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Viernes 5 de Junio de 2020
22:14 hs.

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RACISMO
Preta Ferreira denuncia racismo da empresa Gol ao ser impedida de embarcar em voo
Redação
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Preta Ferreira, ativista do movimento por moradia de São Paulo, mais uma vez passou por uma situação de racismo quando foi impedida de embarcar num voo da empresa aérea Gol, a empresa alegou que Preta não poderia embarcar, pois a passagem havia sido comprada no cartão de outra pessoa, no caso a empresária de Preta.

Em 24 de junho de 2019, a ativista havia sido presa junto a outros militantes da moradia em São Paulo de forma absurda e arbitrária, desde o Esquerda Diário e o Quilombo Vermelho viemos impulsionando uma campanha nacional pela Liberdade de Preta ferreira e denunciando a polícia repressiva de João Doria e avanço autoritário e racista do judiciário que por vezes negou o pedido de habeas corpus movido pela defesa de Preta ferreira.

Relembre o caso: Liberdade Imediata para Preta Ferreira e todos os lutadores por moradia!

O que aconteceu com Preta dessa vez é, infelizmente, algo bastante comum na vida dos negros, estar sob suspeita a todo momento, ser questionado se fala a verdade ou não, são uma mostra bastante cruel de como se expressa o racismo estrutural em nossas vidas. Foi assim com Lorena, companheira do Dj Renan da Penha que foi levada pela polícia ao tentar sacar dinheiro no banco Itaú com uma identidade que supostamente são seria dela, acusando o banco de racismo.

Uma pessoa não pode ser barrada de entrar num voo de passagens compradas mesmo se a passagem tendo sido comprada por outra pessoa, é absurdo que uma mulher negra não poder embarcar por conta disso. Esse tipo de “procedimento” de suspeição extrema não ocorreria com nenhuma outra pessoa se não fosse negra, Preta, inclusive, saiu em suas redes sociais denunciado a empresa Gol: “Mais uma vez a mulher preta sendo perseguida.”

É triste saber que vivemos numa sociedade em que sua cor de pele automaticamente o define como suspeito de algum crime, que por ser uma lutadora e ativista da moradia se tem grandes chances de ser presa pelo aparelho repressor do Estado ou ainda como vimos no Rio de Janeiro, por ser negro todos seus sonhos quando criança correm o risco de serem destroçados pelas mão da polícia, como foi o caso da pequena Agatha e tantas outras crianças que a polícia racista e assassina de Witzel matou.

Certamente, o racismo estrutural ao longo dos anos deu mostras de como pode ser cruel na vida dos negros, mas desde a eleição de Bolsonaro e com Witzel, Crivela e Doria, o racismo mostrou um novo nível de brutalidade com o crescente número de assassinatos pela polícia, de ataques a terreiros de candomblé e umbanda, e de casos como esse de Preta Ferreira que escancaram esses governos racistas são nossos inimigos declarados.

Mas isso não significa que nós iremos ficar de braços cruzados vendo o povo pobre e os trabalhadores sendo massacrados diariamente, pois isso nem de perto representa a história vitoriosa e revolucionária que os negros internacionalmente escreveram com sangue e fogo. Por isso, devemos combater com uma mão o racismo e a estrutura que o aprofunda cotidianamente e com a outra os capitalistas, a classe que lucra com o preconceito contra o negro, que nos coloca nos piores postos de trabalho, que nos faz ganhar salários inferiores aos trabalhadores brancos, que assassina diariamente nas favelas, etc. Não podemos achar que pela via individual ou de um suposto empoderamento financeiro fará os negros de conjunto superarem a situação de miséria imposta pelo capitalismo. Devemos batalhar por uma ruptura completa com esse sistema que seja levada à frente pelos trabalhadores em unidade com todos os setores oprimidos, como LGBTs, as mulheres, os imigrantes e inclusive trabalhadores brancos, só essa força social é capaz de reescrever uma nova página na história dos negros, essa sem exploração e sem racismo.

Nós do Quilombo Vermelho e do Esquerda Diário nos solidarizamos com Preta Ferreira, assim como todos os negros que carregam na cor de sua pele as marcas profundas do racismo e repudiamos a atitude racista da Gol.

 
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