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Miércoles 12 de Agosto de 2020
09:56 hs.

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ATO INTERNACIONALISTA DA FRAÇÃO TROTSKISTA
Chile: “Lutamos por conquistar o que se lia nos muros do país: por uma vida que mereça ser vivida”
Zuca Falcão
Professora da rede pública de MG

Confira a fala de Lester Caldeirón, trabalhador da fábrica de explosivos para mineração Orica, membro do Sindicato 1 de Orica e militante do Partido Revolucionário de Trabalhadores (PTR), durante o ato internacional da Fração Trotskista pelo dia internacional de luta dos trabalhadores.

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A frase acima é um trecho da fala de Lester Caldeirón, trabalhador da fábrica de explosivos para mineração Orica, membro do Sindicato 1 de Orica e militante do Partido Revolucionário de Trabalhadores (PTR), durante o ato internacional da Fração Trotskista pelo dia internacional de luta dos trabalhadores. O ato ocorre simultaneamente em 14 países da América e Europa e é transmitido através das plataformas de mídia dos respectivos países, com tradução.

Desde nossas organizações propomos em cada país um programa e uma estratégia de luta para que não sejam os trabalhadores que tenham que pagar pela crise sociosanitária instalada pela COVID-19, e que adquiriu as proporções que vemos agora pelas condições que as populações já enfrentavam antes da pandemia, com a precarização do sistema de saúde e desemprego estrutural, entre outras consequências do capitalismo.

No Chile, o sistema de saúde já não era suficiente antes da pandemia. Após anos de governos neoliberais e de um desprezo pela vida dos trabalhadores por parte dos governantes, que é herança da ditadura e que se aprofundou ainda mais no governo Piñera, o atendimento de saúde no Chile já levava a consequências absurdas, como mostra esse trecho da fala de Lester no ato:

“Se nós tomamos as ruas, foi porque nossos pais e avós morriam esperando que fossem atendidos nos hospitais por um sistema de saúde que já está colapsado. E porque só em 2018, por volta de 26 mil morreram nas listas de espera por um atendimento que nunca chegou.”

As mobilizações populares ocorridas no Chile desde o ano passado tiveram como gatilho a péssima condição de vida que já leva o povo chileno há décadas, que além da falta de acesso a tratamento de saúde também se expressa nos altos índices de desemprego, o baixo valor das aposentadorias, e a situação enfrentada pelos jovens que não conseguem acesso a educação, e ainda sofrem com a repressão da polícia.

Tais ataques ao povo chileno foram mantidos durante décadas por meio da Constituição Federal do país herdada da ditadura, que atuava principalmente impedindo duramente as manifestações. Após o início das jornadas de 2019 nas ruas e das demonstrações de insatisfação com a legislação do país, e a exigência de uma transformação radical por meio de uma nova constituinte, Piñera se viu obrigado a abrir esta discussão nacionalmente e chamou um plebiscito. Porém, isso foi feito por dentro de um controle do governo, com muitas tentativas de manobra para que desse plebiscito não saia uma nova constituição, e muito menos uma assembléia constituinte que delegue pleno poder de escolha aos trabalhadores. Para isso contam com a burocracia dos partidos da chamada “Concertación” (partidos de centro direita e de centro esquerda, entre eles o Partido Comunista do Chile) que pactuam com o governo de extrema direita para rifar os rumos da vida dos trabalhadores.

Somente uma assembléia constituinte livre e soberana, encabeçada pelo povo chileno, poderá pôr fim a todos os ataques que sofrem os trabalhadores e a juventude, e à repressão que já existe a mais tempo, mas que se agrava agora com o aumento do controle da polícia sobre a vida da população. O PTR coloca todas as suas forças a serviço de combater a direita e a traição das burocracias, e de impulsionar a auto-organização dos trabalhadores, conforme disse Lester no ato:

“Denunciamos toda tentativa do governo criminoso de adiar ou anular o plebiscito e manter a militarização. No entanto, ao passo que denunciamos esta tentativa antidemocrática, temos questionado o plebiscito nascido da “cozinha parlamentar” porque não inclui a opção de uma Assembléia Constituinte realmente soberana, que é o que o povo exigiu nas ruas.”

No Chile e em outros países, a única saída para enfrentar a crise pela qual o mundo passa agora e suas consequências futuras, é a unidade dos trabalhadores para, com seus métodos, enfrentar os ataques dos governos nacionais e do imperialismo. É preciso impulsionar um programa anticapitalista e de organização operária desde cada país, para combater nosso inimigo comum que é o capitalismo. E é isso que a FT – Fração Trotskista pela Quarta Internacional busca desde cada seção onde atua em 14 países e através da rede internacional de diários em 8 idiomas, que leva ideias e propostas de ação buscando organizar os trabalhadores destes países em torno de uma estratégia para a libertação da classe operária.

 
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