre as LGBTs, que sofrem discriminação em seus locais de trabalho todos os dias. No Brasil, os dados de homicídios e de violência contra pessoas LGBT+ em meio a pandemia vem sendo escondidos pela subnotificação gerada pelos ataques contra as campanhas de incentivo à denúncia por parte do governo Bolsonaro e por todo o regime do golpe.

Por isso, não queremos que esse 17 de maio seja lembrado como o dia onde os grandes capitalistas colocam em seus produtos imagens da bandeira do orgulho LGBT+ e enchem as redes de propaganda de roupas e produtos de estéticas focando em casais LGBT, porque enquanto as grandes empresas colocam LGBTs na TV para propagandear suas marcas, fingindo tolerância com os setores oprimidos, é nos porões do telemarketing e no escuro das ruas, longe dos olhos da sociedade, onde se encontra a grande massa de LGBTs marginalizadas pelo sistema capitalista.

Queremos que esse dia 17 de maio seja lembrado pela luta de classes, pelas mulheres trans que tomaram a frente nos protestos na Colômbia contra a reforma tributária, a precarização da vida e a repressão do governo de Duque. Pela juventude LGBT+ em Mianmar que, em solidariedade aos milhares de jovens e mulheres trabalhadoras, muitas delas dos setores mais precários como as fábricas têxteis, tomaram às ruas contra o golpe militar. É nesses exemplos, em aliança com a classe trabalhadora, que tiramos a força para lutar contra a LGBTfobia, o racismo e o conjunto das opressões.

No Brasil, essa luta significa se enfrentar diretamente contra todo o reacionarismo do governo Bolsonaro, Mourão e contra o conjunto do regime do golpe que, juntos com seus ataques e reformas contra a classe trabalhadora, precariza a vida da maioria das LGBTs que hoje tem apenas os postos de trabalho precário e informal como perspectiva.

Neste dia 17 de maio, dizemos que a libertação de nossas sexualidades e de nossa identidade de gênero só pode ser conquistada pela luta de classes!




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