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Jueves 29 de Octubre de 2020
17:03 hs.

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QUEDA DE 13% NO PIB
França: Diante da crise o governo oferece 100 bilhões à patronal
Revolution Permanente
França

Nessa sexta-feira, a INSEE (Instituto nacional de estatística e estudos econômicos) anunciou uma baixa de 13,2% no PIB. Uma queda histórica, um presságio da ampliação inédita da crise econômica, diante da qual Bruno Le Maire assegurou à grande patronal apoio em um plano de resgate de 100 bilhões de euros, cujos detalhes serão revelados no 25 de agosto próximo.

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Colapso histórico da economia mundial

“Desde que medimos a atividade econômica francesa trimestralmente, jamais o Instituto nacional de estatística registrou um colapso parecido”, afirma Le Parisien. Com efeito, apesar de um pouco menor do que as previsões iniciais do INSEE, que em junho mencionaram uma queda de 17%, a queda de 13,2% do PIB apontada pelo instituto essa sexta é inédita, ao menos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. E por consequência, a súbita paralisação da economia desencadeada com o confinamento acelerou tendências negativas desde já nascentes em setores industriais como o automobilístico, e levou também outros como a aeronáutica e o turismo.

Segundo o Le Monde, a Renault sofreu “a perda líquida mais importante de sua história”. A construtora automobilística que já anunciou 15.000 demissões no mundo, sendo 5.000 na França, comunicou quinta-feira um declínio de 7,3 bilhões de euros no primeiro semestre de 2020. A Airbus, por sua vez, teve um prejuízo líquido de 1,9 bilhão de euros neste semestre. A fabricante de aviões europeia que igualmente anunciou um plano de demissões similar arca com o custo de reduzir pela metade as entregas de suas aeronaves durante o período da crise sanitária. E na Air France KLM a situação é ainda mais dramática, pois o grupo anunciou quinta uma baixa de 83% de seu volume de negócios em 2020, com 2,9 bilhões de prejuízo líquido.

Mesmo os setores menos afetados pela crise registraram uma queda não negligenciável, como a alimentação (-0,5%) e serviços de mercado (-6,2%). O volume de negócios do grupo Danone diminuiu 8,3% esse trimestre, "pesando pela queda nas vendas de água engarrafada em bares e restaurantes". “Em relação aos serviços, os gastos com serviços de transporte (-45,8%) e serviços de hospedagem e alimentação (-56,9%) estão em colapso, devido às restrições administrativas implementadas para combater a pandemia", relata igualmente o INSEE.

Uma queda inédita do PIB francês que se insere em um quadro de colapso histórica da economia mundial. Agora que as exportações francesas registram uma queda muito significativa nesse trimestre (–25,5 % depois – 6,1 %) e nas importações (–17,3 % depois – 5,5 %), o Banco Mundial estima ainda uma contração de 5,2% da economia mundial, tanto que os níveis das importações mundiais podem baixar de 10% esse ano segundo Les Echos visto que “a União Europeia vai enfrentar a pior crise econômica de sua história”.

Há previsões inquietantes no momento na Espanha, que anunciou uma queda de 18,5% de seu PIB no segundo trimestre de 2020 – “a mais forte derrocada econômica na zona do euro”, segundo Les Echos – e a Alemanha registrou um recuo de 10,1% de seu PIB, “seu mais importante recuo desde o entreguerras”, segundo o Le Monde.

A Comissão Europeia que apresentou nessa quarta-feira suas previsões, espera uma queda de 7,7% para toda zona do euro. Inédita desde sua criação, como evidenciado pelo Comissário Europeu para a Economia, Paolo Genriloni. Segundo ele, a atividade econômica “quase derreteu em um terço da noite para o dia".

Plano de estímulo do governo: por trás do “crescimento verde” e das medidas “choque”, outros 100 bilhões para a grande patronal

No 14 de julho passado, Jean Castex anunciou as grandes linhas de um plano de recuperação de 100 bilhões de euros, apoiado na lei financeira de 2021. Um plano que tenta conciliar a vontade do governo de reconquistar uma parte de seu eleitorado de centro-esquerda seduzido pela EELV e decepcionado pelo macronismo, ao mesmo tempo que assegura seu total apoio às grandes empresas. Além de medidas ecológicas que custam 20 bilhões de euros, como o combate à “artificialização do solo”, o “crescimento ecológico”, os “Contratos de Desenvolvimento Ecológico”, os “Planos de ciclismo”, a regulação da publicidade, ou a renovação térmica dos edifícios, o Primeiro Ministro ainda anunciou a introdução de “refeições a 1 €” no CROUS para os bolsistas e a reavaliação de 100 € do subsídio de reentrada.

Mas por trás dessas “medidas choque” para marcar posição o governo decidiu oferecer à patronal 40 bilhões de euores destinados à indústria a partir da redução de impostos de produção, além de reduções de custo de até € 4.000 por ano para a contratação de jovens com menos de 25 anos que recebem salários de até 1,6 vezes o salário mínimo, ou 400.000 contratos precários (contratos de integração e serviços cívicos) e 200.000 treinamentos qualificados, sem promessas de contratação.
Uma verdadeira política pró-patronal assumida por Bruno Le Maire essa sexta-feira na politique CNEWS. Antes de que o colapso do PIB est “mais severo do que o previsto”, deixando de lado a catastrófica gestão da crise sanitária pelo governo, o Ministro da Economia, das Finanças e de la Relance afirmou sua intenção de “continuar a evitar as medidas radicais” para esperar “retornar em dois anos ao mesmo nível de prosperidade de antes de antes da crise”. Interrogado sobre as ajudas públicas às empresas, à l’instar des 7 bilhões de recursos públicos para Air France KLM ou dos 5 bilhões de euros garantidos pelo Estado para a Renault, Bruno Le Maire disse que só deseja condicioná-los ao chamado "pacote de estímulo verde", dando "prioridade aos veículos elétricos" na indústria automotiva ou reduzindo os voos domésticos para o setor de transporte aéreo.

Confiante na promessa de não aumentar os impostos às grandes fortunas, o ministro ao procurar um álibi ecológico indica basicamente que o governo se recusa a exigir compensações em termos de salvaguarda do emprego, salários e condições de trabalho. Isso equivale a nada mais que continuar dando presentes aos grandes empresários, como demonstrado pelo exemplo da Renault, que, ao se beneficiar de ajuda pública, anunciou ao mesmo tempo que estava cortando 15.000 empregos em todo o mundo, incluindo 5.000 na França, com fechamento de fábricas à vista, especialmente em Choisy-le-Roi.

Diante da crise e do governo, a urgência de um plano de batalha para fazerem os capitalistas pagarem

Se o governo tenta fazer a sintese entre as diferentes alas de sua maioria em um plano de recuperação baseado na continuidade do projeto neoliberal liderado por Emmanuel Macron, sua capacidade de enfrentar uma crise histórica dessa magnitude pelas medidas de estímulo permanecem difíceis de alcançar.
Isso é evidenciado pelo retrocesso de Bercy, poucas horas depois da intervenção de Bruno Le Maire na CNEWS nesta sexta-feira. De fato, após as declarações com grande alarde do Ministro de que "não somos impotentes e podemos melhorar as coisas", que anunciou "o estabelecimento de um ‘novo empréstimo garantido pelo Estado que pode representar até a 80% do volume de negócios (em vez de 25%) com uma taxa de 0,25%’” para o setor de turismo, hotelaria-restauração, Bercy dividiu um comunicado de imprensa para especificar que o limite máximo deste empréstimo garantido alcançará 80% do faturamento apenas para empresas sazonais, dos quais 80% do faturamento anual é alcançado em apenas três meses.
Somente nessa caso o governo Macron-Castex se apoiou em uma “mudança de método” atuando pelo retorno a um maior diálogo social, como o retorno de consultas sobre a reforma da previdência ou acordos com as direções sindicais (FO, CFDT e CFE-CGC na liderança) e a patronal da metalurgia (UIMM) para instalar um desemprego parcial de longo prazo. Esta medida, que prevê perdas salariais líquidas para os trabalhadores e subsídios para salvaguardar os lucros dos empresários, reforçará a chantagem pelo emprego nas empresas, uma vez que agora pode ser implementada mesmo "na ausência de contrato de estabelecimento, empresa ou grupo”.

O oposto do diálogo social no qual o governo se baseia para realizar sua ofensiva antissocial, é se basear na raiva e na determinação expressadas pelos profissionais da saúde mobilizados contra a imposição da Ségur de la Santé ao lado do Gilets Jaunes, ou as reações exemplares de funcionários que, da TUI France à Nokia via MCA Maubeuge, mobilizaram e reuniram em torno deles inúmeros apoiadores, para construir um plano de batalha real capaz de reunir raiva contra o governo. Somente assim será possível se opor aos planos do governo e dos grandes empresários, exigindo a proibição de demissões e a indexação dos salários à inflação, pois não serão os trabalhadores que pagaram pela crise.

 
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