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Miércoles 14 de Abril de 2021
04:39 hs.

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UNICAMP
Fim de gestão: relembre 10 vezes em que Knobel atacou estudantes e trabalhadores da Unicamp
Victoria Gordon

A gestão de Marcelo Knobel na reitoria está chegando ao fim e para “fechar com chave de ouro” destes quatro anos reunimos neste artigo 10 dos muitos momentos em que o reitor atacou os estudantes e trabalhadores em nome de uma universidade que serve aos interesses das grandes empresas e não da população.

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Foto: Antoninho Perri/Unicamp

A reitoria de Marcelo Knobel, eleita em 2017 através de consulta eleitoral antidemocrática, foi apoiada por setores da direita universitária e amplamente rechaçada pelo conjunto dos estudantes e trabalhadores. O reitor, aprovado pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) desde então pretendia gerenciar a crise aprofundada pelo golpe institucional de 2016 aumentando a receita da universidade através de parcerias público-privadas. No início de sua gestão, em que demagogicamente se declarava defensor da universidade pública, os estudantes tiveram de se manter aguerridos para arrancar o direito pelas cotas étnico-raciais.

Durante os quatro anos em que esteve na reitoria, Knobel se coloca enquanto o reitor democrático, que implementou as cotas, defensor da universidade pública e da ciência e tenta se diferenciar do negacionismo de Bolsonaro e dos ataques do atual governador João Doria (PSDB), no entanto gerencia a crise econômica política e social se apoiando no antidemocrático Conselho Universitário (CONSU) para descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e estudantes mais precários da universidade.

Seu tempo como reitor está chegando ao fim e para “fechar com chave de ouro” estes quatro anos reunimos neste artigo 10 dos muitos momentos em que o reitor atacou os estudantes e trabalhadores em nome de uma universidade que serve aos interesses das grandes empresas e não da população.

1) Reitoria segue punindo os estudantes pela greve de 2016

No ano de 2016 aconteceu uma das maiores greves estudantis da história da Unicamp pela implementação de cotas étnico-raciais e pela permanência daqueles que conseguem furar o filtro social do vestibular. Terminada a greve, diversos estudantes que estavam na linha de frente dessa batalha foram perseguidos e punidos por supostamente terem ferido artigos do estatuto universitário, constituído durante a ditadura militar, que versam sobre “algazarra” e “organização política”. As punições começaram com a reitoria da gestão de Tadeu, que também cortou ponto de trabalhadores em greve e agora tenta aparecer como progressista e oposição a Knobel. É visível, no entanto, como essas medidas pavimentaram o caminho para a gestão atual seguir os fios de continuidade dos ataques a estudantes e trabalhadores.

Os processos foram prorrogados diversas vezes, causando inúmeras complicações para estes estudantes que sequer tiveram direito de defesa. No final do ano de 2018, três dos estudantes foram punidos por Knobel, sendo suspensos da universidade por 30 dias. Além desses, um estudante negro foi obrigado a escolher entre a suspensão de um ano ou o trabalho na universidade sem remuneração.
Esses casos são exemplos claros de uma reitoria autoritária, que usa de seu poder para perseguir politicamente estudantes e trabalhadores que lutam por uma universidade que não se restrinja a receber os filhos da burguesia e das classes médias altas em um dos países mais negros fora da África.

2) Aumento Bandejão

Em 2017 o Reitor anunciou um aumento de 100% no valor do bandejão, passando de R$2,00 para R$4,00. Os estudantes se mobilizaram contra esse absurdo obrigando o reitor a retroceder, no entanto, durante as férias deste mesmo ano, Knobel usou mais uma vez de seu poder arbitrário e impôs o aumento da refeição passando a cobrar R$3,00.

Os estudantes e trabalhadoras são proibidos de ter acesso às contas para saber a real situação financeira da universidade, para onde vai o repasse do Estado, ao mesmo tempo em que tem que arcar com os ataques da reitoria. Enquanto isso, os super salários da universidade seguem intactos.

3) Trabalhadores da Unicamp fazem greve por reajuste salarial e melhoria nas condições de trabalho no HC

No primeiro semestre de 2018 os trabalhadores da Unicamp se organizaram e fizeram forte greve de mais de um mês. As reivindicações principais eram reajuste salarial de 12,6%, já que as universidades paulistas vinham sofrendo com anos de arrocho e o salário dos trabalhadores não tinha reajuste desde 2015; e também uma denúncia das condições de trabalho, em especial no HC, que prejudicava, inclusive o atendimento da população no hospital. A resposta de Knobel à greve foi punir os trabalhadores grevistas com corte de pontos e orientar que cada instituto usasse de seus meios para interromper a mobilização. Mais um exemplo de que Marcelo Knobel está contra os trabalhadores e estudantes e usa de sua força para punir e perseguir todas as lutas e mobilizações contra seus ataques e os ataques do governo.

4) 330 trabalhadores terceirizados da nutrição são ameaçados de demissão.

Sidney, trabalhador Cipero, que encabeçou a luta contra essas demissões é demitido por justa causa, mais uma perseguição política com conivência da reitoria de Knobel.
Em 2019, Dr. Miranda, superintendente da Funcamp, instituição da Unicamp responsável pela terceirização, anunciou a suspensão de contrato entre a universidade e a empresa que cuida da nutrição, o que levaria à demissão de 330 trabalhadoras dos restaurantes universitários.

Este fato se deu no mesmo período que a reitoria chamou uma assembleia extraordinária a partir de exigência dos estudantes, para se posicionar contra todos os ataques de Bolsonaro, Weintraub e militares à educação pública. A assembleia reuniu milhares de pessoas mas excluiu por completo a participação dos terceirizados, como se esses não fossem parte fundamental da vida na universidade. Nesta assembleia, Sidney, trabalhador terceirizado e cipeiro da nutrição fez um chamado para que os estudantes se mobilizassem contra as demissões, essa ação resultou em sua perseguição e demissão por “justa causa”. Diante desse absurdo, como é possível defender a universidade pública, combater Bolsonaro e a extrema direita ao mesmo tempo que é conivente com demissões e perseguição dos trabalhadores?

5) Aprovação no CONSU dos fundos patrimoniais

A Emenda Constitucional sancionada pelo golpista Temer que limita a verba do Estado na saúde e educação abriu portas para a efetivação de programas privatistas como por exemplo o Future-se de Bolsonaro e do ex-ministro Weintraub, que entrega para os empresários da educação privada as universidades e institutos federais no Brasil.

Os fundos patrimoniais aprovados por Knobel de forma arbitrária e antidemocrática utilizando da estrutura de poder do CONSU na Unicamp, vão na mesma linha, permitem que empresas e fundos privados, financiem atividades, pesquisas e laboratórios dentro da Unicamp. Como quem paga a banda escolhe a música, isso é dizer que as pesquisas só serão financiadas se forem lucrativas para o setor privado, do contrário não, seguindo o projeto ideológico de extrema direita de Bolsonaro, o Escola sem Partido. Significa dizer que o dinheiro público investido em infraestrutura, bolsas e pesquisas, servirá para criar patentes para o setor privado. Os estudantes responderam à esse ataque com dois dias de paralização mostrando que o projeto de universidade pública que defendemos é aquele que não aprofunda a desigualdade social, pelo contrário, atua no sentido de quebrar a barreira de classe; e serve aos interesses da população e não das empresas privados.

6) Knobel se orgulha de o ifood ter saído de dentro da Unicamp

O ifood, maior responsável pela precarização e exploração do trabalho da juventude negra, é uma das “empresas-filhas” da Unicamp. Para Knobel, isso é motivo de orgulho, no entanto é uma demonstração de que a universidade que ele defende, é essa universidade que enche o bolso de uns, enquanto outros pedalam por horas com uma bag nas costas levando comida de um canto para outro da cidade, ganhando um salário de fome, que mal dá para colocar comida na mesa de suas casas. Defendemos uma universidade para todas e todos, em que a pesquisa e toda a produção esteja voltada para a melhoria das condições de vida da população, e não para favorecer os lucros dos grandes empresários.

7) Durante a pandemia, centenas de trabalhadores terceirizados são demitidos

Em meio à pandemia e uma crise sanitária que já levou a vida de milhares de pessoas e colocou outras milhares em situação de desemprego, tendo de sobreviver com o miserável auxílio emergencial de Bolsonaro, a reitoria de Marcelo Knobel, que o tempo todo tenta se diferenciar do negacionismo do presidente, foi conivente com a demissão de centenas de terceirizados das empresas Strategic (segurança) e Alternativa (limpeza e manutenção). Estes trabalhadores, que durante os primeiros meses da pandemia não tiveram direito à quarentena e arriscaram suas vidas nos transportes públicos lotados e por vezes sem direito à EPIs por parte das empresas, hoje estão amargando o desemprego e a fome, em virtude de uma política permitida pela reitoria, que assim, como os governos e as empresas, prioriza o lucro às vidas dos trabalhadores.

8) Reitoria submete os trabalhadores da universidade à péssimas condições trabalho na pandemia, levando à morte Luci e Fábio.

Mesmo durante a pandemia, o reitor Marcelo Knobel, deixa claro que não se importa com a vida dos trabalhadores, que são submetidos a condições de trabalho precárias. Isso fica explícito nas diversas denúncias feitas pelos funcionários, principalmente no HC, de falta de EPIs, trabalhadores do grupo de risco que não foram liberados e também da não contratação de funcionários, levando a uma sobrecarga absurda daqueles que se colocaram dia após dia na linha de frente do combate à pandemia. O descaso da reitoria levou à morte de Luci e Fábio, ambos enfermeiros do HC Unicamp.

Os trabalhadores, com apoio de estudantes, fizeram uma série de mobilizações denunciando esses absurdos e exigindo melhores condições de trabalho.

9) Corte de 72 milhões em meio à pandemia

Durante a pandemia do coronavírus, a reitoria de Knobel aprovou em sessão do antidemocrático CONSU, mais um corte orçamentário da universidade, desta vez no valor de R$72 milhões. Mais uma vez são os estudantes e trabalhadores que pagam pela crise criada pelos capitalistas.

10) Knobel quer impor novo critério para concessão de bolsas SAE

Com a aprovação das cotas étnico-raciais e do vestibular indígena, conquistas arrancadas através da luta do movimento estudantil, faz-se cada vez mais necessária uma política de permanência que garanta não só a entrada desses estudantes, mas que os mesmos possam chegar a concluir o curso. Durante a pandemia, posteriormente à diversos ataques já mencionados aqui, como a aprovação dos fundos patrimoniais, a pós graduação latu sensu paga, o corte de 72 milhões, etc, a reitoria preparou mais um ataque contra os estudantes mais precários. Um novo critério para concessão de bolsas, totalmente meritocrático e absurdo, que levaria, inúmeros estudantes a perderem sua bolsa e consequentemente, a chance de permanecer na universidade, assim como diversos ingressantes que não poderiam sequer iniciar o curso na universidade.

O reitor foi surpreendido por um forte ato que fez a reitoria recuar e adiar a votação dos critérios. Essa luta ainda não terminou, os estudantes estão organizados em GTs para barrar mais este ataque, no entanto não podemos confiar nesta reitoria, precisamos seguir mobilizados, para que a força da nossa luta imponha mais uma vez o retrocesso dessa política antidemocrática.

Esses foram alguns dos diversos momentos em que a reitoria provou seu caráter antidemocrático e privatista, que se fortalece com o regime do golpe institucional e se apoia no CONSU, órgão que delibera as principais questões da universidade passando por cima das demandas e posicionamentos dos estudantes e trabalhadores, já que esses tem apenas 20% de representação enquanto são maioria na universidade, para gerir a crise atacando estudantes e trabalhadores.

Com isso fica clara a demagogia do reitor Marcelo Knobel que tenta diferenciar sua política da levada adiante por Bolsonaro, Doria e os prefeitos, ao mesmo tempo em que impõe a canetada o EaD excludente, sem dialogar com os estudantes e professores para entender suas demandas e, assim, chegar a melhores formas de continuar os períodos letivos com qualidade e segurança durante a pandemia. Não é possível defender a universidade pública, gratuita, de qualidade e para todas e todos, atacando os trabalhadores e estudantes. Nossa batalha na universidade tem que ser para que as decisões, que dizem respeito ao futuro da juventude e da classe trabalhadora, sejam tomadas democraticamente pelos estudantes, trabalhadores e professores, e não pela reitoria e pelo CONSU, essa burocracia da universidade, que governa de acordo com seus interesses. Isso somente seria possível impondo a dissolução do Conselho Universitário com uma estatuinte livre e soberana e um governo tripartite com maioria estudantil.

Precisamos lutar por um movimento estudantil forte, que imponha a esse setor autoritário o nosso projeto para a universidade pública, disputando a universidade para que ela esteja a serviço dos filhos dos trabalhadores e das camadas mais precárias. Precisamos da unidade dos estudantes e trabalhadores para batalhar contra Bolsonaro, Mourão e o regime do golpe, que quer descarregar a crise capitalista nas costas dos trabalhadores e jovens precários de dentro e fora da universidade, fortalecendo assim projetos como o de Marcelo Knobel.

Nesse cenário, diferente do que fez a gestão da UJS (juventude do PCdoB que está na majoritária da UNE) que esteve no DCE esse ano, que publicou pela UNE um podcast com Knobel reivindicando sua gestão na pandemia se adaptando aos seus ataques ao invés de combate-los, precisamos fortalecer nossas entidades estudantis para que elas estejam à serviço das nossas lutas e de forma independente da reitoria.

 
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