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Miércoles 20 de Enero de 2021
13:08 hs.

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Ideias de Esquerda entrevista Gilson Dantas sobre curso da história do trotskismo no Brasil
Redação

O Ideias de Esquerda entrevistou Gilson Dantas, militante trotskista setentista, doutor em sociologia e médico (UnB), sobre seu curso no Campus Virtual do Esquerda Diário que irá abordar a história do movimento trotskista no Brasil desde o pós-guerra. O curso terá início em 13/08.

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Pergunta: Qual a razão de ser desse curso sobre História do trotskismo no Brasil?

Resposta: Diferentes gerações temos nos ocupado de construir outra sociedade no Brasil, sem opressão, livre das mazelas e crimes sociais do capitalismo e onde a classe trabalhadora possa varrer com essa sociedade de patrões e com toda forma de opressão. O que a juventude atual tem a aprender com as velhas gerações de revolucionários? Esse é o ponto de partida do curso. O que as velhas lutas e derrotas podem trazer de ensinamentos políticos-teóricos para hoje?

P: Certo. Mas por que o trotskismo?

R: O trotskismo nasceu diretamente do interior da liderança marxista, revolucionária, da única revolução proletária consciente e triunfante. Nasceu como uma corrente que tratou de levar adiante, através de Trotski e da IV Internacional, justamente as lições estratégicas da Revolução Russa. Mas também e, ao mesmo tempo, nasceu rechaçando, pela raiz e já nas origens, aquilo que depois ficou conhecido como o “socialismo real”, isto é, o stalinismo, a usurpação política do protagonismo da classe trabalhadora e sua substituição por uma burocracia parasitária, e crescentemente restauracionista do capitalismo. Nada mais pertinente do que nos perguntarmos – e essa questão atravessa todo o curso -: qual foi o papel dessa corrente histórica e estratégica no Brasil?

P: E qual foi o papel do trotskismo? Afinal nunca ganhou peso de massas por aqui.

R: Nenhuma das correntes que ganhou peso de massas no Brasil [em especial o stalinismo do PC] se manteve de pé ou levou uma revolução ao triunfo, quando as condições de aproximavam disso. Nem o stalinismo, o neo-stalinismo, o reformismo ou o neorreformismo, no Brasil, nenhum deles se converteu em uma força material e moral capaz de triunfar sobre o capitalismo ou mesmo de apontar a estratégia para vencer. Costumam se adaptar à colaboração de classe e degenerar.

No entanto, tampouco as correntes que historicamente reivindicaram o trotskismo conseguiram ser alternativa nos grandes processos mais agudos da luta de classes, especialmente aquele que antecedeu o golpe militar de 1964, mas também o ascenso operário e popular de fins dos anos 1970 é que atravessou a década de 1980, desembocando no regime de 1988, da transição pactuada com a ditadura.
Essas correntes se afastaram (em alguns casos abertamente, em outros sem reconhecê-lo) dos princípios do marxismo revolucionário, da III Internacional de Lênin/Trótski, e da IV Internacional, para além de alguns acertos que possam ter tido em questões parciais. Nesse sentido, são correntes que vivem embaladas por aquilo que chamaríamos de deriva estratégica.

A pergunta central do curso será essa: o trotskismo no Brasil, em todas suas variantes [não existiu um só trotskismo] teve, alguma vez, política capaz de criar força material e moral na classe operária? Deixou legado nesse sentido? Como explicar por que não cresceu e, ao contrário, deixou amplo espaço para que correntes históricas sem razão alguma de existir – o stalinismo, o maoísmo – ainda vegetem e confundam um setor da juventude?

P: Então a abordagem do curso é crítica, é de balanço crítico?

R: Exatamente. Quais as lições que a corrente mais promissora da esquerda deixou para a juventude ativista e revolucionária atual? Dizemos promissora ser aquela que procura se referenciar pelo legado da Revolução Russa de Lênin e Trótski e também por ser a única que, além de anticapitalista - como outras -, defende o protagonismo da classe trabalhadora na revolução e na construção do novo Estado operário transicional.

O que mais pode ser dito, nessas palavras de apresentação ao curso?

Para qualquer um está claro que a Revolução Russa é inimitável, também para Trótski, mas para ele, a Revolução Russa traz uma lição de estratégia, um legado principista, programático e estratégico sem o qual nenhuma revolução contemporânea triunfa e se autossustenta.

Opinamos que Trótski tem razão. E que isso explica, inclusive, porque revoluções contemporâneas degeneraram. O curso pretende fazer uma viagem por essa estrada: a corrente que se conecta com o legado atual da Revolução Russa, que histórias políticas, que legado e que lições estratégicas tem para que a juventude atual não cometa os mesmos erros dos vários trotskismos e, finalmente, em nome inclusive das gerações trotskistas anteriores e da minha, a vanguarda atual possa se fundir conscientemente à classe trabalhadora e triunfe, abrindo caminho para uma série de revoluções, para o comunismo, salvando a humanidade da barbárie social e ambiental e afirmando, finalmente, o gênero humano.

Para se inscrever no Campus Virtual e no curso clique aqui.

 
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