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Sábado 8 de Agosto de 2020
15:19 hs.

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A luta do trotskismo contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial: o caso francês
Gabriela Liszt

Neste mês, completam-se 75 anos da rendição nazista na Segunda Guerra Mundial. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para destacar as elaborações de Trótski e as pouco conhecidas discussões e intervenções do trotskismo enquanto o nazismo se expandia pela Europa, como parte da guerra interimperialista de 1939-45, nos concentrando no caso francês.

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Ilustração: Mata Cicolella
Tradução: Alexandre Miguez

Para Leon Trótski, a Segunda Guerra Mundial era uma guerra imperialista, portanto, apesar de como começou, não era uma guerra pela defesa da democracia contra o fascismo, e sim uma nova repartição do mundo em função dos interesses das distintas camarilhas do capital financeiro. Isto não excluía que a guerra imperialista melhorava ou piorava a situação de tal ou qual nação imperialista às custas de outra. Em 1937, ele previu a possível ocupação parcial da França e que, caso ocorresse na íntegra, as portas se abririam para a ocupação de toda a Europa. Trótski não tinha uma política abstencionista no caso de que se desse uma invasão nazista. Em 1938, por exemplo, coloca que caso ocorra um golpe de Estado fascista na França, e Daladier (o primeiro ministro de então) mobilize as tropas, os trabalhadores revolucionários, sempre mantendo sua independência política, lutariam junto a essas tropas [1].

França, a grande experiência

A França se converteu no centro da discussão sobre a política dos revolucionários nos países imperialistas ocupados, tendo em conta que tratava-se de um país que oprimia uma quantidade grande de colônias e cuja burguesia foi, em grande parte, colaboracionista. Com a invasão das tropas alemãs, dia 14 de junho de 1940, a França foi dividida em duas: a zona ocupada diretamente pelos nazistas e o regime de Vichy, a cargo do general francês Philippe Pétain. Os que não eram colaboracionistas, como De Gaulle, eram um pequeno grupo que, a partir de Londres, transmitiam a política da Grã-Bretanha.


Capa do panfleto A luta totskista sob o terror nazista, 1945.

O proletariado francês não havia sofrido uma grande derrota antes da guerra, e o Partido Comunista Francês (PCF) mantinha uma forte influência. Esta diminuiu bastante em 1939, durante o pacto Stalin-Hitler, mas voltou a crescer em 1941, após a invasão nazista à URSS e a “relocalização” do PCF no “antifascismo”.

Na França, existiam três grupos que se reivindicavam trotskistas no início da guerra: os Comitês pela IV Internacional (ex POI), o CCI (ex PCI) e o grupo Barta [2], que, embora pouco numerosos, contavam com quadros dirigentes e dinâmicos. Antes da ocupação, vários dirigentes trotskistas são detidos pela burguesia francesa, e inúmeros militantes (devido a sua idade) são alistados a força no exército, acabando por serem bastante desarticulados [3]. Após o assassinato de Trótski, se inicia uma discussão acerca da posição dos Comitês pela IV Internacional [4] na França, escrita por Marcel Hic e Yvan Craipeau [5]. Os autores partem de que a França tende a “converter-se em um país oprimido” e embora reconheçam o caráter reacionário da burguesia francesa (motivo pelo qual não se pode fazer frentes de libertação nacional, como nos países semicoloniais) terminam colocando o chamado a frentes únicas com esta e a pequena burguesia, por objetivos imediatos que apontem para a luta nacional [6]. Esta posição, indubitavelmente oportunistas, foi amplamente criticada e logo corrigida.

Jean Van Heijenoort [7]], em nome do Comitê Executivo da IV Internacional, afirma que não há setor da burguesia com quem se posse realizar tal frente única.

A grande burguesia francesa já conseguiu se entender com Hitler. A resistência nacional se encontra nas camadas mais pobres da população, na pequena burguesia urbana, nos camponeses, nos operários. Mas estes últimos são os que darão à luta seu caráter mais resoluto e saberão como vinculá-la à luta contra o capitalismo francês e o governo Pétain.

E retorna à consigna principal colocada por Trótski, e sua unidade com as consignas democráticas.

À "reconstrução" fascista da Europa, isto é, à miséria e à ruína perpétuas, opomos os Estados Unidos soviéticos da Europa. [...] Diante da opressão e da ditadura, os trabalhadores não abandonarão a luta pelas consignas democráticas (liberdade de imprensa, de assembleia), mas entenderão que essa luta não pode reviver a decadente democracia burguesa que gerou a opressão e a ditadura. A única democracia possível no momento na Europa é a democracia proletária e o sistema soviético: de conselhos eleitos pelos trabalhadores [8]


Trótski e Van Heijenoort no México durante as sessões da Comissão Dewey.

Começa a resistência

A resistência dos trabalhadores a esses governos começou a se desdobrar na Holanda e na Noruega em 1941, com grandes greves que foram derrotadas na ponta do fuzil. Van Heijenoort analisa as diferenças entre as ocupações alemãs da Primeira Guerra e as importantes contradições que foram abertas ao ocupante diante das massas invadidas. Reiterando que os golpes decisivos contra Hitler só podem vir dos trabalhadores, ele pede para não subestimar os problemas táticos que a ocupação coloca para os revolucionários:

Reconhecemos plenamente o direito à autodeterminação nacional e estamos prontos para defendê-lo como um direito democrático elementar. Contudo, esse reconhecimento não afeta o fato de que esse direito foi pisoteado pelos dois campos nesta guerra e não seria respeitado no caso de uma paz imperialista. O capitalismo moribundo pode satisfazer cada vez menos essa demanda democrática. Somente o socialismo pode dar às nações o pleno direito à independência e pôr fim à opressão nacional. Falar do direito da autodeterminação nacional e permanecer calado sobre os únicos meios de realizá-lo é repetir uma frase vazia, semear ilusões e enganar os trabalhadores.

Também coloca como a pequena burguesia tende a passar para o lado do imperialismo britânico, acompanhando o general De Gaulle e a realizar ações de espionagem, terrorismo ou sabotagem individual, que apesar do grande heroísmo, são métodos alheios ao proletariado, isolados da preparação da luta de massas, que terminam prejudicando-a na maioria das vezes [9].

O aumento do ódio à ocupação levou Pétain a fortalecer seus traços bonapartistas. A reanimação do movimento operário francês se expressa, entre outros, na greve da mineração no norte e em Pas-de-Calais onde trabalhadores se recusaram a trabalhar para o exército alemão e exigiram que o carvão fosse entregue à população civil. A necessidade dos alemães de mão de obra barata leva Laval a instalar os revezamentos: para cada três trabalhadores que partem para fábricas alemãs, um prisioneiro retornaria. Mas essa política fracassa. Em 22 de agosto de 1942 o responsável nazista do serviço de mão de obra, Sauckel, promulga uma ordem instituindo o recrutamento geral de mão de obra nos países ocupados, masculina e feminina, chamado Serviço de Trabalho Obrigatório (STO). Uma forte reação dos operários surpreende os nazistas e vichystas. Ocorre a primeira ocupação de fábrica desde 1937, manifestações de multiplicam, ouve-se cantar a Internacional na saída dos trens para a Alemanha. Diziam os panfletos: “os operários franceses não se deixarão deportar para a Alemanha!” e “Organizemos nossas lutas contra o recrutamento!”. Os trotskistas franceses intervieram nessas lutas. De 500.000 operários que deveriam ser deportados, partem menos da metade. Ao mesmo tempo, a partir de 1941, o grupo CCI, em especial, começou um trabalho clandestino nas fábricas, que rendeu frutos em 1942.

Em julho de 1942, o Secretariado Europeu recém formado publica as “Teses sobre a questão nacional”. Após três anos de guerra, a relação de forças começava a tornar-se mais favorável ao proletariado. A crescente resistência nacional encabeçada pela pequena burguesia abria uma oportunidade ao movimento operário de encabeçar a luta pela liberação nacional, no caminho da revolução socialista. A partir dessa perspectiva, colocam uma interessante análise dos movimentos nacionais que, nos próximos anos, se verá confirmada na realidade.

Bélgica, Holanda e Noruega e ainda mais a França, devido à sua proximidade com a frente anglo-saxônica, seu declínio econômico em relação aos fundos e bancos ingleses, o peso social de sua burguesia e a natureza imperialista de sua estrutura econômica, representam a ala direita, reacionária, do movimento nacional, onde as chances de vitória do imperialismo são sérias. Por outro lado, Checoslováquia, Polônia e Sérvia representam a ala esquerda; a relativa debilidade da burguesia nesses países, a importância da questão agrária, a proximidade da URSS, são alguns dos fatores que acentuam o caráter revolucionário do movimento nacional.

No mesmo ano, Van Heijenoort relata como os americanos desembarcaram no norte da África com o objetivo de salvaguardar o governo de Vichy, mantendo relações diplomáticas e depois convertendo o colaborador nazista, almirante Darlan, chefe das forças armadas em Vichy, em o comandante do norte da África e o "libertador" da França [10]. Essa política, que atingiu seu ponto alto em 1943 com a coexistência entre "democratas" e fascistas para reprimir as lutas dos trabalhadores e os movimentos de libertação nacional na Itália e na Grécia, era uma confirmação das previsões de Trótski sobre os métodos que os imperialismos "democráticos" empregariam para dominar os povos europeus.

A "nova ordem" nazista ou os Estados Unidos socialistas da Europa

Na área "não ocupada" pelos nazistas, o Comitê Regional (CR) elabora um documento em que as duas áreas (ocupada e desocupada) estavam representadas. Aprofunda a mudança da situação no continente após a ocupação nazista e a generalização dos grupos de resistência nacional como resposta. A unificação nazista da Europa através do método de "colaboração" provou ser um fracasso, então os nazistas impuseram sua vontade "apenas pela força". O documento retorna às definições de "unidade europeia" com base no fato de ser uma necessidade objetiva:

A unificação continental é imperativa. Essa unificação pode ser realizada de duas maneiras diferentes: na forma de uma "nova ordem" imperialista, sob a hegemonia do imperialismo vitorioso, ou na forma de transformação socialista sob a hegemonia do proletariado europeu (Estados Unidos Socialistas da Europa). A "nova ordem", tanto na forma fascista quanto na "democrática" (no caso de uma vitória anglo-saxônica), é por definição uma solução contrarrevolucionária.

Neste último caso, reafirmam que havia uma maior coerção e opressão abrindo a dinâmica até uma terceira guerra mundial, para completar a destruição e submissão total dos povos europeus. Disto, depreendem que a luta pela autodeterminação nacional não se opõe, e sim se conecta profundamente com o internacionalismo do socialismo proletário. Neste marco, reivindicam o sentimento nacional das massas, diferenciando-se do nacionalismo gaullista, “apêndice do aparato militar inglês” e representante de um partido nacional imperialista. A resistência era dirigida sobretudo pela PCF, que havia mudado violentamente sua política com a invasão de Hitler à URSS (junho de 1941). O problema da resistência nacional, a defesa da URSS e a crítica ao stalinismo estão “estreitamente relacionados”. Como conta Claudín [11] após a invasão da URSS, para o PCF, De Gaulle passa de ser “um movimento de inspiração reacionária e colonialista” a um aliado, frente ao qual some toda a crítica. De Gaulle contava com poucos seguidores, mas o PCF imediatamente constituiu com ele um bloco na “Frente Nacional de Luta pela Independência da França”. A política do PCF era nacionalista (sua consigna central era “A chacun son boche” [12] e chamava à utilização de métodos individuais e pequeno burgueses (sabotagens, atentados, etc.) favorecendo, assim, os “Aliados”. No artigo do CR de 1942, reivindica-se a resolução da Conferência contrária a essa política:

O desenvolvimento do movimento popular de hostilidade ao hitlerismo em uma direção proletária e anticapitalista é a condição necessária para a confraternização com os soldados e trabalhadores da Alemanha. O partido não esquece que, sem a colaboração dos trabalhadores e soldados alemães, nenhuma revolução seria possível na Europa. Dessa forma, a confraternização continua sendo uma de nossas tarefas essenciais. Qualquer ato que amplie o abismo entre trabalhadores alemães e europeus é diretamente contrarrevolucionário.

Também se afirma a importância de ter realizado experiências de Frente Única em nível local e regional, reuniões e publicações comuns entre stalinistas e trotskistas, tendo em mente que o PCF era o partido mais importante da classe trabalhadora.

O grupo da zona "não ocupada" manteve contato com o Secretariado Internacional, nos EUA, através dos marinheiros americanos que chegaram ao porto de Marselha. Em julho de 1942, a maioria foi presa e sentenciada à prisão [13]. A partir daí, os contatos entre os EUA e França foram perdidos.

De Nova York, Van Heijenoort se torna o principal membro do Secretariado Internacional da IV, tentando responder à situação europeia premente e aos novos problemas colocados aos revolucionários. Ele faz importantes contribuições em relação aos problemas históricos estruturais da Europa, sua relação com a questão nacional em diferentes épocas e o papel das diferentes classes, bem como a validade das caracterizações de Trótski e sua relação com a questão da libertação nacional e a revolução socialista. Entre outros conceitos, ele afirma que "a ocupação alemã na Europa trouxe um problema nacional sui generis, é o movimento de resistência dos povos nos países imperialistas esmagado por um imperialismo mais poderoso na época da agonia do capitalismo" [14]. Ele também discute aqueles que não reconhecem a natureza progressista dessa luta, refugiando-se na próxima intervenção do “segundo front” aliado:

Pode-se opor o “segundo front” a nossa consigna. É muito provável que um dia ou outro as Nações Unidas desembarquem na Europa. Nesse caso, enquanto o país é dividido por uma frente militar, a consigna da liberdade nacional perde todo o conteúdo revolucionário. Mas confundir a realidade de hoje com a possibilidade de amanhã é uma grave falta de tática revolucionária [15].

Esta intervenção logo se dará, em junho de 1944, com o desembarque na Normandia.

Van Heijenoort faz contribuições sobre o caráter de classe da resistência e critica os métodos pequeno-burgueses e stalinistas, diferenciando-os das sabotagens realizadas pelos trabalhadores e das guerrilhas nacionais que estavam começando a se desenvolver na Europa central. Ele destaca especialmente os guerrilheiros camponeses e operários na Iugoslávia que estavam lutando contra a ocupação alemã e italiana como os iniciadores das revoltas em todos os países vizinhos (Grécia, Macedônia, Romênia e Bulgária) e debate como os revolucionários deveriam intervir frente a eles, contra posições oportunistas e sectárias em relação a esses movimentos.

Parafraseando Trótski, ele responde novamente àqueles que pregavam a necessidade de uma "revolução democrática" contra o fascismo como um estágio anterior ao socialismo:

A demanda por libertação nacional e participação no atual movimento de resistência não implica em nada que devamos esperar por novas revoluções burguesas ou qualquer revolução de natureza especial que não seria nem burguesa nem proletária, mas ’nacional’, ’popular’ ou ’democrática’. [...] A Revolução Francesa de 1789 e a Revolução Russa de 1917 foram nacionais, populares e democráticas, mas a primeira consolidou o reinado da propriedade privada, enquanto a outra o terminou. Por isso, a primeira era burguesa e a segunda, proletária. No que diz respeito à próxima revolução europeia, seu caráter proletário será visível desde os primeiros passos. [...] Uma etapa ’democrática’, isto é, um retorno ao parlamentarismo burguês, é possível após o colapso do nazismo? Essa eventualidade não é excluída. Mas esse regime não será o resultado de uma revolução burguesa ou de uma revolução "democrática" sem natureza de classe; será o produto temporário e instável de uma revolução proletária que ainda não foi consumada e que ainda tem contas a resolver com a contrarrevolução burguesa [16].

O ascenso revolucionário de 43

Com a queda de Mussolini pelas mãos dos partisanos, os trotskistas veem a mudança no rumo da guerra, abrindo a possibilidade da revolução europeia. Eles lançam o "Manifesto aos trabalhadores, camponeses e soldados italianos" [17]:

A burguesia italiana, com medo da luta dos trabalhadores de Turim, Milão e Gênova, chama rapidamente pela substituição por Badoglio (ex-servo de Mussolini), que decretou a lei marcial e enviou gendarmes [guardas] contra os grevistas. A IV Internacional chama a retomar a tradição dos anos 20 com ocupações de fábricas, comitês de ação e tomar o poder. A continuidade desse movimento fez com que os americanos que desembarcaram na Sicília esperassem um ano para avançar em direção a Roma, enquanto nazistas e fascistas bombardeavam a resistência no Norte. Esse processo só pôde ser encerrado graças à entrega do PCI no Protocolo de Roma, exigindo a entrega de armas.

O principal temor dos Aliados era que o ascenso revolucionário se estendesse até a Alemanha, onde a decomposição do regime se acelerava a passos largos. Devido a isso, o Secretariado Provisório Europeu da IV Internacional publica “em auxílio ao proletariado alemão” (dezembro de 1943), enquanto os aliados bombardeavam incessantemente as principais cidades da Alemanha, matando milhares de civis, buscando abate-los e aumentar ainda mais a divisão entre os povos europeus. Na via oposta, o texto chama aos proletariados de todos os países à solidariedade moral e material com seus irmãos de classe alemães e a intensificar a luta para derrubar o regime hitlerista.

A maior experiência de confraternização neste sentido será a que os trotskistas do POI francês, sob a direção de Martin Monath e Paul Thalmann da UCI, levaram à prática na cidade de Brest, onde publicaram um periódico clandestino para o exército alemão Arbeiter und Soldat. Foram impressas 12 edições entre 1943 e 1944. Nele, chamavam aos soldados que virassem seus fuzis contra seu verdadeiro inimigo: o imperialismo alemão, e a unirem-se ao combate para enfrentar os criadores da guerra: os imperialismos de ambos os lados. Apontava à desintegração dos exércitos em uma meta comum: o poder dos conselhos de operários, camponeses e soldados [18]. Conseguiram reunir quinze soldados alemães. Porém, a perseguição fará com que muitos dos militantes franceses sejam presos e deportados para campos de concentração, onde muitos encontrariam a morte. Os soldados alemães seriam fuzilados.

Entre 1941, quando grande parte da direção do SWP norteamericano é presa por fazer oposição à guerra e 1943-44, quando são produzidas as maiores perseguições, fuzilamentos e detenções de trotskistas europeus e das colônias (como Ta Thu Thau, na Indochina, atual Vietnã), os países imperialistas, com ajuda do stalinismo põe todos os seus esforços em desviar processos revolucionários.

Segundo o falecido pesquisador trotskista Al Richardson:

O exemplo mais admirável que fala da coragem de nosso movimento é o famoso Manifesto de Buchenwald [19], dos diferentes trotskistas internacionalistas que produziram um manifesto internacionalista desde o campo de morte. Também o jornal muito famoso […] Arbeiter und Soldat. […] Um pequeno grupo na Polônia chegou a publicar uma revista durante a grande revolta do gueto de Varsóvia. [...] E, claro, há nossos camaradas que morreram nas mãos dos nazistas e fascistas com grande coragem. O trotskista grego Poliopoulos, por exemplo, salvou as vidas de vários prisioneiros judeus dos nazistas. Mais tarde, ele foi executado por oficiais italianos, pois os soldados se recusaram a matá-lo. [20]

Segundo Daniel Bensaïd:

La Vérité, órgão clandestino do PCI, reapareceu em agosto de 1940. A preocupação de combater o chauvinismo nas fileiras dos trabalhadores tomou forma na França em 1943, com a publicação de Arbeiter und Soldat [...]. Desde o início de 1944, La Vérité denunciou os planos de ’rasgar’ na Alemanha. [...] A guerra vai marcar para as organizações trotskistas uma ruptura de continuidade geracional e organizacional. Os pioneiros e fundadores desapareceram na maior parte, sob os golpes da repressão. Ou por causa de negligência e desmoralização. Às vítimas da repressão fascista ou colonial é acrescentada a lista das vítimas da repressão stalinista, entre as quais o próprio Trótski, atingido pelos assassinos no México em agosto de 1940 [21].

Como sinal de coexistência com os Aliados ocidentais, em 1943, Stalin dissolverá definitivamente a Terceira Internacional. Durante 1943-44, coincidindo com o crescente ascenso revolucionário na Itália, França e Grécia, ocorrerá a maior aniquilação dos trotskistas.

Do ponto de vista estratégico, programático e político, as bandeiras do trotskismo foram erguidas pela Quarta Internacional. Sua fundação foi totalmente justificada em 1938 por León Trótski, tanto para enfrentar a primeira onda patriótica quanto para se preparar para futuros ascensos revolucionários. Mas a dispersão à qual a guerra, o sigilo e as perseguições os forçaram, impediram que qualquer um dos grupos pudesse se desenvolver no tão esperado ascenso. Apesar disso, eles conseguiram manter vivos os fios da política revolucionária, fazendo novas tentativas, muitas delas heroicas, de se reconstruir e executar seu programa e política, elevando as bandeiras do internacionalismo proletário.

 
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