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Lunes 9 de Diciembre de 2019
23:40 hs.

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UFRGS
Chamado à reunião de programa para um centro acadêmico militante no Instituto de Artes da UFRGS
Faísca - UFRGS
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Qual Centro Acadêmico precisamos frente aos ataques de Bolsonaro?

Frente à rebelião no Chile e aos ataques de Bolsonaro, entidades militantes que sejam verdadeiras ferramentas de luta se fazem extremamente necessárias. Convidamos os estudantes do IA a debater qual centro acadêmico precisamos em uma reunião de programa dia 12/11, às 17h.

No Chile, a juventude aliada à classe trabalhadora e ao conjunto da população se levanta contra a miséria, os ataques e a repressão do governo neoliberal de Piñera, herdado da sangrenta ditadura de Pinochet. Com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas no dia 25/10, os chilenos mostram o caminho para derrotar os cortes e as reformas: o da luta de classes, com protestos, paralisações e greve geral. Amedrontado, Bolsonaro já afirmou que seus exércitos estão prontos caso haja um processo semelhante no Brasil. Precisamos nos inspirar por essa revolta, lutando para que no Brasil façamos como no Chile para derrotar Bolsonaro e seu projeto de descarregar a crise nas costas da juventude, dos trabalhadores e do povo pobre.

Frente a esse cenário internacional de luta de classes, o papel das entidades de cada local de estudo e trabalho se torna de extrema importância. No Instituto de Artes da UFRGS, é necessário que o Centro Acadêmico seja uma ferramenta de luta, uma entidade militante que organize os estudantes para enfrentar os ataques impostos por Bolsonaro. É por isso que chamamos os estudantes de todos os cursos do IA a debater com qual programa o seu centro acadêmico deve atuar, no dia 06/11, às 17h.

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Aos desastres ambientais terríveis como o rompimento de Mariana e Brumadinho, as queimadas da Amazônia e o derramamento de óleo nas praias do Nordeste, além da construção de uma enorme mineradora do lado de Porto Alegre, todos servindo para o lucro das grandes empresas, se soma à falta de respostas de quem mandou matar Marielle e à precarização da educação que vem em ritmo galopante. No RS, o governador Eduardo Leite descarrega fervorosamente a crise nas costas dos professores, com cortes, atraso e parcelamento de salários e pacotes de ajustes brutais.

Na UFRGS sentimos com inúmeras demissões das terceirizadas e indeferimento dos cotistas (com os quais a reitoria é responsável, descarregando os cortes de verbas nos setores mais precarizados da universidade), com o corte nas bolsas de pesquisa e com o corte de verbas já programado para o orçamento de 2020, em outras universidades já estão fechando os restaurantes universitários, intervindo na escolha de reitores e ameaçando os servidores com uma reforma administrativa. Tudo isso justamente para privatizar as federais por meio do projeto Future-se, para que o conhecimento produzido ali seja ainda mais restrito a uma elite e esteja ainda mais a serviço dos capitalistas.

Para além da educação, a Reforma da Previdência, que é inspirada no modelo chileno que resulta em altos índices de suicídio entre os idosos e que Guedes quer aplicar no Brasil, foi aprovada na terça-feira (23/10), em meio as rebeliões no Chile, quando Bolsonaro se apressou para passar no último turno no senado, comemorando com a grande mídia e os golpistas esse ataque histórico às condições de vida dos trabalhadores e população pobre, o qual fará com que milhões trabalharem até morrer.

A juventude e os estudantes são o principal pólo da resistência aos ataques em curso. Contra os cortes na educação, nos dias 15 e 30M protagonizaram atos massivos no país inteiro, mostrando sua força e impondo recuos parciais nos ataques. Na UFRGS, os estudantes das artes estiveram sempre à frente no movimento estudantil, construindo assembleias, aderindo às greves e paralisações e criando performances e obras visuais para intervir nas manifestações.

A revolta dos artistas, historiadores, professores e apreciadores da arte que historicamente sentem na pele a arte ser mercantilizada e subordinada às imposições de uma classe dominante, e que sentem cada vez mais a precarização de suas vidas e os ataques à cultura que o presidente terraplanista aplica, deve ser organizada, papel esse cuja entidade militante deve cumprir, entendendo o estudante como sujeito ativo desse enfrentamento, incentivando a sua auto-organização para que tomem as rédeas da luta em suas próprias mãos.

Toda essa força e disposição dos estudantes se expressou apesar da política da direção majoritária da maior entidade estudantil do país, a UNE, controlada pela UJS (PCdoB). Separando a batalha contra a reforma da previdência e em defesa da educação e separando estudantes e trabalhadores, a UNE convocou atos dispersos sem um plano de lutas nacional de conjunto e sem coordenar os locais mobilizados. No caso da greve da UFSC atuou para isolar a única federal em greve e não fez uma campanha de solidariedade e apoio. Enquanto isso seus dirigentes sentam para negociar com o ministro Weintraub, e as manifestações seguem refluindo, sem serem construídas desde as bases com massivas assembleias.

Essa política da UNE é o braço estudantil de uma política levada à frente também pelas centrais sindicais, especialmente CUT e CTB dirigidas pelo PT e PCdoB. Foi com um silêncio ensurdecedor que a reforma da previdência foi aprovada na Câmara e no senado, sequer uma convocação de atos foi feita pelas centrais, muito menos um necessário plano de lutas para derrotar o governo, unificando estudantes e trabalhadores. Enquanto isso os governadores do PT e do PCdoB no nordeste aceitavam a reforma e negociavam suas vantagens na venda do petróleo, apesar dos parlamentares votarem contra, num jogo duplo visando as eleições do próximo ano e de 2022.

Frente a toda traição das centrais sindicais e da UNE, o Centro Acadêmico Tasso Corrêa, que é dirigido pelo PCB, jamais pautou entre os estudantes o papel dessas direções, jamais se posicionou para que rompessem com essa política criminosa e assim tem uma convivência pacífica com ela, sem colocar a necessidade da auto-organização dos estudantes para superar essas direções. No IA, acabam responsabilizando os estudantes pelos espaços de assembleias e reuniões esvaziadas, sendo que não colocam toda força para convocar, como se o problema fosse que "a base não quer lutar".

Acreditamos que o CA não pode se resumir a cumprir tarefas burocráticas, e sim que deve ser uma ferramenta de luta e organização dos estudantes, debatendo os grandes temas políticos do país e sendo um organismo militante, que impulsione a auto-organização dos estudantes para enfrentar todos os ataques. Ele é o responsável por garantir que assembleias e mobilizações ocorram, usando a entidade para liberar os alunos das aulas para participar, por exemplo.

Parte de se ter um programa combativo e revolucionário é também se colocar na perspectiva de luta contra o golpe institucional, pela liberdade de Lula e sem prestar apoio político ao PT. É pautar o fim da prova específica da música em direção ao fim do vestibular, ambos filtros sociais e raciais, defendendo também a estatização das universidades privadas. É essencial também lutar contra a demissão das terceirizadas, pelo fim da terceirização e pela efetivação das terceirizadas sem necessidade de concurso público. Contra os indeferimentos, para que todos os estudantes tenham sua matrícula garantida e, para que as distintas posições políticas possam se expressar dentro da gestão e para que os estudantes possam ter experiências práticas com estas, com a perspectiva de aprofundar o debate político, ideológico e programático, defendemos a proporcionalidade.

Além disso, as festas e eventos que os estudantes organizam devem ser potencializadas como um espaço cultural, de confraternização e de conspiração contra o sistema, tendo as condições materiais garantidas pelo CA. Um exemplo de entidade que é ligado com as bases e dá essas batalhas é o Centro Acadêmico Dionísio, do teatro da UFRGS, do qual podemos tirar inúmeros exemplos de combatividade e mobilização.

É no marco dessa situação concreta que nós da juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária chamamos os estudantes de todos os cursos do IA a debater com qual estratégia e programa o seu centro acadêmico deve atuar para que nossa força possa impor um movimento massivo que realmente enfrente os ataques e que não seja travado, dividido ou canalizado eleitoral ou institucionalmente. Esse debate deve ser o mais amplo possível, por isso chamamos também todas as organizações da esquerda, especialmente o PCB que hoje dirige o CATC, e também todos os integrantes da gestão atual, para participar dessa reunião e debater profundamente um programa combativo e revolucionário para um centro acadêmico militante.

 
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