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Eleições | 10 pontos que explicam o crescimento da Frente de Esquerda argentina na vanguarda dos trabalhadores e da juventude

Veja os 10 pontos que fortalecem a Frente de Esquerda Unidade como alternativa independente dos trabalhadores na Argentina.

sexta-feira 5 de novembro | Edição do dia

A esquerda trotskista argentina se prepara para uma eleição histórica, e o debate sobre essa experiência se faz necessário no Brasil, mais que nunca. Isso porque, apesar das explicações mirabolantes de oportunistas que tratam de fazer diferenças artificiais entre os dois países, é na Argentina que uma esquerda de independência de classe possui influência em setores de massas (incomparavelmente maior que a do PSOL no Brasil). A Frente de Esquerda Unidade emergiu nas eleições prévias de 12S como terceira força eleitoral, reunindo em seu interior o Partido de los Trabajadores por el Socialismo (PTS, organização irmã do MRT), o Partido Obrero (PO), a Izquierda Socialista (IS) e o Movimiento Socialista de Trabajadores (MST). Em uma situação de importante crise econômica no país, as tendências de rechaço ao peronismo como expressão da experiência de massas dos primeiros anos de Alberto Fernández, não estão se expressando apenas pela direita mas também pela esquerda e é isso que mostram os resultados da FIT-U emergindo como terceira força nacional. Mais que isso: como diz o jornal La Nación, o governo está inquieto pela fuga de seus votos ao trotskismo, em particular para as figuras dirigentes do PTS na Frente de Esquerda Unidade, como Nicolás del Caño, Myriam Bregman e Alejandro Vilca.

Elencamos aqui os dez pontos:

1) Após o fracasso do governo direitista de Mauricio Macri, hoje são milhões de pessoas também desencantadas com o peronismo, na coalizão presidencial da Frente de Todos, pois disseram que vinha encher a geladeira mas continuaram o ajuste e depois que as eleições prévias (PASO) nomeou funcionários repressivos e contra os direitos das mulheres como Juan Manzur, Aníbal Fernández ou Julián Domínguez. E aparecem demagogos como Javier Milei ou José Luis Espert, que falam de "liberdade" mas só querem aprofundar o ajuste e até mesmo apresentar candidatos que defendem a ditadura. Diante deles, é necessário dar força à Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade. É ela que está sempre do lado dos trabalhadores, presente fisicamente em todas as suas lutas, utilizando as bancadas parlamentares para impulsionar a luta de classes extraparlamentar (de acordo com as diretrizes da III Internacional de Lênin e Trotski), sempre apostando na unidade da esquerda para construir uma alternativa que dê a volta à história, com a força dos trabalhadores, das mulheres e dos jovens. Não há nada parecido no Brasil, e por isso é uma grande inspiração para pensarmos em nosso país em como intervir na luta de classes, e também nas eleições, com uma política independente, anticapitalista e socialista.

2) Com os resultados das eleições prévias, a Frente de Esquerda Unidade (FIT-U), encabeçada pelo PTS, pode ganhar mais bancadas para fortalecer as lutas da classe trabalhadora, e para agitar a necessária independência de classe frente a todas as variantes patronais. Esse é um grande exemplo para a esquerda no Brasil e para toda a América Latina. Com a votação que a FIT-U obteve nas PASO, estamos muito próximos desse objetivo. Fomos a terceira força nacional com mais de um milhão de votos em todo o país e tivemos eleições históricas como a do gari indígena Alejandro Vilca em Jujuy, com mais de 23% dos votos, o que somou aos muito bons resultados e destaque de Myriam Bregman, Nicolás del Caño e candidatos da esquerda em muitas províncias. Agora vamos batalhar por bancadas para defender os interesses dos trabalhadores e da juventude. Para fazer ouvir uma voz em defesa da mulher e da diversidade. A FIT-U é quem realmente combate a extrema direita, como Myriam Bregman contra o bolsonarista Milei, ou Del Caño contra o bolsonarista Espert, que são estimulados pela demagogia da burguesia argentina.

Contra Bolsonaro, Myriam atacou, "Milei pode gritar o que queira, mas no Brasil de seu herói Bolsonaro já se aplicou a receita que defende. Já se aplicou a reforma trabalhista, eliminaram-se direitos, se prometiam 2 milhões de postos de trabalho por ano, e o que aconteceu? Cresceu o desemprego, de 12% para 14%, e outra coisa que tampouco diz Milei, ainda que grite: a inflação se duplicou".

3) A Frente de Esquerda Unidade é a única força que vai fundo com as propostas necessárias para sair da crise e é coerente com isso, apoiando todas as lutas e lutando para recuperar os sindicatos das mãos da burocracia sindical. Enquanto outros falam de reforma trabalhista, a FIT-U, diante do problema do trabalho, propõe um programa para enfrentar a crise social e econômica, propondo reduzir a jornada de trabalho para 6 horas, 5 dias por semana, distribuindo as horas de trabalho entre todas as mãos disponíveis para que todos trabalhem, com um salário que cubra pelo menos a renda mínima familiar. Só assim poderemos combater seriamente o desemprego e a insegurança no emprego, o que conseguiremos com um grande movimento de luta, tal como no passado com a jornada de trabalho de 8 horas, que hoje poderia ser reduzida, devido ao avanço da tecnologia.

4) Mês após mês a inflação atinge os bolsos de milhões de famílias trabalhadoras. O governo agora faz demagogia contra os monopólios e fala sobre controle de preços, mas a realidade é que tudo continua a aumentar e os empresários de produtos básicos obtêm lucros milionários enquanto a pobreza aumenta. Somente a FIT-U propõe um aumento salarial de emergência de 20% e depois aumentos mensais de acordo com a inflação. Para um controle popular dos preços a partir de baixo, nos locais de trabalho e nos bairros. Devemos enfrentar a chantagem e as ameaças dos patrões: declarar utilidade pública e nacionalizar as empresas que continuam a praticar preços excessivos ou começam a produzir escassez. Aumento imediato das pensões. Nenhuma família pode passar fome ou ter necessidades básicas insatisfeitas. A CGT e todas as lideranças sindicais devem sair de sua passividade cúmplice em face dos ataques.

5) A Frente de Esquerda Unidade é a única que se enfrenta contra a precarização do trabalho que agride a juventude, e mais de conjunto toda a classe trabalhadora. Tanto o peronismo quanto a direita macrista preservam a legislação neoliberal das cláusulas trabalhistas instaladas desde a década de 1990. Milei e Espert querem destruir as já escassas garantias, e impor a escravização dos trabalhadores argentinos. Dizem-se "anticasta", mas cooperam com todos os ataques às condições de vida da juventude trabalhadora que precisa pedalar o dia todo em serviços de entrega para ganhar uma miséria. Defendemos atacar os lucros dos capitalistas para acabar com a precarização do trabalho.

6) Governismo e oposição de direita têm um grande acordo: é preciso pagar o FMI Não importa que isso signifique seguir atacando os aposentados ou reduzindo o orçamento de saúde e educação. Os libertários como Milei e Espert também estão de acordo com isso. Falam contra o "gasto público", mas propõem seguir pagando bilhões de dólares em dívida pública. Só a Frente de Esquerda Unidade propõe terminar com esse roubo, não reconhecendo de maneira soberana a dívida externa e rompendo com o FMI, como parte de um programa integral que inclui outros pontos fundamentais como a nacionalização do sistema bancário, o monopólio estatal do comércio exterior ou a expropriação dos grandes latifundiários, entre outros, no caminho para um governo de trabalhadores.

7) Nessa campanha, os candidatos das forças majoritárias querem falar com a juventude. Porém, só fazem promessas vazias e falam de futuro demagogicamente. A FIT-U é a força que denuncia a extrema precarização do trabalho que sofrem 7 a cada 10 jovens da Argentina e que exige a redução da jornada de trabalho para que a juventude tenha trabalhos com direitos, mas também possa estudar e se divertir. Defesa da educação pública e gratuita, conectividade gratuita para todos os professores e alunos, fim da presença da igreja na educação, fim da Lei de Educação Superior, por uma educação nacional única, estatal, gratuita e laica são outras bandeiras da juventude defendidas, bem como a legalização da maconha.

8) Os partidos dos poderosos fazem demagogia com os direitos das mulheres e as demandas da Comunidade LGBTI, no entanto, todos aceitam que o Estado siga bancando a reacionária Igreja Católica ou subsidiando outras igrejas, que se opõem a direitos básicos, como por exemplo o do aborto Só a Frente de Esquerda Unidade propõe acabar com essa situação: Igreja e Estado, assunto separado. Basta de feminicídios, trans/travesticídios e outros crimes de ódio. Ni una menos. Pelos direitos das mulheres trabalhadores. Ao mesmo trabalho, o mesmo salário. Implementação de uma Educação Sexual Integral (ESI) laica, científica e com perspectiva de gênero. Contra toda forma de opressão sexual.

9) A cada ano se faz mais evidente a crise habitacional que atinge milhões. As famílias pobres vivem amontoadas, ou se veem empurradas a darem duras lutas por terra para ter onde morar, em que muitas vezes há repressão, como foi em Guernica. A Frente de Esquerda Unidade levanta que é urgente um plano de obras públicas que, controlado pelos trabalhadores, garanta moradia para esses setores atingidos. Por impostos progressivos em cima das moradias ociosas dos especuladores imobiliários.

10) Junto aos grandes empresários, os partidos patronais destroem o meio-ambiente e são os que engavetaram a lei de zonas úmidas. São responsáveis pela mineração contaminante, o agronegócio, a destruição dos bosques nativos e o dano à fauna tanto na terra quanto no mar. Por isso é preciso enfrentá-los. A esquerda apoia e participa ativamente das lutas em defesa do meio-ambiente, questionando a irracionalidade do sistema capitalista, que, junto da destruição da natureza, destrói as condições de vida da humanidade.




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