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Sábado 8 de Agosto de 2020
04:01 hs.

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POLÍTICA
“Terrivelmente evangélico”, André Mendonça é o escolhido de Bolsonaro para o Ministério da Justiça
Redação

André Mendonça, até então advogado-geral da União, foi nomeado nesta segunda, 27, para ocupar o cargo de ministro da Justiça deixado vago por Sérgio Moro, que pediu demissão na última sexta. Com um perfil que promete agradar gregos e troianos em guerra em plena pandemia, Mendonça é um querido de Dias Toffoli e um dos possíveis candidatos de Bolsonaro ao STF, aquele que foi classificado pelo próprio presidente como “terrivelmente evangélico”.

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A saída de Sérgio Moro do governo elevou a crise política que o país enfrenta. O escândalo foi tamanho que por um final de semana esse assunto dividiu espaço nas principais capas de jornais com os dados alarmantes sobre a pandemia de coronavírus. Após um ano de trabalho dedicado ao governo de Bolsonaro Moro sai desse barco questionado, não antes de deixar suas contribuições para o aumento do autoritarismo, como o famoso pacote “anti-crime”, que amplia o encarceramento e queria inclusive dar aval aos assassinatos impunes da polícia contra a população negra e precária das periferias brasileiras.

Entre os nomes cotados para a substituição do herói da Lava Jato o que tinha maior apreço de Bolsonaro era o de Jorge de Oliveira, atual ministro da Secretaria Geral da Presidência e amigo íntimo do clã Bolsonaro. Para evitar maiores desgastes, Bolsonaro buscou apontar um nome supostamente mais técnico, mas que é bem visto pelo presidente e já foi usado para agradar seus aliados da reacionária bancada evangélica, quando indicou seu nome como um possível candidato a uma vaga no Supremos Tribunal Federal, anunciado por Bolsonaro como “terrivelmente evangélico”.

André Mendonça parece ser o nome do oportunismo para impedir um acirramento da crise política. O novo ministro da Justiça é um querido de Dias Toffoli, e tem algum prestígio em setores jurídicos, inclusive com premiação por projetos anticorrupção. Também os militares parecem vê-lo com bons olhos, pois Mendonça não foge ao script geral golpista que dirigiu as alas dominantes do país sob o consenso do golpe institucional iniciado em 2016.

O golpe institucional se deu apoiado nos mandos e desmandos arbitrários da justiça, na tutela dos militares, na ampla maioria dos congressistas dirigida por Maia e nos setores mais entreguistas da burguesia nacional que impuseram as reformas contras os direitos dos trabalhadores e povo pobre. Mendonça, que comemorou publicamente a primeira vitória eleitoral de Lula, se retificou com a sociedade golpista dizendo que a esperança foi derrotada pela corrupção.

“Terrivelmente evangélico”, André Mendonça é pastor auxiliar da igreja Presbiteriana da Esperança, de Brasília. O que gerou debates quando da indicação de Bolsonaro no ano anterior de que ele seria um nome possível à vaga do STF, e foi respondido pelo presidente com a máxima de que o Estado é laico, mas quem governa não. Em seu primeiro tweet o novo ministro da Justiça prometeu um trabalho técnico e pediu a benção de deus.

Há uma semana o nome de Mendonça circulou pelas páginas de jornais quando este, então na Advocacia Geral da União recorreu ao STF da decisão do seu ministro Alexandre de Moraes de dar uma relativa autonomia aos estados e municípios na condução das quarentenas por conta da pandemia de covid-19. Nessa briga que representava a disputa entre os governadores dirigidos pelos golpistas policialescos Dória (SP) e Witzel (Rio) e o presidente negacionista, Mendonça favoreceu as decisões federais que estariam nas mãos de Bolsonaro em detrimento das regionais.

O pastor evangélico, querido do presidente do STF e apoiado pelos militares promete ser um pedaço de terra em meio às águas turbulentas da crise política que se cruza com a crise sanitária no Brasil. Esse nome parece mais ser uma tentativa unificada de conter as tendências destituintes que ganharam mais apelos após a saída de Sérgio Moro, com o objetivo maior de manter o controle da classe dominante sobre os rumos do país. Cabeças pensantes das alas da burguesia nacional podem estar tão preocupadas quanto as suas mandatárias gringas, que já aventam a possibilidade real de revoltas e revoluções no mundo, protagonizadas pelos trabalhadores e oprimidos que não vão aceitar pagar pelas contas dessa crise capitalista que se aprofunda com a pandemia do coronavírus.

 
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