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Jueves 29 de Octubre de 2020
17:18 hs.

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CARESTIA
Brasil: País do arroz a R$ 40 e da criminalização da fome
Gi Maria

PM reprime população de Itapecerica da Serra que tentava carregar pedaços de carne de um caminhão tombado na última terça- feira, escancarando um retrato da miséria na qual o país entra com alta dos alimentos e Depressão Econômica. Algumas peças de carne já inúteis para a empresa, foi motivo suficiente para tratar com gás de pimenta e bomba de efeito moral a população desesperada.

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Foto: Everaldo Silva / Futura Press

O preço dos alimentos sofreu, no último período, uma alta de 28%. No caso do arroz, o pacote de 5 quilos chegou a alarmantes R$ 40, na mesma semana economistas apontam para uma Depressão Econômica que assola o país, Bolsonaro corta pela metade o auxílio emergencial. É oficial: o país abre setembro mergulhando de cabeça em níveis de miséria nunca vividos pela maior parte da população.

Na manhã desta terça-feira, dia 8, a Rodovia Régis Bittencourt vira palco de um exemplo revoltante da barbárie capitalista: PMs reprimindo a população por pedaços de carne. Durante a madrugada, um caminhão que transportava carne tombou na Rodovia, na altura de Itapecerica da Serra. Segundo a motorista, houve uma parada brusca do veículo a frente, o que a obrigou a tombar o veículo por não conseguir frear a tempo, o acidente causou trânsito na Rodovia durante toda a manhã, e também chamou atenção da população para o fato de que o veículo carregava enormes peças de carne bovina.

As cenas do saqueio feito pela população causam diversas sensações: primeiro o desespero retratado pela empreitada em agarrar algum pedaço para chamar de seu. Carne arrastada no asfalto de uma Rodovia, carne possivelmente contaminada com Coronavírus, nada disso importa quando a barriga dói de fome. Segundo, a surpresa. Em meio ao caos a população começa lentamente a se organizar em filas, improvisar a distribuição do alimento, “repartir o pão”, parece algo óbvio para aqueles que se identificam pela miséria, pela falta. Terceiro, a revolta. A PM assim que chega no local, reprime, joga gás de pimenta, joga bomba de efeito moral dentro do caminhão com pessoas dentro, inutiliza incontáveis quilos de carne, pois isso é moralmente mais correto do que deixar que saqueiem, segundo a lógica irracional capitalista.

Essa “lógica ilógica” é a mesma que opera para que os alimentos estejam tão caros. Mesmo falando de “patriotismo” e pedindo para os donos de supermercado maneirarem na margem de lucro, Bolsonaro entrega a preço de banana os produtos para exportação, devido à baixa do real, passa a ser mais lucrativo entregar de bandeja a maior parte dos nossos alimentos para fora e deixar a população sucumbir de fome. O saqueio constante e bilionário da Dívida Pública, que compromete 40% do nosso PIB anual, não só é permitido como é garantido por lei. Uma verdadeira bolsa banqueiro responsável pela profunda miséria na qual os brasileiros se encontram.

Basta lembrar de cenas que viralizaram anos atrás nas quais se queimavam toneladas de tomates para entender: é melhor jogar fora, queimar, inutilizar do que vender barato ou dar de graça. Esse é o nível a que chega a irracionalidade do sistema capitalista, esse é o motivo mais profundo pelo qual não dá mais esse sistema produtor de miséria, fome e morte.

No meio disso tudo, é preciso olhar bem para a polícia, se atentar a ela, pois a quem diga que dado os salários médios que recebem alguns policiais, eles seriam parte da mesma classe que nós. Porém são as mãos deles que jogam a bomba que contamina um caminhão inteiro de carne, são as mãos deles que batem em pessoas famintas no meio de uma Rodovia, ironicamente, durante o horário de almoço. A polícia não compartilha absolutamente nada com aqueles que sofrem os mais profundos efeitos da miséria, ao contrário, é o braço comandado pela mente burguesa, é o elemento material que põe em prática a irracionalidade capitalista, custe o que custar.

A cena que aconteceu nesse dia parece inacreditável, no entanto ela não só é real como é a síntese de como opera esse sistema. Parece uma piada de mau gosto, mas não é, a dura realidade é que enquanto vivemos as consequências mais profundas da crise sanitária e econômica, não se proíbe demissões, não se amplia os sistemas de saúde, não se aumenta - mas sim diminui - o auxílio emergencial que já era insuficiente quando começou. O esforço dos capitalistas e governantes é para que sigamos sendo nós a pagar os custos de todos esses problemas. Basta! São eles os responsáveis por cada centavo de dívida, pelo descontrole da pandemia, pela destruição do meio ambiente, então que sejam eles que paguem por ela!

 
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