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Lunes 23 de Septiembre de 2019
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As Olimpíadas dos roubos dos políticos e empresários contra o povo
Carolina Cacau
Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

A um mês do início das Olimpíadas no Rio de Janeiro os escândalos não cessam: estado falido com dívida de 200%, população sofrendo e empresários enriquecendo.

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A um mês do início das Olimpíadas no Rio de Janeiro os escândalos não cessam. Com o estado falido, acumulando uma dívida de 200%. Dívida que foi gerada pelo favorecimento por parte dos governos do PMDB de Cabral, Luiz Fernando Pezão e agora de Francisco Dornelles do PP às grandes empresas em isenções fiscais. Foram R$ 138 bilhões de reais não arrecadados dos grandes capitalistas para aumentar seus lucros, entre os anos de 2008 e 2013, o que poderia arcar com os salários de trabalhadores, gastos com Saúde e Educação, por cerca de 5 anos incluindo o décimo terceiro salário.

Como resultado dessa situação, os professores da rede estadual estão em greve há quase 4 meses e sem perspectiva de terem suas reivindicações atendidas. Os hospitais estão novamente à beira da paralisação por falta de pagamento de insumos, serviços e pessoal, com a Saúde acumulando uma dívida de R$ 750 milhões. Recebeu R$20 milhões, quando precisa de pelo menos R$ 200 milhões. A UERJ, uma das universidades mais importantes do estado, está também entrando no quarto mês de greve, com suas instalações à beira da destruição pela falta de manutenção e limpeza. Trabalhadores terceirizados são demitidos em massa, sem terem recebido salários. Como não poderia deixar de ser, a resposta que o governo busca dar é descarregar essa crise nas costas dos trabalhadores, jovens e do povo.

Nesse contexto as Olimpíadas anunciam-se já como uma nova crise. Enquanto os trabalhadores em luta não recebem nenhuma garantia de que terão seus salários pagos, e os hospitais em condições de atendê-los, o governador em exercício Dornelles prossegue com a marcha em direção às Olimpíadas, zelando pela imagem da “Cidade Maravilhosa dos mega eventos”, garantindo que as obras para os jogos serão entregues a tempo. Algo difícil de acreditar. A capital nacional dos eventos internacionais não tem mais como esconder sua verdadeira face, marcada pela repressão e pelos problemas estruturais que estão ganhando cada vez mais repercussão. Mesmo tendo custo estimado em R$ 36,7 bilhões de acordo com o declarado no início do ano passado, data da última publicação de gastos feita pelo governo, as Olimpíadas estão ajudando a escancarar aos olhos do mundo o grande roubo que os governos e empresários fazem no estado do Rio de Janeiro.

A declaração de calamidade pública que rendeu ao governo do estado um socorro emergencial de R$3 bilhões, será praticamente todo gasto com a polícia e o aparato repressivo. As obras de mobilidade urbana e saneamento, que foram vendidas como benefícios que a realização das Olimpíadas trariam para a população, estão simplesmente inacabadas, ou estão sendo terminadas às pressas. A uma semana o governo do estado afirmou que não teria condições de entregar a linha 4 do Metrô. Agora anuncia que estará pronta para o dia 1 de agosto. Em uma cidade em que já se tornou comum ver obras recém inauguradas despencarem, isso traz no mínimo insegurança. O VLT (Veículo Leve sobre Trens) que liga a rodoviária ao aeroporto, responsável por esburacar toda a cidade, tampouco tem data definida para começar a circular.

Os mares e lagos onde serão realizadas as provas aquáticas são um capítulo à parte. Foram anunciadas várias promessas de limpezas da Baía de Guanabara, e investidos milhões de reais com esse propósito. Que não apenas não se deu, como ainda foram encontradas superbactérias causadoras de doenças graves na maioria das amostras nos locais em que inclusive se realizariam provas nas Olimpíadas.

É mais do que óbvio que essas obras favoreceram mesmo foram os governos, as grandes empresas e concessionárias envolvidas. Por isso é necessário exigir imediatamente a abertura dos livros de contabilidade e registros de todas as empresas e contratos relacionados às Olimpíadas, para que os trabalhadores e suas organizações possam estabelecer comissões para apurar o que foi gasto e, evidentemente, desviado. É necessário também o não pagamento da dívida pública, para que haja financiamento da Saúde e Educação, e que se coloque em marcha uma política de impostos progressivos sobre as grandes fortunas. Os trabalhadores e a juventude não pagarão pela crise.

 
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