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Tragédia capitalista | “120 vidas arrancadas em Petrópolis. É urgente uma reforma urbana radical”, diz Carolina Cacau

Reproduzimos aqui declaração da professora da rede pública do Rio de Janeiro e dirigente nacional do Pão e Rosas, Carolina Cacau, sobre a tragédia capitalista em Petrópolis que já deixou 120 mortos fruto da negligência dos governos de Bolsonaro, Cláudio Castro e Bontempo. Não foi a natureza, foi o capitalismo.

sexta-feira 18 de fevereiro | Edição do dia

"É impossível não se revoltar com as cenas de Petrópolis, são mães com enxadas procurando seus filhos e pertences debaixo da lama; casas - que carregam histórias de famílias que suaram para ter um teto - sendo devastadas; carros arrastados; pessoas afogadas e correndo para se abrigar… Já são 120 mortes confirmadas, sem contar com os 35 desaparecimentos e quase 400 desabrigados. Uma verdadeira tragédia, mas não “natural” como a mídia burguesa e o Estado gostam de dizer com cinismo, e sim, uma tragédia capitalista.

As chuvas extremas, deslizamentos, inundações, ondas de calor, queimadas, secas prolongadas, e várias outras manifestações terríveis dos efeitos das mudanças climáticas estão sendo sentidas por nós com mais intensidade nos últimos anos. E, suas consequências são sentidas, principalmente, pelos jovens, trabalhadores, negros, mulheres e desempregados, pelas populações camponesas, indígenas e quilombolas. Petrópolis não é um caso isolado. É uma tragédia que assim como Brumadinho e Mariana têm culpados: os capitalistas e seus governos - que com sua sede de lucro batalham gananciosamente para que um punhado de empresários no mundo continuem enchendo seus bolsos às custas da especulação imobiliária e do nosso trabalho.

A negligência de Bolsonaro, do governador Castro e do prefeito Bontempo é responsável pelas vidas arrancadas e pelas consequências dessa devastação que milhares de famílias trabalhadoras de Petrópolis carregarão para o resto de suas vidas. Assim, como todo todo o regime político é responsável, o STF e o Congresso Nacional, tão juntos de Bolsonaro e Mourão aplicando cada ataque que precariza a vida dos trabalhadores e garantem a devastação do meio ambiente e nosso biomas por parte do agronegócio. Porém, nada disso importa para esse sistema e Estado que tem como lógica a garantia dos lucros, ou seja, se eles se mantêm intactos está tudo bem e dizem “foi apenas uma chuva, das fortes.”

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É absurdo ver a partir dos Dados Transparência que os gastos de Castro no Programa de Prevenção a Resposta a Desastres foi de apenas 47% do valor previsto. É um desastre que poderia ser prevenido se não fosse o descaso desse sistema e governos. É por isso que somente os trabalhadores, que tudo produzem nessa sociedade, são os únicos que se aliados com os setores mais oprimidos e com a juventude que podem dar uma resposta para crise e evitar que outras tragédias como essa aconteçam, pois somos os únicos verdadeiramente interessados com as vidas, o meio ambiente e não os lucros.

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É urgente uma reforma urbana radical junto de um plano de obras públicas sob controle dos trabalhadores para resolver a situação crítica de Petrópolis. Isso só pode ser conquistado com nossa mobilização e organização em cada local de trabalho e estudo, batalhando por um programa da nossa classe que se enfrente diretamente com os lucros dos capitalistas. Começando pela expropriação dos imóveis desocupados, que só servem à especulação imobiliária, assim como dos hóteis vazios e a Companhia Imobiliária de Petrópolis, destinando-os imediatamente para moradia dos desabrigados.

E para garantir moradia aos que hoje se encontram endividados por conta dos altíssimos aluguéis, defendemos uma lei de anistia aos inquilinos e o controle dos preços dos aluguéis. Assim como, a garantia do estabelecimento de serviços públicos para atender as necessidades da população como hospitais, restaurantes comunitários, creches, escolas, estabelecimento de serviços de eletricidade, água e esgoto, gás encanado, etc. Um plano de obras públicas também garantiria a criação dos mesmos, e a prevenção contra as enchentes para acabar com a tragédia anunciada de cada ano na época das chuvas.

Junto disso batalhamos pela taxação das grandes fortunas e imóveis milionários, e no caso de Petrópolis, o fim do laudêmio, a “taxa do príncipe” - absurdo imposto imobiliário pago pela população para a garantia das mordomias da “família real” até os dias de hoje - e a reconversão de todo dinheiro deve estar a serviço de gerar renda para a implementação de um plano de emergência e um planos de obras públicas sob controle dos trabalhadores para o atendimento às famílias, construção novas moradias a todos que tiveram suas casas devastadas, além de combater problemas como as enchentes, e gerar emprego em um momento recorde de desemprego no país. Isso não pode estar descolado de lutar pelo não pagamento da dívida pública ilegal, ilegítima e fraudulenta que suga nossa orçamento e riquezas nacionais para encher os bolsos dos imperialistas e da burguesia nacional com raízes na família real, enquanto morremos aos montes com tragédias, fome e desemprego.

Isso só pode ser conquistado através da nossa mobilização e organização em cada local de trabalho e de estudo. Isso é parte do programa político que defendemos e convidamos todos a debaterem conosco, pois uma reforma como essa não será realizada através de alianças com a direita neoliberal de Armínio Fraga, como propõem Marcelo Freixo e Rubens Bontempo. E nem se aliando com o reacionário Alckmin, como quer Lula e o PT, esperando passivamente as eleições com seu projeto político que visa administrar o capitalismo e, logo, suas tragédias. Não podemos aceitar! Os capitalistas destroem o meio ambiente, destruamos o capitalismo."

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