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Lunes 16 de Septiembre de 2019
08:05 hs.

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CUT E O PT
Por trás das palavras ’vermelhas’ da CUT, se esconde a passividade e conciliação com a direita do PT
Redação

Em nota do site da CUT, a diretoria da central, reunida a 5 de julho, anuncia promoverá “Dia de assembleias para indicar uma jornada de greve geral”.

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É notável como a burocracia petrificada da CUT e da CTB, que aceitaram o golpe institucional paralisando as bases operárias enquanto nas palavras diziam-se “contra o golpe”, se encontra em dificuldades para emplacar seu falso discurso de combatividade.

Ausente das jornadas de luta pelo “Fora Temer”, e “por baixo” sendo o braço sindical da estratégia de “oposição responsável e pacífica” defendida por Lula – implementando a passividade política em cada fábrica, empresa, setor de serviço e universidade para que nada saia do controle – a CUT fez todos os esforços para debilitar, isolar e derrotar as lutas em curso e impedir que os trabalhadores expressassem com seus métodos de classe o repúdio ao golpe institucional.

Promoveu fracassos organizados nas “jornadas” do 10 de maio e 10 de junho, sem nenhuma assembléia na base que preparasse os principais batalhões da classe trabalhadora para paralisar os centros econômicos do país. Não cercou de solidariedade a luta da USP e das estaduais paulistas, nem a dos professores do RJ. Chamou uma nova paralisação para meses daqui. Não é em vão que o ridículo de dizer que a CUT “reafirma sua posição de combate sistemático ao golpe em curso” causa perplexidade e crise nas fileiras petistas e cutistas.

O anúncio do “Dia Nacional de Assembleias da Classe Trabalhadora, em todas as capitais dos estados, na segunda quinzena de agosto” atende à mesma estratégia eleitoralista de Lula. Está claro que Lula não pôde convencer Dilma da proposta de retorno provisório pelo Senado em troca de convocar um plebiscito sobre novas eleições. As reuniões incessantes de Lula com senadores de direita não traz nenhuma certeza, e são atendidas por menos membros do Congresso. Vendo este momento de “abandono nas alturas”, a idéia desses “sistemáticos combatentes” é, depois de meses de paralisia criminosa, acrescentar mais alguns meses de silêncio, e fazer coincidir com a votação definitiva do impeachment no Senado uma jornada de paralisação burocraticamente controlada com fins midiáticos.

Por trás das palavras vermelhas e supostamente "combativas" da CUT se esconde a mais completa passividade e a política conciliadora do PT de propor um "plebiscito" de antecipação das eleições para ganhar votos no senado para barrar o impeachment e fazer um pacto de governabilidade com setores da direita. Essa mesma conciliação com a direita e os empresários, que Lula chama de “oposição responsável”, está fundada na imposição da paz social nos locais de trabalho por parte da CUT e CTB, preparando as eleições de 2016 e 2018 no caso muito provável de que Dilma seja removida.

Pode-se afirmar com segurança que os petistas estão incomodados porque a cúpula de seu partido está usando o sentimento anti-golpe de amplos setores para negociar um pacto de governabilidade com setores da direita onde uma eventual derrota do impeachment no Senado dê lugar a um plebiscito de antecipação das eleições presidenciais e à renúncia de Dilma. Ou seja, frear o golpe institucional para entregar o país nas mãos de um pessoal político nem tão renovado, preservando Sarneys e Renans, mas com legitimidade nas urnas para implementar os ataques que nem Dilma nem Temer conseguiram implementar.

Em meio à crise orgânica que atravessa o país e que poderia servir de plataforma para o surgimento de um ciclo de lutas no movimento operário, a burocracia sindical petista (a CUT e a CTB) compõe um dos principais pilares de sustentação dos ataques aos direitos trabalhistas, previdenciários e orçamentários, desde uma posição não-golpista e discursivamente oposta a Temer.

Tanto é que o presidente da CUT, Vagner Freitas, havia anunciado (em nota removida do site da central) que uma “greve geral seria preparada, mas irá apenas ocorrer quando o governo interino do vice-presidente Michel Temer encaminhar para o Congresso Nacional as medidas de retirada de direitos que vêm sendo anunciadas via imprensa”. Segundo Freitas, a CUT “discutirá medidas no momento adequado”, a maneira adequada de já implementar medidas contra qualquer movimento de combate aos ajustes dos golpistas.

Esta medida burocraticamente controlada de um ato em meados de agosto não responde à necessidade de centenas de milhares de trabalhadores e jovens que repudiam o golpe institucional. Não servirá para unificar as lutas de jovens, estudantes e trabalhadores, que seguindo o exemplo da espetacular luta de resistência dos trabalhadores e jovens na França contra a reforma trabalhista possa por um freio às intenções golpistas de seguir arrochando salários e aumentando o desemprego. É o exato oposto disso: os interesses eleitorais do PT colocados acima da luta de resistência da população contra o golpe.

É impossível combater o golpista Temer e seu gabinete de ajustadores com a estratégia de conciliação com a direita lançada por Lula e o PT. Meirelles continuará atacando o orçamento público e reduzirá gastos na saúde e educação para entornar na garganta da FIESP.

É preciso impor em primeiro lugar que a CUT e a CTB cessem sua paralisia criminosa e encabece um plano de lutas contínuo com greves, piquetes e uma greve geral até derrubar o governo golpista de Temer e seus ataques contra a Previdência e a reforma trabalhista almejada por Meirelles e a CNI, que quer estender a semana de trabalho para 60 horas. A estratégia de direita que constitui a pacificação social “salpicada” com uma ou outra jornada burocrática sem organização nas bases já abriu grandes fissuras na própria base do PT, prostrada diante de sua direção que tem mais medo da luta de classes do que de ser atropelada por Temer.

É preciso impedir as demissões e a redução salarial. Toda empresa que alegue falta de verbas para manter salários e empregos deve abrir sua contabilidade para mostrar aonde foi o dinheiro que lucrou. Contra a inflação e o desemprego que aumentam a taxa de mais valia absoluta extraída pela patronal, deve-se levantar escala móvel de salários e de horas de trabalho, reduzindo a jornada sem redução salarial, ocupando todos os que estão aptos ao trabalho. As que ameacem fechar ou demitir em massa, precisam ser ocupadas e postas a produzir sob controle operário, sob responsabilidade do Estado que garanta matérias primas. Estas medidas anticapitalistas, de autodefesa dos trabalhadores, que devem ser o conteúdo de uma nova Constituinte imposta pela luta contra o regime político de 1988, exigem naturalmente um choque com o regime político dos capitalistas; por isso, foram “esquecidas” pelo PT.

A única forma de derrotar estes ataques é cercando de solidariedade as lutas em curso e, como na França, confiar nas forças do movimento operário unificado com a juventude.

 
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