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Viernes 30 de Octubre de 2020
02:24 hs.

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[PRÉ-VENDA] “A Terceira Internacional depois de Lênin – Stálin, o grande organizador de derrotas”: uma escola de estratégia
Paula Almeida

A 80 anos do assassinato de Leon Trótski, publicar este livro, mais conhecido contemporaneamente pelo seu subtítulo – Stálin, o grande organizador de derrotas – adquire importância significativa. A perseguição e o assassinato de Trótski e os partidários da Oposição de Esquerda, bem como da oposição em geral, além das vanguardas bolchevique e artística, muitos tachados genericamente de “trotskistas”, têm relação direta com esta obra.

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Imagem: Sagui

Os documentos reunidos no livro foram apresentados pela Oposição de Esquerda prévia e posteriormente ao VI Congresso de uma Internacional Comunista já burocratizada sob a direção de Stálin. Não puderam ser discutidos devido à censura da burocracia; contudo, foram bem-sucedidos em causar impacto em diversos militantes de distintos países. Desse modo, apesar de todas as perseguições, deportações e prisões que se abatiam sobre a Oposição, foi possível assentar as bases para a fundação da Oposição de Esquerda Internacional.

Trótski escreveu esses documentos no desterro em Alma-Ata, mas só pôde reunir toda a documentação quando se encontrava em exílio na Turquia. A burocracia, longe de silenciar a Oposição, também não pôde impedir Trótski de ultrapassar as fronteiras com suas críticas, tanto no que se refere à “teoria” de Stálin de “socialismo em um só país” quanto às lições dos acontecimentos principais do momento, como a greve geral inglesa de 1926 ou a Revolução Chinesa de 1925-1927, lições que lhe permitiriam, um ano depois, generalizar para todos os países sua teoria da revolução permanente. O que antecedera a isso não é de menor importância: o processo que culminaria na ascensão de Stálin foi aberto, como aponta Trótski em seus documentos, a partir do início da doença até a morte de Vladímir Lênin, bem como suas consequências mais imediatas, ou seja, aos cinco anos de luta política contra a burocratização stalinista e a tentativa de influir no movimento comunista internacional, visto que o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) contava com uma posição privilegiada na Internacional Comunista.


Manuscrito da nota de Trótski com os documentos endereçados ao VI Congresso da Internacional Comunista. Lê-se: “Ao Presidium da Komintern; cópia: Sedov; no dia 28 de junho enviei via redação do Pravda ‘para o Congresso a Crítica do Programa’, três capítulos. Hoje enviei via correio aéreo expresso 1) petição ao sexto congresso; 2) comentário à petição E agora?; 3) informe sobre a origem da lenda do trotskismo. Endereçamos os documentos a todos os delegados. Trótski.

Em livro, saiu pela primeira vez em 1930, em tradução ao francês, em tiragem diminuta de 60 exemplares, impresso por Les Éditions Rieder (Paris). Como bem explica Trótski no prefácio à edição francesa, a publicação atendia à demanda objetiva da influência que suas ideias haviam ganhado junto a alguns delegados da Internacional Comunista:

O livro como um todo viveu até agora a vida embrionária de manuscrito. Na forma da presente edição francesa é que vem à luz pela primeira vez. No entanto, e dado que meus diferentes manuscritos circularam por vias diversas na fronteira ocidental da China, bem como nos países da Europa e da América, devo declarar aqui que a presente edição francesa é a primeira e única pela qual posso assumir a responsabilidade perante os leitores.” (L. Trótski, A Terceira Internacional depois de Lênin – Stálin, o grande organizador de derrotas, ISKRA, 2020.).

Ocorre que Trótski conseguira que os documentos da Oposição de Esquerda, traduzidos para distintos idiomas, fossem de fato lidos pelos delegados do VI Congresso da Internacional Comunista – ou Komintern, já que ocorrera em Moscou de julho a setembro de 1928. Daquilo que se formará a partir daí, longe de ser história, é possível traçar um fio de continuidade até os dias atuais e, se quisermos, até esta nossa publicação.

Além de fruto de uma demanda prática e de um atestado de sua evidente influência no movimento comunista internacional – foi preciso reunir em livro e dar-lhe um acabamento final devido à sua ampla circulação –, a história da primeira publicação desses documentos em livro é também uma amostra concentrada dos métodos de rapina, da atuação de bastidores, da desonestidade e da falsificação empreendidas por Stálin e o stalinismo. Para evitar o roubo ou a adulteração por parte dos agentes incumbidos da execrável tarefa – havia em Paris um grupo de russos emigrados cooptados para este fim, para além dos assassinatos –, foi preciso não apenas depositar sua matriz na Biblioteca Nacional da França, mas também numerar de distintas maneiras as suas cópias.

O original de A Terceira Internacional depois de Lênin – Stálin, o grande organizador de derrotas foi depositado na biblioteca francesa em 20 de fevereiro de 1931, como atesta o carimbo de “depósito legal” daquela instituição (o fac-símile está disponível para consulta pública em https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k3075868d/f11.item); a partir desta matriz, foram feitas as cópias, 20 delas anotadas da letra A à T e as demais enumeradas de 1 a 40. É que, naquele momento, não apenas Trótski e os trotskistas (oposicionistas) eram alvos de perseguição, como também seus manuscritos. O revolucionário sabia que, ao fim e ao cabo, não era sua vida e a de seus camaradas que ameaçavam a camarilha que havia se encastelado nos principais órgãos dos comunistas, mas justamente a força de suas ideias.

Foi por isso que Leon Trótski, no meio da duríssima batalha que travava, na qual tanta coisa estava em jogo – como cada vez mais ficamos sabendo e como prova a situação da Rússia contemporânea –, encontrou tempo para se ocupar de seus escritos: conseguiu depositá-los na Biblioteca Houghton, da Universidade de Harvard, e tratou de publicar e traduzir seus principais textos de combate, além de manter o Boletim da Oposição (bolchevique-leninista). Certamente, ele estava preocupado em impedir que aqueles que responderam a seu debate franco com métodos de rapina tivessem êxito em apagar do mapa a traição da Revolução de Outubro. O cuidado de Trótski com seus escritos e seus manuscritos foi a forma por ele encontrada de garantir que esses fios de continuidade chegassem até nós. “Dirigir é prever”, escreve ele neste livro. Evidentemente, o revolucionário russo não pretendia que seus textos virassem acervo morto: ao depositá-los em bibliotecas, objetava dispô-los às novas gerações, como armas vivas da crítica.

Isto fica particularmente explícito no título em russo, idioma nativo do autor, no qual não se menciona o nome de Stálin, lê-se: “A III Internacional depois de Lênin — o grande organizador de derrotas” (em russo: Коммунистический Интернационал после Ленина — Великий
организатор поражений
). Ocorre, todavia, que no idioma nativo do revolucionário, o travessão (ou tiré —) indica tanto a elipse do substantivo próprio quanto a relação de causa e consequência existente entre título e subtítulo. Além disso, o adjetivo “grande” (em russo: великий/vielíki), que qualifica o sobrenome omitido e poderia, ainda, ser traduzido como “grandioso”, é o mesmo usado para intitular os tsares, como Pedro, o Grande, ou Catarina, a Grande; fato este que não apenas justifica a inclusão e a denominação do organizador de derrotas, Stálin, no título em nosso idioma, como confere um elemento de crítica e ironia fina no idioma original, a qual nossa inclusão também busca recuperar.

Com esta edição, temos, ao menos, três objetivos. Primeiro, o livro é uma escola de estratégia muito profunda a partir dos balanços das principais derrotas sofridas pelo movimento operário internacional, as quais, se tivessem terminado vitoriosas, poderiam ter mudado o destino da humanidade. Segundo, é uma luta política aberta contra as ideias stalinistas que ensaiam entrar em voga em nosso país, para que as novas gerações tenham a chance de conhecer o teor da luta que se travara no interior da III IC e do PCUS, bem como do caráter disso que hoje tentam reeditar à moda da internet. Em terceiro lugar, oferecer uma edição cuidadosa, com tratamento condizente com a preocupação que teve Leon Trótski com estes originais – e nesse último sentido esta é uma publicação inédita.

A III Internacional depois de Lênin – ou Stálin, o grande organizador de derrotas, como preferiu o léxico trotskista – não foi publicado originalmente em russo. Nesse idioma, foi sair há pouco mais de duas décadas, em 1994, em edição da Prometheus Research Library, a partir dos arquivos do Comitê Central da Liga Espartaquista dos EUA, seção da Liga da Internacional Comunista (IV Internacional), publicada com a autorização da biblioteca estadunidense onde se encontram conservados no Arquivo Leon Trótski (https://guides.library.harvard.edu/soviethistoryarchives/trotsky). Foi esta edição que confrontamos com o original em francês.

Elegemos o fac-símile da matriz publicada por Les Éditions Rieder em 1930 como base principal de nossa tradução, a cargo de Fernando Bustamante. Foi feita, ainda, a comparação com o original em russo constante da edição de 1994 anteriormente citada, que ficou sob minha responsabilidade, bem como a pesquisa e a seleção de ambos os originais. Em nosso trabalho, encontramos diferenças entre os documentos do original em russo, que se publicam com base nos manuscritos da Biblioteca Houghton (anotados com a letra T no Arquivo Leon Trótski), recorrendo sempre às versões mais atuais [1], e a edição francesa de 1930. Desse modo, a fim de oferecer ao leitor uma apreensão mais completa da maneira como o dirigente do Exército Vermelho elaborava seu pensamento teórico e político, incluímos, em nota de fim, os trechos excluídos ou reformulados para a edição francesa, bem como recorremos a um padrão gráfico distinto para destacar as inclusões feitas na tradução do russo ao francês.

A 80 anos do assassinato de Leon Trótski por Ramón Mercader, agente espanhol a serviço do stalinismo, A III Internacional depois de Lênin – Stálin, o grande organizador de derrotas inaugura a coleção Obras escolhidas de Leon Trótski, sob direção editorial de Danilo Paris e projeto gráfico de Gabriel Biro. O livro de estreia conta com prefácio à edição brasileira de Edison Urbano, diagramação de Weckson Vinicius e revisão de Natália Angyalossy.

Serviço

PRÉ-VENDA: de 21/8 a 10/10, de R$ 55,00 por R$ 33,00.

Onde: https://iskra.com.br/produto/o-organizador-de-derrotas/

Observações: ao comprar no período da pré-venda, você receberá o PDF contendo “Prefácio à edição francesa”, “Parte I – E agora? (Carta ao VI Congresso da Internacional Comunista)”, as notas de fim (comparativo com a edição em russo); e “Cronologia”; o envio do PDF será feito a partir de segunda-feira, 24 de agosto; envio do livro físico: a partir do início de outubro/2020. Esta promoção não é compatível com a promoção de 25% aos alunos do Campus Virtual do Esquerda Diário.

 
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