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Sábado 8 de Agosto de 2020
03:33 hs.

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DIA NACIONAL DA DOMÉSTICA
Dia nacional das empregadas domésticas e a luta da classe trabalhadora
Desirée Carvalho

No dia nacional das empregadas domésticas, diante dessa grave crise do Corona vírus que tem feito a maioria das trabalhadoras domésticas serem dispensadas sem garantia do recebimento do seus além de algumas perderem sua vida resgatamos a história de dona Laudelina de Campos Mello, empregada doméstica pioneira na luta e na construção da primeira associação de empregadas domésticas na década de 1930 pela importância da organização dos trabalhadores para garantir seus direitos em contrapartida do lucro dos capitalistas.

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O trabalho doméstico é reconhecido historicamente como trabalho feminino e negro, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Continua o número de trabalhadores domésticos chegou a 6,3 milhões em 2019, onde as mulheres representam 97%. E por isso é tratado como uma tarefa inferior, não á toa que mesmo nos casos remunerados sejam caracterizados por uma atividade precária.

Mesmo com a regulamentação do trabalho doméstico em 2016, a maioria das empregadas domésticas continuam em sua maioria no trabalho informal, somente 1,7 milhão tem a carteira assinadas, e as diaristas já respondiam por 44% da categoria (o equivalente a 2,5 milhões de mulheres). Além das precariedade do trabalho e dos salários baixos, há praticamente nenhuma proteção social, e muita discriminação e casos de assédio, inclusive sexual. Isso antes mesmo da crise do Covid-19, que vem deixando muitas dessas trabalhadoras sem condições de manter sua família, pois estão sendo dispensadas sem remuneração.

No Brasil essa precarização do trabalho doméstico está relacionada diretamente ao passado escravista do país, ou seja os empresários e políticos se utilizam do racismo e do machismo para explorar ainda mais as mulheres. As relações raciais, de exploração e opressão que as trabalhadoras estão submetidas demonstram que a precarização do trabalho tem rosto de mulher em especial das mulheres negras.

Diante dos ataques colocados aos trabalhadores de conjunto, que tendem a precarizar ainda mais a vida das mulheres, que são muitas vezes as únicas provedoras de suas famílias, é muito importante retomar a luta das empregadas domésticas, neste dia que nada temos a comemorar; em especial a atuação de dona Laudelina de Campos Mello, a dona Nina, mulher negra e empregada doméstica, que junto a outras mulheres fundaram em Santos a primeira associação de empregadas domésticas do Brasil em 1936, e que em Campinas nos anos de 1960 cria também a Associação de empregadas domésticas. Sua luta foi contra a exploração do trabalho doméstico, pela garantia de direitos e contra o racismo que as mulheres negras enfrentavam na cidade na busca por empregos, e que se expressava nos anúncios de jornais extremamente preconceituosos da época, que dava preferência à mulheres brancas.

Segundo a antropóloga Adriana Barão, dona Laudelina “denunciou que as empregadas negras eram preteridas, protestando contra os anúncios racistas do jornal Correio Popular, debatendo com o jornalista Bráulio Mendes Nogueira, que passou a apoiá-la. Integrou-se ao movimento negro e promoveu ações tais como: uma manifestação onde reuniu 200 trabalhadoras domésticas, nos anos 60, e a colaboração na fundação da creche na Vila Castelo Branco.”

Dona Laudelina é um exemplo da luta travada historicamente pelas mulheres negras contra suas condições de vida, que as relegavam sempre aos piores postos de trabalho, os mais desvalorizados pela sociedade e com menores salários. E precisa ser retomada neste momento de crise sanitária, onde os trabalhadores precisam retomar os sindicatos, superando as direções burocráticas que nesse momento estão se convocando um ato no 1° de maio unificado com diversos setores que são inimigos declarados dos trabalhadores e do povo pobre como : Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli, João Doria, Wilson Witzel e Fernando Henrique Cardoso.

Neste momento onde as massas trabalhadoras vem sendo ainda mais atacadas, já que a crise do Covid-19 está demonstrando que entre os lucros dos bancos e empresários e a vida dos trabalhadores, os lucros serão mantidos as custas do aumento do desemprego, da informalidade e flexibilização do trabalho, e milhões de trabalhadores aguardam o recebimento do auxílio emergencial. Neste contexto, as centrais sindicais deveriam estar organizando os trabalhadores formais e informais para lutar contra todos esses ataques, e não convocando um 1º de maio unificado de todas as 11 centrais sindicais (entre elas Força Sindical, UGT, CTB, CGTB, Nova Central, CSB, CUT e inclusive Intersindical e CSP-Conlutas) com o lema “Saúde, Emprego, Renda: um novo mundo é possível com solidariedade”

E com a moral de mulheres como Dona Nina, que se enfrentou com o racismo e machismo e acreditou nas suas próprias forças, que devemos retomar esse dia nacional das empregadas domésticas, para nos enfrentarmos com Bolsonaro, Mourão e os militares, mas sem nenhuma confiança em Maia, STF ou os governadores como Dória e Witzel que não estão na linha negacionista de Bolsonaro, mas tão pouco garantem condições para que as trabalhadoras domésticas, sejam liberadas dos seus trabalhos com todos os seus direitos garantidos.

 
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