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Trótski em Permanência
Educação e a luta das mulheres são tema do evento Trotski em Permanência nesta manhã
Marie Castañeda
Coordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)
Alexandre Miguez

O quinto simpósio temático do evento Trótski em Permanência teve lugar na manhã desta quarta feira, às 10h. Contando com exposições de Gisele Cardoso Costa, Sergio Chaparro Arenas,Vinícius Azevedo e Sandra Maria Marinho Siqueira, temas sobre a perspectiva trotskista acerca da educação e da opressão às mulheres pautaram a discussão.

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Abrindo a mesa, falou Gisele Cardoso Costa, professora da UFMA, falando sobre A educação desigual e combinada no capitalismo dependente latino-americano. Partindo de um balanço da situação histórica e atual da educação na América Latina, Gisele definiu brevemente diferentes correntes críticas da educação latinoamericana que, diz, não chegam à raiz do problema educacional, por não levarem até as últimas consequências a crítica às condições materiais e de reprodução do Capital que fundam a educação nos contextos subdesenvolvidos. Utiliza a categoria de Desenvolvimento Desigual e Combinado para explicar a persistência de um modelo educacional que, se em forma se espelha ao modelo iluminista europeu, em conteúdo trás a marca das condições de produção e reprodução da força de trabalho em países semicoloniais, nos quais a burguesia não só é plenamente capaz de conviver com uma força de trabalho pouco qualificada, como ativamente constrói um modelo educacional voltado não para a democratização do conhecimento, mas para a qualificação mínima e, fundamentalmente, o controle social. Em se tratando deste último aspecto, define a caracterização da escola na sociedade burguesa como aparelho ideológico de Estado para caracterizá-la como instituição fundamentalmente de reprodução da dominação burguesa, em especial na América Latina.

Costa traz, assim, a hipótese de que a melhora nas condições educacionais é tarefa da classe trabalhadora, em ruptura com o capitalismo. Fala das limitações das propostas de reformas por meio de políticas públicas ou da atuação “puramente sindical” como falhando - bem como as corrente educacionais críticas não revolucionárias - em resolver o problema engendrado pela própria dinâmica capitalista na América Latina, no qual a educação está inserida, centrando sua crítica na necessidade de libertar as forças produtivas da dinâmica capitalista como necessidade para o desenvolvimento da educação.

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Em seguida, falou Sergio Chaparro Arenas, da Universidade de Rosário na Argentina, apresentando o trabalho León Trotsky y sus críticos: tecnología, ciencias y planeta
la verde socioliberal (Irvine, 2009), la ecosocialista (Tanuro, 2010, Foster,
2017) y la neoludita (Josephson, 2010)
. Chaparro apresenta estes debates frente à nova relevância que Trotski adquire no último período, já que frente ao recrudescimento da crise capitalista e os impactos do modo de produção ao meio ambiente, novas críticas surgem à Trotski neste campo, da ecologia, com os quais Chaparro chega a convergir em determinados aspectos, ao passo que evidenciou a compreensão da relação entre natureza e a humanidade trazida por Karl Marx.

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Vinícius Azevedo, estudante da UNESP, retoma o tema da educação, expondo acerca do texto de Trótski “As tarefas da Educação Comunista”. Originalmente um discurso proferido pelo revolucionário russo na Universidade Comunista Sverdlov e posteriormente publicado como texto (primeiramente no jornal Pravda, da URSS, depois resgatado por correntes trotskistas), o texto aborda diferentes aspectos dos desafios enfrentados na construção de uma educação revolucionária e comunista no contexto pós revolucionário na URSS. Trótski aborda os desafios colocados pelas condições atrasadas na Rússia no início do séc XX e a relação com o processo permanente de revolução com o surgimento do chamado “novo homem”. Igualmente, as dificuldades postas pela NEP, que trazia, por força da necessidade imposta pelo isolamento da revolução, elementos proto capitalistas de volta à sociedade pós revolucionária, criando também condições materiais que entram em contradição com a construção do “novo homem”.

Temas ligados à relação da educação comunista com a religião, o transhumanismo e a relação do Partido Revolucionário com os povos do extremo leste da Rússia também perpassam pelo texto, além de uma homenagem ao revolucionário Iákov Sverdlov e um resgate da relação entre a ciência e a teoria revolucionária, em especial dos laços entre o darwinismo e o marxismo.

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Por fim, Sandra Maria Marinho Siqueira, professora da UFBA e coordenadora do Laboratório de estudos e Pesquisas Marxistas (LEMARX) expôs acerca das Contribuições de Trotsky na luta revolucionária contra a opressão das mulheres. Siqueira definiu brevemente as questões ligadas a opressão feminina, sua fala se concentrou nos pontos gerais de opressão a mulher no capitalismo e abordou como principal determinante para a política pras mulheres dos bolcheviques a socialização do trabalho doméstico, assim como citou Alexandra Kollontai, Inessa Armand e Clara Zetkin como revolucionárias importantes e o papel que cumpriram as mulheres no 8 de março de 1917. Assim como a centralidade de diversas obras de Trotski para a luta pela emancipação das mulheres.

Sobre este debate indicamos o episódio do Podcast Feminismo e Marxismo “O feminismo em Trotski” e o livro Mulher, Estado e Revolução da historiadora estadounidense Wendy Goldman, publicado no Brasil em parceria entre a Iskra e a Boitempo.

 
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