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Miércoles 28 de Octubre de 2020
05:59 hs.

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CORONAVÍRUS
A classe trabalhadora é essencial: um programa para salvar vidas, emprego, renda e por uma saída politica independente
Redação

Há mais de quatro meses de pandemia no Brasil, é evidente que a classe trabalhadora é essencial e determinante para os serviços funcionarem. Por isso, somente a nossa classe, de forma independente, é capaz de dar uma saída para essa situação priorizando as vidas e impondo que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

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Desde o início da pandemia a classe trabalhadora mostrou como é essencial para garantir atividades que não poderiam parar, como as trabalhadoras e trabalhadores da saúde, dos transportes, da limpeza, dos supermercados, entregadores, das fábricas de itens essenciais, do abastecimento, saneamento, comunicações, em grande parte terceirizados, entre tantos outros.

Os trabalhadores colocam seus corpos na linha de frente para garantir os serviços, tendo medo de voltar para casa e contaminar suas famílias, enquanto Bolsonaro exala seu negacionismo, usando o desemprego para naturalizar o impacto da crise sanitária.

Por outro lado, os governadores, se apoiando no STF e na grande mídia, se colocaram como grandes combatentes à crise, defensores da ciência, mas ao mesmo tempo não ofereceram (e continuam sem oferecer até agora) medidas elementares, como testes massivos e leitos suficientes. Disseram "fique em casa’" para milhões de trabalhadores obrigados a sair todos os dias para ter alguma renda.

Agora há uma trégua entre eles que deixa mais visível como a preocupação de todos é conter a insatisfação e o risco de uma explosão social enquanto retiram mais direitos dos trabalhadores e implementam as reaberturas sem nenhuma medida de segurança efetiva, mesmo com mais de 80 mil mortes no país, sem contar com a subnotificação.

As mortes, que atingem proporcionalmente muito mais os trabalhadores, os mais pobres e os negros, poderiam ser evitadas se desde o início fossem oferecidos testes e uma série de medidas essenciais de prevenção, mas não foram e continuam não sendo pois os governos levam em frente um combate à pandemia em prol dos capitalistas, para preservar os lucros enquanto rifam as vidas da classe trabalhadora.

Esse cenário mostra que os trabalhadores, que são quem mantém tudo, devem estar à frente de uma resposta para essa crise para salvar nossas vidas, empregos e impondo uma saída política independente, pois os governos rifam nossas vidas em prol de seus lucros

É preciso contratação emergencial e massiva para a saúde em todo o país para garantir atendimento especialmente nos bairros mais pobres, os transportes públicos, a educação, e todos os serviços públicos que vinham sendo precarizados e que para funcionar com segurança nessa situação precisam de um grande aumento de quadro de trabalhadores. É preciso reduzir a jornada de trabalho, para dividir o trabalho disponível entre todos os trabalhadores mantendo os salários, e proibir as demissões, assim como as empresas que correm o risco de quebrar devem ser estatizadas sob controle dos trabalhadores. É fundamental a paralisação dos setores não essenciais da economia com licença remunerada paga pelos patrões, e o investimento no sistema de saúde para garantia de leitos, e centralização dos aparelhos de saúde no estado, inclusive privados, com uma fila única de leitos e controle dos trabalhadores.

Além disso, é uma necessidade de primeira ordem garantir a testagem massiva, para garantir a identificação e isolamento das pessoas contaminadas. Nos estados em que os números estão subindo essa medida é fundamental para permitir o controle da pandemia, o isolamento planejado e mais efetivo, evitar o colapso dos sistemas de saúde e o desenvolvimento de todas as consequências sofridas pela classe trabalhadora dos estados que já foram atingidos mais duramente.

A pandemia escancarou uma vez mais o absurdo da favelização no Brasil, que faz o povo negro ser o mais exposto ao vírus, sem saneamento básico, água ou espaço que permita isolamento social. A solução está na ocupação imediata das milhões de moradias vazias e dos hotéis para isolamento dos contaminados, com atendimento adequado e seguro, até que sejam curados. Em todos os lugares também é fundamental garantir EPIs e segurança para os que trabalham, e que todas as pessoas do grupo de risco tenham licença remunerada paga pelo patrão além de renda emergencial paga pelo estado para todos os desempregados.

A renda emergencial deve ser garantida para todos os desempregados, enquanto não tenham renda, e no valor de R$2mil, que era a média salarial do país no início da pandemia. O dinheiro para isso existe, mas está indo para uma dúzia de banqueiros e para pagar trilhões em juros de uma dívida pública ilegítima, por isso é preciso impor o não pagamento da dívida pública.

Para combater o desemprego é preciso um grande plano de obras públicas, que possa gerar milhões de empregos diretos e indiretos, e ao mesmo tempo atacar a falta de hospitais, moradias, escolas e infraestrutura, e problemas como a falta de água encanada e saneamento básico de 31 milhões de brasileiros.

As escolas, que já funcionavam sem condições mínimas de higiene, como água e sabão nos banheiros, não podem ser reabertas sem as medidas de segurança sanitária para atender à pressão dos patrões que não se importam com as vidas dos trabalhadores e de seus filhos, é preciso investimento para garantir todas as medidas decididas pelas próprias comunidades escolares, com comissões de professores, pais, estudantes e funcionários, e que até lá os trabalhadores com filhos pequenos também tenham licença remunerada paga pelos patrões.

Em todos os locais de trabalho é fundamental batalhar por comissões de segurança e higiene, eleitas pelos trabalhadores, e com poder para decidir sobre os procedimentos de trabalho, pois é a única forma de nossas vidas não ficarem nas mãos dos patrões que sempre vão decidir priorizando seus lucros. E também a reconversão produtiva da indústria, sob controle dos trabalhadores, para garantir os equipamentos e insumos necessários, como reagentes para testes que poderiam ser produzidos pela enorme indústria química do país ou gigantesca indústria de automóveis que poderia produzir respiradores.

A atual “trégua” entre Bolsonaro e o STF tem o objetivo de conter a revolta popular e impor ataques. Por isso, essa luta por uma saída para a crise se liga à luta por Fora Bolsonaro e Mourão, e precisa ser também contra o judiciário e contra todo o regime, batalhando por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, como desenvolvemos aqui.

Como afirmamos no editorial do MRT,

"Esse caminho só pode se desenvolver superando a estratégia do PT, com sua divisão de tarefas entre os seus governadores que implementam ataques, como a reforma da previdência, e seus dirigentes nas centrais como CUT e CTB que continuam “em quarentena” mantendo a classe trabalhadora desorganizada e fora do combate, enquanto os ajustes “passam como boiada”.

Essa saída também não virá de “frentes amplas” em aliança com nossos inimigos de classe, das quais infelizmente parte da esquerda, como o PSOL, vem participando.

A esquerda socialista não pode se limitar somente à luta pelo direito de ficar em casa para os setores em que isso é possível, precisamos nos preparar para a tendência de mais processos de luta de classes em resposta aos enormes sofrimentos que nossa classe está passando, impulsionando desde já a organização de base nos locais de trabalho, exigindo das centrais sindicais que parem de permitir a aprovação dos ataques e organizem a resistência dos trabalhadores, começando por fortalecer os setores que saem em luta, como os entregadores de aplicativo, que fizeram uma importante paralisação no dia 1/7 e agora organizam uma nova jornada no dia 25 em defesa de melhores condições de trabalho e pagamento, e os metroviários de SP, que estão em mobilização contra um ataque histórico de Doria e ainda não entraram em greve justamente por conta da política da CTB, majoritária no sindicato. São primeiros passos da batalha por uma frente única dos trabalhadores em torno de um programa como o que apresentamos aqui, que faça com que sejam os capitalistas que paguem pela crise"

 
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