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Domingo 25 de Octubre de 2020
11:31 hs.

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MULHERES NA PANDEMIA
Como trabalhar e cuidar dos filhos em meio a pandemia?
Tatiana Ramos Malacarne

O trabalho durante a pandemia da covid-19 significa coisas diferente para as mulheres que são mães e trabalham e para os homens. Depoimento de mães norte-americanas, mostra que com creches e escolas fechadas as mulheres que são mães e tem uma carreira profissional estão se sobrecarregando ainda mais neste período.
Virginia Dressler é mãe de gêmeos e trabalha como bibliotecária, conta que no início da pandemia seu marido saia para trabalhar fazendo entregas, enquanto ela cuidava dos gêmeos, quando ele chegava do trabalho às 18h, ela iniciava seu trabalho como bibliotecária digital e terminava por volta das 2h da manhã.

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Esse é o cenário que se apresenta para as mulheres neste momento, mesmo o depoimento das mulheres cujo os maridos vem dividindo as tarefas domiciliar, elas se sentem sobrecarregadas em ter que cumprir seus trabalhos virtuais e seus trabalhos domésticos, isso porque estão sempre buscando se superarem para poderem se manter no trabalho. Não é novidade para ninguém o quanto as mulheres tem que se esforçar para se manter empregadas, porque toda ameaça de demissão pesa primeiro para as mulheres, principalmente as que são mães.

À medida em que o comércio ameaça a reabertura as mulheres ficam ainda mais tensas e com mais responsabilidade sobre os filhos e a casa, são as que mais sofrem com a possibilidade de perder o emprego e suportar as cargas da creche e da escola fechada. Mais do que nunca essa pandemia mostra o quanto a escola é importante para classe trabalhadora de conjunto, em especial para mães trabalhadoras.

A escola sem dúvidas cumpre um papel fundamental na educação e socialização das crianças, mas é mais do que isto, para as mulheres trabalhadores é uma conquista para que possam se manter no mercado de trabalho e terem independência financeira de seus companheiros, além de poderem desenvolver uma vida que não seja unicamente ligada a educação de seus filhos. Não se trata somente de deixarem a educação dos filhos sob a responsabilidade de outrem, mas das mulheres poderem ser mães e profissionais, ser mãe e mulher, podendo compartilhar a tarefa de educar seus filhos sob a tutela de profissionais remunerados pelo Estado, esse direito deveria ser muito mais expandido para outros deveres que elas cumprem em seus lares, como lavanderias públicas e refeitórios para que este tipo de trabalho não recaísse sobre os ombros das mulheres.

Se ser mulher e mãe acarreta cumprir jornadas duplas ou triplas, ser mulher negra é ainda mais difícil. O racismo está intrinsecamente ligado e estruturado na sociedade capitalista. A maioria das mulheres negras ocupam os cargos mais precários e ganham até 60% a menos do que os homens. A luta contra o racismo que se iniciou nos EUA e se espalha pelo mundo, tem que levantar com toda força a bandeira contra o machismo que é ainda mais letal contra a mulheres negras que carregam o peso da sociedade patriarcal e racista.

As mulheres não poderão ser totalmente livres enquanto esse sistema de opressão e exploração que é o capitalismo estiver de pé. Por isso, a importância da nossa luta contra o machismo, o racismo e a lgbtfobia é também uma luta anticapitalista. No capitalismo que o patriarcado fincou suas raízes para lucrar às custas do trabalho feminino e usar a opressão de gênero junto a exploração para nos separar do conjunto da nossa classe, para naturalizar o trabalho doméstico, para diminuir nossos salários por sermos mães, por isso reivindicamos igual trabalho, igual salário entre homens e mulheres, negros e brancos. No Brasil, as mulheres compõem mais de 50% da força de trabalho, não somos uma ajuda na renda familiar, somos arrimos de família. Lutamos por relações que não nos subordinem à questões econômicas ou afetivas, por relações de amor mútuo não relacionada a subsistência das família e mantimento dos lares.

Se a pandemia traz dilemas sobre o papel que cumprem as mulheres no mercado de trabalho e que ao mesmo tempo estão presas em seus lares realizando papéis que são socialmente imposto e naturalizado pelo patriarcado como tarefas femininas, traz desafios maiores para aquelas que querem seguir suas carreiras profissionais.

Por isso, a socialização do trabalho doméstico é um tema tão urgente. Nesse marco, não somente os pais deveriam ser responsáveis pela educação dos filhos, mas o Estado deveria garantir toda estrutura para que as crianças não fiquem por inteira responsabilidade da família.

A sociedade em que vivemos exige muito das mulheres, o fato de estarem também nos postos de trabalho mais precários e com menores salários não garantem nenhuma estabilidade, pois ao serem na maioria das vezes responsáveis pela saúde dos filhos veem seus empregos ameaçados. Estão sempre em busca de se superarem frente aos homens, porque vivemos em uma sociedade machista que as mulheres mesmo ocupando o mesmo cargo e função que os homens, ganham salários inferiores. Temos que questionar mais a fundo a origem desta desigualdade que está enraizada em uma sociedade que divide o gênero e a classe, a origem da sobrecarga e do medo de perder o emprego que as mulheres têm neste momento não são por conta da pandemia e sim pelo capitalismo que lucra com a opressão e a exploração.

 
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