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Intervenções nas Universidades | 1 ano de intervenção bolsonarista na UFRGS: É necessário reerguer o movimento estudantil

Hoje, dia 16, completou-se um ano da intervenção de Bolsonaro na UFRGS, com a escolha da chapa de André Carlos Bulhões para a reitoria da universidade, mesmo sendo a chapa menos votada, numa consulta universitária já antidemocrática.

quinta-feira 16 de setembro | Edição do dia

Nós da Juventude Faísca viemos colocando, desde nossos cursos e centros acadêmicos, a necessidade de derrotar a intervenção através da mobilização estudantil, reforçando o papel que o DCE e demais entidades deveriam cumprir para organizar os estudantes, numa perspectiva de aliança com os trabalhadores de dentro e fora da universidade, confiando apenas em nossas forças para barrar a intervenção e colocar os rumos da UFRGS nas mãos da comunidade acadêmica.

A intervenção na UFRGS, sendo parte de dezenas de universidades que sofreram intervenção Bolsonarista em 2020, expressa o nível de reacionarismo e autoritarismo do regime no Brasil, em que os interventores são a correia de transmissão da política bolsonarista para uma educação à serviço dos capitalistas. Parte dessa política vimos na expulsão de quase 200 cotistas pela reitoria de Bulhões. Esse ataque se insere no contexto de uma pandemia que só escancarou o caráter capitalista e privatista do governo, que ceifou quase 600 mil vidas. O absurdo só aumenta nesse cenário em que, apesar da crise política entre Bolsonaro, STF, governadores e Congresso, todos estiveram e estão juntos aplicando duros ataques à juventude, como a “minirreforma trabalhista”, que precariza a vida dos jovens jogando-os na informalidade, e privatizando estatais como os Correios, a CEDAE, a CEEE, a CORSAN, além de flexibilizar as leis trabalhistas e jogar milhões de pessoas no desemprego e na fome.

http://www.esquerdadiario.com.br/Mais-de-2000-pessoas-apoiam-a-matricula-integral-dos-195-cotistas-da-UFRGS

A UFRGS vem perdendo áreas para o setor privado há anos. O antigo reitor, Rui Opperman, foi parte importante desse processo. Governou a UFRGS lado a lado com empresas como Tramontina, Gerdau, Monsanto e, inclusive, em cooperação com o governo do genocida Estado de Israel. Ser contra a intervenção passa longe de defender o Rui e sua burocracia do Consun, que impuseram também ataques e indeferimentos aos cotistas, além de ataques aos trabalhadores, efetivos e terceirizados.

Nesse sentido, as intervenções nas universidades e institutos federais aprofundam a política o projeto de universidade desse governo, que ataca nossos direitos para proteger os lucros dos ricos, cumprindo o teto de gastos que honra a fraudulenta dívida pública, a qual passa enormes quantias de dinheiro da educação e da saúde para os bolsos dos empresários. Esses cortes são sentidos por nós com a precarização do ensino e de nossas vidas, tendo nossas bolsas cortadas, com centenas de estudantes cotistas sendo expulsos da universidade para abrir caminho a um ensino superior cada vez mais elitizado e à serviço do mercado.

Embora a escolha de um dos indicados na lista tríplice seja "legal", ela é ilegítima. Bolsonaro se vale de um mecanismo criado pelos militares da ditadura para vincular as universidades ao regime. Com a reforma universitária de 69 os militares impuseram que o destino das universidades estivesse em suas mãos. Ou seja, a orientação das universidades passou a poder ser alterada por meio de intervenções nas reitorias, de acordo com os interesses do regime.

Desde antes da consulta universitária para escolha de reitor, nós da Faísca levantamos a necessidade de que o movimento estudantil, aliado aos trabalhadores, organize suas forças para barrar os ataques do governo. Colocamos desde nossos cursos e centros acadêmicos em que estamos, como o CADI, a necessidade de o DCE, maior entidade estudantil da UFRGS, reerguer e reorganizar o movimento estudantil a nível local, em torno da exigência de uma assembleia estatuinte livre e soberana, para que possamos varrer da universidade os resquícios da ditadura, que permitem, por exemplo, que o governo federal intervenha nas universidades.

Saiba mais em: Por uma Assembleia Geral da UFRGS para organaizar a luta contra a intervenção bolsonarista

O desafio colocado para o movimento estudantil é grande, sobretudo quando, além da piora nas condições de vida dos estudantes imposta pela pandemia, as próprias entidades estudantis como a UNE, dirigida pelo PT e PCdoB, atuam para apassivar e isolar os movimentos, não convocando nenhum espaço onde os estudantes possam debater em assembleias de base realmente democráticas - e não lives restritas como a une vêm fazendo - para decidir os rumos das universidades e barrar os ataques bolsonaristas. Ainda mais agora, colocam suas fichas nas campanhas eleitorais de Lula para 2022, semeando ilusões de que nossos problemas podem esperar e que serão conquistadas na institucionalidade, provando sua natureza conciliatória que arrefece a força da luta dos estudantes em detrimento de ter cadeiras para gerir esse regime podre.

Tampouco o DCE da UFRGS, dirigido pelo PSOL (Juntos, Alicerce, Resistência), PCB (UJC) e UP (Correnteza) colocam suas forças para construir um movimento estudantil combativo que fomente espaços de auto organização estudantil, convocando espaços de discussão, assembleias para que os estudantes decidam os rumos da universidade. Nós chamamos o DCE desde o início da pandemia a construir espaços de debate, com fortes convocações dos estudantes, para construírem uma assembleia geral da ufrgs com o intuito de organizar os estudantes para lutarem contra os ataques e por um novo estatuto, para enterrar de vez os resquícios da ditadura e varrer os espaços abertos aos empresários, como as cadeiras do CONSUN.

Hoje, o DCE da ufrgs encontra-se praticamente paralisado, temporariamente suspenso até voltarem as aulas presenciais, pois seguem sem mobilizar os estudantes e separam as lutas dos estudantes das lutas dos trabalhadores, tal como não mobilizaram no importante processo de greve dos rodoviários de Porto Alegre contra a privatização da Carris e contra a extinção do cargo de cobrador. Nós da Faísca estivemos desde o primeiro dia de greve ao lado dos rodoviários, chamando o DCE a mobilizar os estudantes por essa luta e chamando o DCE a apoiar o fundo de greve para esses trabalhadores contra o corte de seus pontos, chamados esses que foram ignorados pelas correntes que compõem a entidade estudantil.

No dia 13 de Agosto, o CONSUN, Conselho Universitário onde a participação dos estudantes e trabalhadores da universidade é extremamente restrita, encaminhou um pedido de destituição de Bulhões e sua vice Pranke para o MEC, o que a UP, o PCB e o PSOL trataram como uma vitória. Como, no entanto, acharemos “vitorioso” entregar um pedido de destituição para o ministro negacionista, pastor bolsonarista, e militar Milton Ribeiro? Em que mundo seria possível confiar na boa vontade de um ministro escolhido por Bolsonaro, que sucedeu Weintraub, que veio para arregaçar com a ciência e a educação pública? Cantar “vitória”, dizer “empurra que ele cai”, são pequenas amostras de como o DCE semeia desastrosas ilusões em uma ação por cima, meramente institucional, de um CONSUN altamente antidemocrático, e na benevolência de golpistas e ultrarreacionários como Milton Ribeiro. Em que isso ajuda a erguer o movimento estudantil? Tudo isso é feito para, na verdade, acobertar a paralisia do DCE frente aos estudantes, já que não depositam todas as suas energias em organizar assembleias, reuniões, assembleias gerais, espaços de auto-organização para erguer o movimento estudantil e apontar um caminho de luta real, com mobilização real dos estudantes. A representação discente deve servir para impulsionar a auto-organização e a mobilização dos estudantes, não corroborar com fantasias de que notas de repúdio e pedidos ao MEC derrotariam a intervenção. O tamanho do problema exige soluções muito mais complexas e a agitação de “vitórias” acaba sendo um desserviço. Ainda que hipoteticamente o ministro aceitasse o pedido, uma nova consulta universitária com uma nova lista tríplice, o que o PCB defende, não impediria de Bolsonaro escolher outro interventor e manteria o mesmo estatuto herdado da ditadura. Daí a importância de erguer uma ampla mobilização na universidade que tenha, como uma de suas bandeiras, uma estatuinte livre e soberana na UFRGS.

Nesse 1 ano da intervenção vemos a importância que o movimento estudantil tem e como é essencial haver um DCE que realmente organize os estudantes para lutar por seus direitos, como sujeitos da luta. Nós da Juventude Faísca atuamos por essa via, estimulando espaços de base onde os estudantes possam decidir os rumos da educação, lutando ao lado dos trabalhadores, contra os ataques desse governo e enterrando o estatuto herdado da ditadura.




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