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Miércoles 28 de Octubre de 2020
04:49 hs.

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Professores realizarão ato em Campinas nesta quinta-feira contra a volta às aulas
Redação

Professores da cidade de Campinas (SP) e região metropolitana realizarão manifestação contra a volta às aulas nesta quinta-feira (17). O ato será realizado às 14 horas na Diretoria de Ensino Campinas Oeste.

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Na semana passada, professores da cidade de Campinas (SP) e região metropolitana publicaram manifesto contrários ao irresponsável retorno às aulas presenciais que João Doria (PSDB), Rossieli e Jonas Donizette (PSB) querem impor em meio à pandemia.

“Nós, trabalhadores da educação da cidade de Campinas (SP) e Região Metropolitana, manifestamos por meio desse documento nossa posição contrária ao possível retorno presencial das aulas que o governador João Doria (PSDB) e o prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciaram, sem consultar a comunidade escolar, para o mês de setembro (opcional) e outubro. Enquanto não houver condições sanitárias adequadas e, portanto, seguras diante da pandemia do coronavírus somos contrários a esse retorno irresponsável. Assim como repudiamos o método de cima pra baixo de imposição de retomada da normalidade nas escolas. São os trabalhadores da educação e da saúde, os estudantes e seus familiares a partir da situação real de cada cidade e escola que devem decidir quando e como as aulas retornarão”.

Leia o manifesto e abaixo-assinado: https://forms.gle/ewPJFgatdxz9zvaD8

O negacionismo do governo Bolsonaro e dos militares somado à demagogia dos governadores e prefeitos já levaram a óbito mais de 130 mil pessoas no Brasil. A taxa de contaminação da Covid-19 segue elevada no país. O retorno às aulas em meio à pandemia sem condições seguras para tal irá colocar em risco não somente a comunidade escolar, mas toda a população diante do aumento exponencial de circulação de pessoas somado ao fato das crianças e jovens, em sua maioria, serem assintomáticos.

Doria e Rossiele dizem que estão preocupados com a educação e a vida dos jovens. Grande mentira! Desde que a pandemia foi declarada muitos dos estudantes da rede pública estiveram com o estomago ardendo de fome diante do desemprego que acometeram suas famílias. O governo não viabilizou nenhuma ação que garantisse a segurança alimentar desses estudantes. Foram os professores de cada unidade escolar que organizaram vaquinhas para enfrentar os desdobramentos da pandemia que assolou a comunidade escolar. Do ponto de vista pedagógico não garantiu para professores e estudantes equipamentos e infraestrutura necessária para que todos pudessem ter acesso ao ensino remoto. A EaD mostrou-se como farsa completa e aprofundou o abismo entre a escola pública e a escola privada. Esses são pequenos grandes exemplos da preocupação que os de cima tiveram com a comunidade escolar em meio à pandemia.

Nas escolas públicas da rede estadual faltam recursos materiais e humanos mínimos elementares para realização do cotidiano escolar. Muitas escolas não possuem funcionários (agente de organização escolar). Nos banheiros não há papel higiênico e sabonetes. São mais de duas décadas de sucateamento da educação pública no estado de São Paulo. Não à toa viralizou no início da pandemia um meme “as escolas não controlam nem piolho que dirá o coronavírus”.

Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette (PSB) assim como Doria demitiu, em meio à pandemia, trabalhadores da educação e não garantiu a segurança alimentar dos estudantes. Quer a qualquer custo o retorno às aulas, uma sinalização calara para garantir os interesses dos empresários da educação que estão pressionando os governos para o retorno.

Segue abaixo a posição das organizações que assinaram o manifesto/abaixo-assinado.

Chamamos toda comunidade escolar, a Apeoesp e outros sindicatos a comporem o ato nessa quinta-feira (17) às 14 horas na Diretoria de Ensino Campinas Oeste. É fundamental que todas as medidas de segurança: máscara, distanciamento social e álcool gel sejam respeitadas.

1. Não à reabertura das escolas durante a pandemia! Os governos estão impondo de cima pra baixo o retorno das atividades presenciais não considerando a opinião dos trabalhadores da educação, dos trabalhadores da saúde, dos estudantes e de seus familiares. São estes que devem decidir quando e como as aulas retornarão.

2. Suspensão das provas externas, atividades avaliativas e meritocráticas. Que os professores e a comunidade escolar decidam sobre a continuidade do conteúdo curricular e o seguimento do ensino regular após o retorno. Só as escolas e seus organismos democráticos de decisões podem garantir que os estudantes não percam conteúdo curricular e que os professores e estudantes não se esgotem em trabalhos extenuantes com o EAD.

3. Ensino remoto democrático, acessível e com qualidade para todos. Mas, que esse não substitua o ensino presencial. Que o governo financie equipamentos, internet e treinamento adequado aos estudantes e professores. Toda a comunicação entre escola e estudantes deve ser mantida por todos os recursos seguros, mas não podemos aceitar os discursos dos governos que fingem que o ensino formal está mantido.

4. Recontratação imediata de todos os funcionários de limpeza e merenda demitidos durante a pandemia. Quarentena remunerada para todos os trabalhadores das escolas que são grupo de risco, efetivos e terceirizados. Contratação de funcionários de limpeza e merenda para, no mínimo, o dobro do quadro anterior à pandemia. Efetivação dos trabalhadores terceirizados sem necessidade de concurso.

5. Contratação imediata de professores e garantia de salário de uma jornada básica para todos que, devido à pandemia estão sem aulas atribuídas, como o caso de muitos professores temporários e reabertura das salas de aulas fechadas. Mesmo em uma situação que não houvesse pandemia seria necessário garantir, menos de vinte alunos por sala de aula.

6. Garantia de renda básica, através de bolsas estudantis e plano emergencial de distribuição de cestas básicas, para que os estudantes e suas famílias possam se alimentar fora da escola e que o governo do Estado de São Paulo e as prefeituras garantam uma renda básica para os trabalhadores, que não têm com quem deixar seus filhos e, assim, possam fazer o isolamento em suas casa.

 
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