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Domingo 25 de Octubre de 2020
02:18 hs.

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Perseguição a milhares de civis chilenos, porém apenas 64 agentes foram acusados de repressão
Izquierda Diario - Chile
Redação

O governo acusou 3.274 pessoas por "distúrbio" e mantém 2.500 presos políticos, enquanto, só 466 membros das forças de repressão estão sob investigação por violações dos direitos humanos. Desde a explosão social, a impunidade foi mantida em benefício das forças repressivas.

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Nos meses em que ocorreram as manifestações sociais, apenas 466 agentes de forças repressivas, como os Carabineros ou o Exército, foram denunciados pelo Ministério Público por "supostas violações" dos Direitos Humanos. Em contraste com esse número super baixo - em relação às milhares de queixas de violência, casos de tortura, estupro, assassinato, mutilação - 3.274 pessoas foram acusadas pelo governo de supostos "atos violentos".

Dos membros das forças repressivas denunciados pelo Ministério Público, os Carabineros estão em 419 dos casos; a Polícia Investigativa, em 30; 11 correspondem a membros do Exército, quatro à Marinha e dois à outras instituições.

Segundo informações da Ciper (Centro de Investigação Jornalística), apenas 64 agentes foram formalmente cobrados até hoje. Diante desse número indignante, o presidente da Associação Nacional de Promotores, Claudio Uribe, argumenta "que essas investigações são muito complexas, pois os meios de coleta de evidências são diversos". Esse argumento demonstra ainda mais a total impunidade que a lei tem com instituições repressivas no Chile.

Que outro argumento é necessário para acusar formalmente as centenas de repressores que assassinaram e torturaram a massa que se levantou nas ruas? Os 64 agentes estatais formalizados são um número ínfimo em relação ao número de crimes que foram gerados na explosão social, onde, de acordo com dados de fevereiro do Instituto Nacional de Direitos Humanos (NHRI = havia 3.765 manifestantes feridos, 445 deles por lesão ocular - 30 perderam a visão -, houveram dezenas de queixas de violência sexual, tortura e não vamos esquecer os mais de 40 assassinatos.

A impunidade, herdada da ditadura chilena, é tremenda, assassinos, violadores e torturadores permanecem livres e impunes e, quando são "acusados", recebem sentenças que são uma piada, queixas são retiradas e liberdade condicional concedidas com assinatura mensal, ou cumprem sentenças curtas em cadeias de luxo.

Enquanto para os setores mais pobres, o governo sentencia mais tempo em prisões comuns, como fazem com 2.500 presos políticos da revolta, em sua maioria, jovens, que estão privados de liberdade há meses. Os assassinos do Estado estão livres e aqueles que saíram para lutar por melhores condições de vida e contra a repressão, estão trancafiados nas prisões. Se isso não bastasse, o governo criminoso de Piñera continua avançando com sua agenda repressiva, dando mais poderes às Forças Armadas, evidenciada na aplicação da Lei de Segurança do Estado, sucedida da acusação feita contra Dauno Tótoro e muitos outros.

Basta de perseguição política! Julgamento e punição para os verdadeiros autores materiais e políticos das violações dos direitos humanos, já! Basta de impunidade.

 
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