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Jueves 26 de Noviembre de 2020
13:37 hs.

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BRASIL
Mais de 140 mil mortes por Covid-19: os governos não atuaram para impedir essa catástrofe
Redação

Sob o governo de Bolsonaro, o Brasil chegou à triste realidade de mais de 140 mil mortes pelo novo coronavírus e mais de 4,5 milhões de contaminados. Ocupando o segundo lugar do ranking mundial de mortes, só perdendo para os EUA de Trump, o país bateu recordes de mortes de trabalhadores e trabalhadoras da saúde. O desemprego recorde também é um fato em plena pandemia, assim como os efeitos desiguais da Covid-19 no que diz respeito à cor da pela, gênero e classe social. As consequências da pandemia poderiam ser evitadas com políticas de fato direcionadas para o combate ao vírus e garantia de condições necessárias, mas, a despeito das propagandas, não foram feitas nem pelo governo de extrema-direita, e nem pelos governos que se dizem “oposição” a Bolsonaro.

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Imagem: reprodução Exame

São Paulo, por exemplo, é um desses casos. Governado por João Doria (estado) e Bruno Covas (capital), ambos do PSDB, que se colocam como parte da “oposição racional” ao negacionismo de Bolsonaro, o estado viu crescer a ocupação de leitos nas UTIs da capital e a alta das mortes, inclusive com números vertiginosos em periferias como Brasilândia e Paraisópolis - que teve alta de 240% nas mortes após a reabertura.

Deste o início da pandemia não foram criadas filas únicas para os leitos de UTI, deixando com que as redes privadas mantivessem seus lucros, enquanto milhares de pessoas pobres morriam e morrem por conta da precária saúde pública.

Não bastasse isso, pela negligência de Bolsonaro e dos governadores, o Brasil teve 244 médicos falecidos por coronavírus. Um número que ultrapassa os da Itália, que teve momentos duros de colapso na saúde e muitas vidas de profissionais da saúde perdidas.

O aspecto racial da crise sanitária e econômica no marco dos 140 mil mortos oficiais por coronavírus, sem contar a imensa subnotificação, é muito profundo. Não só por casos como Paraisópolis. Em junho deste ano, momento de crescimento mais vertiginoso da curva da pandemia no país, o Brasil atingiu o absurdo número de 1 negro morto por Covid-19 a cada 8 minutos. Bolsonaro e os governadores desde sempre tentaram esconder que os negros e negras são os que mais morreram pelo vírus no país.

Dados - também de junho - mostram que, naquele momento, 61% dos mortos eram negros ou pardos, e que 55% dos contaminados também. Por conta das políticas de Bolsonaro e dos governadores, ser da periferia, ser trabalhador e ser negro, significou e ainda significa ter mais chance de se contaminar e de morrer pelo vírus.

Dados correlatos a questão racial, sobre desemprego e sobre a fome no Brasil também apontam as consequências de classe. Segundo o IBGE, entre 2017 e 2018, o Brasil chegou a 3 milhões de pessoas no mapa da fome. Se, por um lado, o auxílio emergencial de R$ 600 possui abrangência maior que o Bolsa Família e tirou algumas pessoas da fome, por outro lado, seu corte para R$ 300 e a diminuição de sua extensão de beneficiados com certeza fará retroceder boa parte dos seus próprios resultados.

Isso no marco de altas profundas no desemprego do país, com a corrosão de rendas, fruto tanto do mercado paralisado pelo vírus, quanto pela falta de políticas para impedir demissões, ou melhor, pela presença das políticas de Bolsonaro - abraçadas por seus opositores como Doria, Witzel, Flávio Dino e Fátima Bezerra - de autorizar suspensões contratuais e reduções salariais sem garantias de nenhum tipo contra as demissões, através da MP 936.

De novo usando São Paulo como exemplo, no segundo semestre o estado mais rico do país fechou com 13,6% de desempregados (dados que não incluem as pessoas que deixaram de buscar emprego e nem as que estão em empregos precários, portanto no fundo, o número é significativamente maior). Somando os desempregados, os que estão em condição de subemprego e os desalentados, o número chega a 4,6 milhões de pessoas no estado.

No Brasil, em 4 meses o desemprego subiu 27,6%, chegando a quase 13 milhões de brasileiros. No norte e no nordeste a desocupação cresceu mais que em outras regiões, com altas de 10,3% e 14,3% respectivamente.

O desemprego no coronavírus também tem rosto de mulher. São 16,2%, em comparação com 11,7% em homens. Não apenas rosto de mulher, mas de mulher negra. Entre os pretos e pardos o desemprego chega 15,4%, contra 11,5% da população branca.

Num cenário de queda do valor auxílio, e de alta no preço dos alimentos, as consequências disso são a corrosão das condições de vida, e o aumento das chances de uma parcela da população se expor ainda mais ao vírus em nome de sua sobrevivência.

O que poderia ser evitado, e como?

As consequências desastrosas da crise sanitária, com as mais de 140 mil mortes, concentradas na população trabalhadora, negra e feminina do Brasil, assim como as consequências da crise econômica, a alta do desemprego, e o crescimento da informalidade, são todas consequências que poderiam ter sido evitadas, não fosse a negligência tanto do negacionismo Bolsonarista, como de todos os que se dizem opositores. Esses, são todos aliados quando se trata de descarregar a crise nas costas da população e salvar empresários e banqueiros.

As consequências sanitárias poderiam ter sido evitadas se desde o início da pandemia fossem garantidas medidas básicas, como EPIs para os trabalhadores da saúde, que estiveram na linha de frente muitas vezes sem o mínimo, como máscaras.

Os testes massivos foram sempre uma promessa de palavras ao vento. O Brasil não chegou a testar nem 10% do total da população, e é um dos países com um dos maiores buracos de subnotificação do mundo. A testagem massiva era (e ainda é) parte de um programa básico para o mapeamento do vírus e a garantia da segurança daqueles que não tiveram nem sequer o direito ao isolamento social. Isso viria junto com a garantia da liberação de todos os trabalhadores e trabalhadoras do grupo de risco, que em muitas fábricas, call centers, e até em alguns hospitais, foram obrigados por patrões e chefias a seguirem trabalhado.

Outra medida necessária era a proibição de demissões durante a pandemia. Não a autorização de reduções salariais para salvar o bolso dos patrões com o aval do Supremo Tribunal Federal, mas proibir qualquer tipo de demissões para salvaguardar os empregos da população e garantir que suas rendas e condições de vida fossem asseguradas. Uma medida ainda muito necessária frente ao cenário da economia. E para o falso argumento de Bolsonaro, do Congresso e dos governadores de que falta dinheiro cai por terra frente ao socorro de trilhões de reais dado aos banqueiros e grandes empresários, e mesmo pelo pagamento bilionário da fraudulenta dívida pública.

Para além disso, a fila única e pública na saúde é fundamental e poderia ser garantida através do SUS, tomando os leitos do sistema privado e os colocando sob controle dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, o que é ainda extremamente necessário, afinal a saúde já vinha de uma profunda crise em todo o país antes da pandemia. É a garantia de que pobres não tenham menos chance de ser atendidos e sobreviver ao vírus apenas por não pagarem planos de saúde, enquanto um punhado de empresários da saúde lucram com as vidas e mortes da população.

 
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