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Viernes 29 de Mayo de 2020
20:34 hs.

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CORONAVÍRUS
Assistentes sociais protestam em Brasília contra precarização e a política de Bolsonaro
Redação
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Na data 15 de maio comemora-se o dia do assistente social no Brasil e para demonstrar força, um grupo de mulheres e homens trabalhadores desse setor que faz parte da linha de frente no combate ao coronavírus realizou um ato de protesto na Praça dos Três Poderes na manhã da última sexta-feira. A convocação foi feita pelo Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural (SINDSASC-DF) e recebeu apoio e participação de outras categorias.

A organização do evento foi precisa, rápida e segura, como determinam as condições adversas em tempos de pandemia. Mas foi o suficiente para registrar a profunda indignação contra a política de devastação praticada pelo presidente Bolsonaro. Num momento de gravíssima crise social, nunca a população brasileira precisou tanto desses profissionais, ao mesmo tempo em que a categoria nunca foi tão desvalorizada. Contradição típica da absurda lógica capitalista em fase neoliberal. Na Praça dos Três Poderes, os manifestantes formaram um quadrado dando alguns metros de distância entre si, cada um segurando cartazes com diversas reinvindicações e denúncias discursadas em microfone direcionadas ao Congresso (câmara dos deputados e senado), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Executivo Federal (presidente Bolsonaro). Foi levantada uma faixa escrita “15/05 – DIA DA (DO) ASSISTENTE SOCIAL: Pelos direitos do povo”. Outra faixa maior dizia em letras garrafais: “QUANTAS PESSOAS PRECISAM MORRER PARA O CONGRESSO ACORDAR E ABRIR O IMPEATCHMENT DE BOLSONARO?”.

A assistente social Fernanda Martins, ao microfone, reivindicou a “progressividade dos impostos, à taxação das grandes fortunas, da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, em perspectiva à geração de mais empregos bem como diversas outras que prospectem a redução das desigualdades sociais que são a marca histórica da nossa vergonha”. Camila Inácio, também assistente, concluiu sua fala dizendo que “o presidente tenta romper o isolamento social, não dá condições adequadas aos trabalhadores dos serviços essenciais, minimiza a gravidade da situação em que vivemos e as vidas que perdemos nessa pandemia. Vidas de trabalhadoras e trabalhadores que estavam na linha de frente do combate à COVID-19 servindo a população, vida dos nossos familiares, amigos e vizinhos. A VIDA DEVE ESTAR ACIMA DO LUCRO! NOSSAS VIDAS IMPORTAM E NÃO NOS CALAREMOS!”.

O capitalismo tem uma intrínseca tendência à concentração e monopólio dos recursos necessários à vida. É consequência disso uma escalada de miséria e violência, fenômeno chamado pelo eufemismo de “questão social”. O assistente social é, portanto, o profissional que se prepara para intervir em tamanha sangria, na medida do possível. O mundo de hoje encontra-se numa situação em que a crise capitalista de 2008 se aprofunda em 2020 e se acumula com uma pandemia que cresce no ritmo da circulação de capital no planeta. O negacionismo cínico e descarado é a forma que Bolsonaro encontra para atravessar o tempo do coronavírus de forma a sustentar riquezas e lucros da medíocre elite brasileira. Para isso, o presidente sufoca a atuação de assistentes sociais num momento em que a regra político-econômica é claramente a de deixar morrer partes da população (idosos, pobres e trabalhadores).

Contra tamanho descaso, foi chamada a manifestação do dia 15. Membros do Comitê Esquerda Diário DF/GO estiveram no local em solidariedade à essa luta e conversou com manifestantes sobre as pautas reivindicadas. Fernanda Martins disse que “nós encontramos uma forma criativa para poder comemorar o nosso de maneira ainda mais politizada. Fizemos um pequeno manifesto composto de três partes, cada uma referente às instituições parlamento, suprema corte e palácio do planalto. Elaborei uma das partes e ressaltei a política assistencial”.

A diretora de relações e comunicação do SINDSASC-DF, Camila Inácio, denunciou as condições regionais. No Distrito Federal “A falta de equipamentos tem sido uma realidade cruel. Como são os casos de Paranoá e Itapoã... Sobradinho. Temos unidades de atendimento chamadas CREAS, que recebem emergências de violação de direitos, mulheres vítimas de violência. Tem aumentado muito os casos de dengue também. Outro exemplo é o São Sebastião, há anos as conferências de assistência social, tanto a população quanto os trabalhadores reivindicam CREAS em São Sebastião. O CREAS de Sobradinho é responsável por uma área tão extensa e a demanda é tão grande que não é possível atender a maior parte da população. Então a carência de equipamentos é um fato. A falta de servidores faz com que a população não consiga acessar equipamentos e benefícios na hora de necessidade da forma que deveria acessar”.

Sobre a ação do GDF para lidar com a pandemia e a crise sanitária, Camila afirma que “os benefícios que o Ibaneis (governador) está aplicando é irrisório. Existem famílias numerosas com crianças e idosos que não estão conseguindo acessar. Ele está querendo reabrir o comércio para setores não essenciais voltarem a trabalhar, está alinhando bastante ao Bolsonaro nesse sentido. Vai acabar expondo a população sem o os devidos equipamentos (de proteção individual). Ele não está garantindo isso nem mesmo para os trabalhadores de categorias de maior risco. Isso demonstra que ele está preocupado com os empresários, o lucro dos empresários. Vem se assemelhando com Bolsonaro até mesmo na sua administração familiar, já que agora a primeira-dama é a nova secretária. É algo que nos preocupa porque a política de assistência é um direito, mas com medidas desse tipo corre o risco de voltar ao assistencialismo voluntariado e tirar esses direitos”.

Camila destacou também algumas das urgências regionais que os servidores enfrentam atualmente: “Muitas famílias não estão conseguindo pagar seus aluguéis e tem gente sendo despejada. Muita gente desempregada enquanto outros trabalham além do normal. O que não dá é pra essa população continuar pagando por essa crise. É sempre essa população que paga. Os ricos não pagam pela crise, mas sim a população que está precisando de renda. Depois colocam culpa em setores que não são responsáveis por isso, como servidores que acabam sendo bode expiatório, enquanto estão pagando uma dívida pública enorme com nosso dinheiro. Para manter isso estão desperdiçando vidas, a vida dos trabalhadores, a vida da população mais pobres. O Brasil precisa urgentemente executar uma política de imposto progressivo e taxação de grandes fortunas”.

Outro ponto notável do protesto foi a forte irmandade de classe manifestada. Cartazes que alguns servidores seguravam incluía uma denúncia sobre a gritante desigualdade social em Brasília. Pedido de “apoio e socorro aos desempregados”, “solidariedade aos profissionais da saúde e educação”, “respeito aos profissionais de comunicação”, “abono de faltas e, caso seja necessário o pagamento de horas”, “redução de carga horária (sem redução salarial) e mais contratação de profissionais”, “defesa da renda básica e do pleno emprego”.

Essa manifestação dos assistentes sociais chega para somar forças com os atos promovidos por trabalhadores da saúde, categoria que inclusive chegou a sofrer agressões de bolsonaristas. No ato dos assistentes sociais também apoiadores do presidente que tentaram intervir, mas bloqueados por interesse policial em fingir normalidade.

O Esquerda Diário reafirma o apoio à indignação manifestada pelos trabalhadores da assistência social e da saúde, parabenizando-os pelo seu dia comemorativo, pelo trabalho de combate às crises e doenças geradas pelo capitalismo e pela coragem de lutar em um momento de tamanha repressão. Reiteramos também apoio às pautas de imposto progressivo, taxação das grandes fortunas, não pagamento da parasitária dívida pública e escala móvel de trabalho (redução da carga horária e maior contração). Também destacamos a urgência do controle operário nos hospitais e postos de saúde assim como na indústria para convertê-la na fabricação equipamentos de proteção individual e testes em escala massiva.

 
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