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Miércoles 21 de Agosto de 2019
04:34 hs.

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USP
Ataques à USP impõem mobilização já!
Patricia Galvão
Trabalhadora da USP e integrante da Secretaria de Mulheres do SINTUSP
Bruno Gilga
Diretor de Base do Sindicato da USP.

Trabalhadores da USP votam paralisar dia 08 de dezembro contra a desvinculação do HU e o desmonte da USP.

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Em meados de 2014, durante a greve de trabalhadores, O SINTUSP descobriu o projeto de desmonte da USP que incluía desvinculação dos Hospitais Universitários (HU e HRAC), PIDV (Programa de Incentivo à Demissão Voluntária), enxugamento da folha de pagamento dos servidores e cortes na permanência estudantil, com pretensão de passar sua responsabilidade para o Estado.

Naquele momento, a força da mobilização contra a desvinculação do HU conseguiu adiar o golpe à saúde pública e aos trabalhadores. Agora, a reitoria se aproveita do fato de ser fim de ano letivo, férias para parte dos servidores e para os estudantes para retomar esse plano e desferir mais ataques e concretizar seu projeto de universidade.

Em declaração numa reunião com dirigentes da USP, Zago afirmou que os gastos foram controlados graças à “redução de 1.857 servidores” em sua gestão, e completou: “Mas, ainda temos muita gordura para queimar”, citando como exemplo os gastos anuais com o Hospital Universitário. Esta semana veio a tona a informação que Zago tem um projeto pronto para desvincular o HU e passa-lo para a administração do HC, se articulando com o Conselho Universitário para apoiar o projeto. Sob administração do HC, ou seja, da Fundação Faculdade de Medicina (uma OSS), novos funcionários poderiam ser contratados por um custo bem menor, com menos direitos trabalhistas e os atuais trabalhadores da USP poderiam ser demitidos. Mais, significa também a porta de entrada para convênios privados, e o fechamento das portas para a população, prejudicando a saúde e o atendimento à população.

A maior parte das demissões a que se refere Zago foram pelo PIDV. Mas cerca de 500 delas não. Agora uma chama a atenção para até onde a reitoria está disposta a ir para “enxugar”. Agora, já no fim do ano, a reitoria demitiu sem justa causa um trabalhador da SEF, José Miguel, funcionário há quase 30 anos, diabético, com as duas pernas amputadas, por não haver condições para realoca-lo. Ou seja, um trabalhador histórico da USP é descartado porque a universidade não tem condições para abrigar um deficiente físico. Isso mostra que não existe garantia de manutenção dos nossos empregos se não com a força dos trabalhadores, pois da reitoria não podemos esperar nada que não seja demissão, cortes e retaliações.

E o desmonte não para por aí. Os restaurantes universitários também são alvos da reitoria. Este ano foi fechado por tempo indeterminado o bandejão da prefeitura. É a brecha para que sua reabertura seja realizada por uma empresa terceirizada, com contratos de trabalho precarizados. Isso já acontece nos bandejões da química e agora, recentemente, no bandejão da Faculdade de Direito. Na semana passada Zago já declarou interesse que o Bom Prato substitua os atuais bandejões. Em tempo, ainda extinguiu diversos cargos dos restaurantes (cozinheiros, auxiliares de cozinha, garçons, inspetor de carnes e laticínios entre outros) deixando claro a não intensão de contratar mais funcionários avançando para a extinção do próprio restaurante universitário tal como ele existe hoje.

Além disso, o ano termina sem processo seletivo para matrículas nas creches da USP. Trabalhadores e estudantes, mulheres majoritariamente, são os grandes afetados com isso, além da própria pesquisa em educação infantil (as creches da USP são o maior centro de pesquisa em educação infantil da América Latina), e das crianças. Zago argumenta que o custo das creches é de 24 milhões, enquanto o auxílio creche que atende muito mais crianças custa quase o mesmo tanto. Nessa matemática, o conhecimento produzido ali não vale nada, estudantes ficam sem creches e o auxílio de pouco mais de R$ 600,00 pago aos trabalhadores não cobre nem metade do custo de uma creche sem a mesma qualidade das já reconhecidas creches da USP. E se a intenção é reduzir a folha de pagamento, é fácil ver que o que querem é demitir os funcionários.

Enxugar os gastos é o grande mote de Zago. Porém, Ao mesmo tempo que sua faca corta na carne de trabalhadores sua lâmina está cega quando se trata dos privilégios da burocracia acadêmica. O reitor já defendeu publicamente que o aumento do teto salarial representaria um aumento de menos de 1% no orçamento das universidades. Ora, o orçamento das creches é menos de 0,5% da verba total. O que podemos depreender é que para aumentar o próprio salário e de seus aliados Zago quer fechar as creches e deixar centenas de crianças, sem educação. Isso pra não falar dos milhões que vão para o ralo das fundações, “regularmente” ou pelos desvios milionários como dos contratos da FUSP com a Petrobras. É a manutenção dos privilégios da casta de burocratas acadêmicos em detrimento dos trabalhadores e dos estudantes.

O reajuste que repõe a inflação de maio de 2014 a maio de 2015 foi parcelado, o que na prática significa arrocho salarial. Os benefícios dos vales alimentação e refeição permanecem congelados há três anos. Com a alta da inflação e dos custos de vida, os trabalhadores veem mais uma vez suas condições de vida em sério risco. E as diretrizes orçamentárias aprovadas pelo Conselho Universitário não incluem provisão para nenhum reajuste salarial.

O “reitor do diálogo”, como Zago se referia em sua campanha eleitoral, não apenas não dialoga com a comunidade acadêmica como impõe seus projetos na marra, especialmente com a abertura de processos, como o que pede a demissão por justa causa de Marcello Pablito e Zelito Santos, diretores do SINTUSP. É a educação pública na mira de reitorias e governos. Zago e Alckmin, que ataca a educação básica com a “reorganização escolar” e reprime com a polícia militar os estudantes, andam de mãos dadas.

Por isso a resposta dos trabalhadores e estudantes só pode ser uma, mobilização já para lutar contra os ajustes e ataques à educação pública. Hoje os trabalhadores da USP reunidos em assembleia votaram paralisação e ato no dia 08 de dezembro, dia de reunião do Conselho Universitário para barrar a desvinculação do HU e resistir aos ataques. Recorrer aos métodos de luta da classe trabalhadora e defender educação e a saúde é tarefa urgente.

Não ao desmonte da USP! Não à desvinculação do HU, ao fechamento das creches e à extinção dos bandejões!

Nenhuma demissão! Reabertura imediata das contratações, com o investimento público necessário, para manter todos os serviços da universidade, o ensino, a pesquisa, e o atendimento à população em funcionamento pleno!

Nenhuma perseguição aos lutadores! Fim dos processos!

 
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