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Domingo 25 de Octubre de 2020
11:16 hs.

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EDUCAÇÃO
Com imposição do EaD, estudante do Piauí precisa ir para o meio da mata para conseguir sinal de internet
Redação

Com um sucateamento da educação crescente desde os governos do PT, em meio a pandemia o Ensino a Distância é utilizado para precarizar ainda mais a qualidade de ensino

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Com o avanço da crise sanitária, escolas e universidades aderiram ao ensino a distância como forma de dar continuidade às aulas. Vale lembrar que essa medida, que precariza ainda mais a qualidade de ensino e exclui estudantes que não possuam condições subjetivas ou materiais para dar continuidade ao semestre, foi imposta de forma autoritária pelos governos, instituições de ensino e reitorias, sem debate entre a comunidade composta por pais, estudantes, professores e trabalhadores.

No Piauí, o início das aulas online impôs ainda mais dificuldades para os alunos conseguirem estudar. Um exemplo disso é o caso de José Caique, de 13 anos, estudante do 7º ano do ensino fundamental, que pedala 500 metros da sua cada até um local, no meio da mata na zona rural de Olho D’Água, onde o sinal de internet móvel é capaz de sustentar uma chamada de vídeo. Seu pai, com o intuito de ajudar Caique, construiu uma barraca de palha para que, pelo menos, o filho estivesse protegido do sol.

Situações como a de Caique se repete em muitos lugares do país, como é o caso de um estudante no Rio Grande do Sul, Allan, no qual o pai construiu uma barraca com madeira e lona em meio a uma lavoura, em Estrela Velha, para que o filho conseguisse sinal para assistir às aulas.

Com a crise financeira, muitos governos vêm aplicando ataques a área de educação, como foi o caso da aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, aprovada em meio ao golpe institucional por Michel Temer, que aprofundou os cortes que já vinham sendo implementados pelos governos do PT. Medidas como essa, como também a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, aprovada no governo de extrema direita de Bolsonaro, são soluções encontradas pelos de cima para que sejam os trabalhadores, os estudantes pobres e os setores oprimidos a pagarem pela crise.

Frente à pandemia mundial, milhões de estudantes no mundo inteiro estão sem aulas e, portanto, não podem continuar o ensino normalmente. A realidade sem poder ir à escola ou universidade se combina com a dura realidade do desemprego, miséria social e sucateamento do sistema de saúde que cobram o preço com as vidas dos trabalhadores e dos mais pobres. Sem aulas presenciais, os governos avançam com seus velhos projetos de implementar o ensino à distância, mais rentável e mais precário, que intensifica a formação da mão de obra barata também para trabalhos mais precários. Demitem professores e trabalhadores da educação, e abrem espaço para empresas privadas que tratam a educação como mercadoria.

Eles querem nos empurrar o EaD mesmo num país em que apenas 48% da população mais pobre tem acesso à internet e que mais de 31 milhões não têm nem mesmo direito à água potável e que o desemprego só aumenta. Em algumas universidades estaduais, como USP e UNICAMP um EaD remendado, sem ao menos recursos mínimos, está sendo implementado de forma autoritária pelas reitorias, mesmo com uma parcela dos estudantes, os mais pobres, negros, indígenas e estudantes mães, não tendo condições de acompanhar as aulas e sendo excluídos da continuidade do semestre, sem sequer terem sido consultados previamente. Nas universidades privadas, a sede de lucro dos tubarões de ensino vem impondo um ritmo absurdo para os estudantes e professores, além da manutenção da cobrança das mensalidades, que como mínimo deveriam ser imediatamente suspensas.

As privatizações e “parcerias” com empresas privadas além precarizar o ensino é a ferramenta do governo para aumentar os lucros dos grandes tubarões do ensino, enquanto seguimos na dura realidade da precarização do ensino sim, mas da mão-de-obra de conjunto. Esse ciclo que segue enchendo os bolsos dos empresários.

Se colocar contra o sucateamento do ensino, e que as universidades sejam usadas a serviço dos trabalhadores e do povo pobre, o que nesse momento de pandemia significa colocar os recursos científicos a serviço do combate ao coronavírus é algo que nós, do Esquerda Diário, levantamos fortemente, assim como a luta contra o sucateamento da educação básica.

 
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