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Lunes 1 de Junio de 2020
05:26 hs.

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Secretário de Trump quer aconselhar Bolsonaro em como deve ser a entrega do petróleo brasileiro
Redação

Enquanto os petroleiros realizam uma expansiva greve nacional, o governo lambe botas de Bolsonaro se consulta com o governo Trump para atender os desejos dos imperialistas e impor condições ainda mais rebaixadas para a entrega do petróleo nacional.

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Se já não bastasse toda a intervenção indireta do imperialismo ianque no país, se utilizando da Operação Lava Jato para desmontar e repartir a Petrobras, aumentando o espaço para as multinacionais imperialistas a partir da privatização dos espólios da estatal e da venda dos campos de petróleo do pré-sal, agora o governo Trump oferece uma “desinteressada mão amiga” ao seu aliado, ou melhor seu capacho, Bolsonaro para ajudar na modelagem dos futuros leilões de petróleo.

Foi o que afirmou o secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, durante visita para participar da primeira reunião do Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos (Usbef), iniciativa criada em março de 2019 entre os presidentes.

“Nós vimos o que aconteceu no último leilão [de petróleo]. Nós entendemos claramente por que alguns investidores podem ter evitado. É justo dizer que o ministro Bento [Albuquerque, ministro de Minas e Energia] também reconhece algumas questões que estavam envolvidas naquele leilão. E nós estamos prontos para ajudar, caso desejem, na criação de novos leilões, que possam produzir resultados mais propícios aos desejos do governo”, disse o secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette. “Estamos prontos, tanto no nível de governo para governo quanto do setor privado para o setor privado, para ajudar no que for possível”.

Após o fracasso do tão anunciado megaleilão da cessão onerosa ficou claro que o imperialismo não quer apenas a entrega de nossa imensa riqueza natural, ele quer determinar todas as condições desta venda. Projetada por Guedes e Bolsonaro para ser a maior entrega de petróleo da história (uma capacidade estimada em 5 bilhões de barris e que o governo pretendia arrecadar o valor de R$ 105 bilhões), mas que acabou como um fiasco com a Petrobras tendo de assumir o prejuízo (R$ 70 bilhões foi o lance único), o megaleilão não teve sequer a participação de uma única gigante imperialista.

O desinteresse das aves de rapina imperialista foi a senha para o governo entender que o regime de partilha, modelo desenhado pelos petistas para fazer a entrega do petróleo, seria suficiente para satisfazer a sede de lucro dos capitalistas. Diante do resultado Guedes já foi logo traduzindo a mensagem dos imperialistas: “Entendemos o recado e podemos pensar em rever preços ou mudar para concessão”.

O fórum realizado entre o secretário norte-americano e o governo Bolsonaro, vem justamente nesse sentido de assessorar o governo Bolsonaro a se adequar às novas exigências dos imperialistas. Os imperialistas poderão criar sob medida a “modelagem” do leilão que o governo capacho de Bolsonaro precisa entregar para atender o apetite dos capitalistas.

Além do intuito de colaborar para “aprimorar” a rapina dos recursos nacionais o secretário revelou a intenção de estabelecer uma parceria com o Brasil para o desenvolvimento do setor de exploração e produção não convencional de gás natural - o gás de folhelho - no país. A parceria implicaria obviamente no Brasil importar toda a custosa tecnologia para aplicação da massivamente poluente técnica do “fraturamento hidraúlico” para extração do gás de folhelho ou “shale”. Há estudos que indicam existir reservas consideráveis de xisto - formação que permite sua obtenção - na Amazônia. O que se configuraria em mais uma ameaça ambiental a Floresta Amazônica já tão ameaçada pela sanha capitalista do agronegócio e dos imperialismos.

Entretanto, todo esse novo conluio dos imperialistas e de Bolsonaro ocorre em meio a um elemento não esperado pela burguesia: a resistência dos petroleiros. Há mais de 10 dias a categoria deflagrou uma expansiva greve nacional que traz em primeiro plano a resistência contra a demissão dos mil trabalhadores na Fafen, mas que também se contrapõe a esse processo de privatização da companhia e subordinação dos interesses nacionais. Como vem demonstrando através da venda de gás a preço justo, a privatização da Petrobras, de suas unidades de refino, de transporte e distribuição, trata-se de uma política voltada ao atendimento dos interesses de seus grandes acionistas para maximizar seus lucros descarregando a conta no bolso dos trabalhadores.

É preciso cercar a greve da Petrobras de solidariedade. A vitória dessa greve se configuraria num duro golpe ao avanço dos interesses privatistas e imperialistas sob a estatal, abrindo espaço para uma Petrobras 100% estatal administrada democraticamente pelos trabalhadores e sob controle popular, única maneira de garantir combustíveis baratos, segurança ambiental e operacional e que estes vastos recursos naturais e nacionais sirvam para os interesses do povo brasileiro.

 
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