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Sábado 30 de Mayo de 2020
18:10 hs.

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MINAS GERAIS
Construir os dias 8 e 18/3 com a força das professoras em greve contra Zema e Bolsonaro
Flavia Valle
Professora, Minas Gerais
Maria Eliza
Estudante de Biologia da UFMG

As mulheres mineiras estão na linha de frente das mobilizações em nosso estado. As professoras vêm protagonizando greves na rede estadual, na rede municipal de Belo Horizonte e em diversos municípios, lutando em defesa da educação pública contra os ataques de Zema e Bolsonaro, uma luta que também toca as jovens estudantes secundaristas e universitárias. As trabalhadores da saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) estão há mais de 40 dias em greve, defendendo a saúde pública. Estivemos lado a lado da greve das e dos petroleiros que protagonizaram a maior greve nacional contra Bolsonaro.

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No Carnaval fizemos ecoar nosso grito de luta contra o machismo, a censura, e a opressão aos nossos corpos e sexualidade. Expressamos a resistência da nossa arte e das tradições da cultura negra, contra a repressão policial e as políticas conservadoras, lutando contra a extrema direita e seu reacionarismo. Muitas de nós encontrou no carnaval uma forma de expressar nossa insatisfação com esse governo. Agora é preciso organizar a luta da classe trabalhadora junto com as mulheres, negros, LGBT, com a juventude e os movimentos sociais.
 

A revelação de que Bolsonaro disparou um vídeo no WhatsApp convocando as manifestações reacionárias do dia 15 de março, um dia depois dos dois anos do assassinato de Marielle Franco, é mais um passo que escancara o papel do presidente na sua escalada reacionária contra toda e qualquer mínima liberdade democrática. Uma medida que está em função de ter um regime político ainda mais autoritário que o atual regime golpista dessa podre “democracia dos ricos”, mais funcional a maiores ataques contra a classe trabalhadora, especialmente contra as mulheres, negros e LGBTs, garantindo assim uma maior submissão ao imperialismo. Uma forma que Bolsonaro encontrou para tentar impor a força da extrema-direita sobre outras forças políticas do golpismo, como o STF, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e o Centrão.
 

Precisamos nos inspirar na força das professoras e das trabalhadoras em greve e na enorme força demonstrada na greve dos petroleiros para organizar nossa mobilização e voltar às ruas com uma estratégia que nos permita enfrentar cada um dos ataques que estão colocados. E para isso é necessário confiar em nossas próprias forças, nos articular desde cada local de estudo e trabalho, construindo desde as bases assembleias, reuniões e debates que busquem fortalecer nossa organização para sermos milhares nas ruas nos dias 8 e 18 de março, como parte do dia internacional das mulheres e das mobilizações nacionais dos servidores públicos e da educação.

As trabalhadoras em greve podem ser a linha de frente dessa organização das mulheres, as estudantes que agora voltaram às aulas na UFMG e em diversas universidades e escolas precisam estar lado a lado dessas lutadoras. Nos organizando para expressar desde as greves em curso, com nossa solidariedade ativa a essas lutas, mas também nas ruas, nossa luta contra o avanço autoritário de Bolsonaro e da extrema direita.
 

Defendendo nossas liberdades democráticas e lutando contra cada ataque econômico, como a reforma da previdência estadual que Zema pretende levar adiante e que vem sendo aprovada em diversos estados, inclusive aqueles governados pelo PT, como o Rio Grande do Norte de Fátima Bezerra. Em nosso estado isso se combina com a luta por melhores condições de trabalho e salário para o funcionalismo público, o que não pode se confundir com um apoio ao absurdo aumento no salário dos policiais e das forças repressivas que só serve para fortalecer o aparato daqueles que irão reprimir nossas lutas. Ao contrário do que pede Zema, já nos sacrificamos todos os dias, vendo nossa população sofrer com a lama da mineração, com as consequências das enchentes, com a precarização do trabalho, com horas de nossas vidas perdidas no transporte público. E por isso somos contra os privilégios que este governador dá aos verdadeiros parasitas que são, as grandes empresas capitalistas, como a assassina Vale e os grandes empresários que recebem bilhões em isenções de impostos.
 

Nossa luta também é contra a reacionária campanha da Damares, que propõe abstinência sexual entre os jovens, enquanto ignora que milhares de mulheres seguem morrendo por abortos clandestinos. Juntamente com o movimento internacional de mulheres, que em alguns países tem homenageado e relembrado o histórico movimento argentino conhecido como "maré verde", queremos lutar pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, e por educação sexual nas escolas. Lutando por justiça por Marielle, pois não esquecemos essa ferida aberta do golpe institucional e exigimos saber quem mandou matá-la. Em Minas Gerais uma mulher é morta a cada 56 horas, índice revoltante que ocupa a liderança do triste ranking de feminicídio em nosso país. Por isso nossa luta também é contra a violência às mulheres e contra o patriarcado.
 

Nesta luta, não podemos nos enganar com os que até ontem estavam realizando o golpe institucional e junto à Bolsonaro promovendo cada ataque a classe trabalhadora e às mulheres. Nem podemos apostar que seria possível derrotar a extrema direita pela via eleitoral ou destinando ao parlamento a tarefa de um impeachment contra Bolsonaro que abriria lugar para Mourão. O Parlamento, cheio de reacionários e agentes do golpismo, é um imenso balcão de negócios dos ataques à classe trabalhadora e às mulheres. É necessário apostar na luta de classes, na luta organizada da classe trabalhadora junto com as mulheres e de todos os setores oprimidos pelo capitalismo.
 

A batalha pelos direitos das mulheres passa necessariamente por construir uma alternativa com independência de classe. E para isso, precisamos superar também as burocracias que impedem o avanço da nossa organização independente, como se expressou na luta dos Petroleiros, em que a direção da Federação Única dos Petroleiros (FUP) fez um desmonte da maior greve contra Bolsonaro e seus ataques ao invés de ter unificado aos petroleiros todas as categorias que hoje estão na mira de Bolsonaro e de governadores reacionários. Essa direção, composta pelo PT, representa a mesma política de grupos como a Marcha Mundial de Mulheres, que no movimento de mulheres atuam em alguns estados para que este 8 de março não expresse a luta contra as reformas da previdência estaduais, em nome de defender os governadores desse partido que estão aplicando estes ataques e que condenam sobretudo as mulheres e as negras.
 

A confiança para derrotar nossos inimigos está na força da classe trabalhadora como na greve petroleira e nas greves da educação e na força da população oprimida que enfrenta enchentes, rompimentos de barragens. Construindo desde a base uma unidade pautada pela mais ampla organização desde as escolas, hospitais, universidades, comunidades. Todos partidos que ao invés disso geram ilusões de que acordos parlamentares ou que apostas por dentro das regras do jogo dessa degradada democracia para os ricos poderia nos levar a vitórias, não fazem mais do que prescrever futuras derrotas e retiradas de nossos direitos.

Foto: Minas Ninja

 
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