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Lunes 14 de Octubre de 2019
20:53 hs.

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INTERNACIONAL
Milhares se mobilizam no Sudão apesar do acordo entre a oposição e o exército
Salvador Soler

A capital sudanesa segue sendo cenário de mobilizações. Desta vez para pedir justiça por aqueles que foram assassinados durante os protestos dos últimos meses. O acordo de governabilidade assinado entre a oposição e o Conselho Militar que governam o Sudão após a derrubada de, para dividir o poder com os generais, parece não conter a situação.

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As mobilizações foram convocadas pela principal força opositora, a Aliança pela Liberdade e a Mudança, que assinou ontem o pacto político com a junta militar, em base ao qual civis e militares dividirão o poder nos próximos três anos.

Os manifestantes voltaram a inundar as ruas de Jartum segurando cartazes que pediam o julgamento de todos os envolvidos nos assassinatos de centenas de jovens que se manifestaram nas ruas do Sudão, desde o estourar das revoltas do pão que derrubaram o ex-presidente al Bashir no último dezembro, e os responsáveis pelo massacre do dia 3 de junho.

Ainda que a ALC tenta desviar as mobilizações, utilizando-as para conseguir melhores cotas do poder, já que o pacto ainda se está definindo, os manifestantes gritavam consignas que haviam sido os gritos de guerra que derrubou o ex-presidente: “Governo civil, governo civil!” e “Liberdade, paz, justiça!”

Ademais durante o dia, a Associação de Profissionais Sudaneses (APS), uma confederação de sindicatos que fazem parte da ALC, denunciou que a polícia sudanesa lançou gases lacrimogêneos contra os manifestantes no mercado árabe, um dos maiores do centro de Jartum, e que várias das marchas foram dispersadas pelas forças do Conselho Militar.

O único detalhe público do acordo é que estipula a formação do Conselho Soberano, que assumirá o poder durante a transição. Será formado por cinco civis, cinco militares e uma pessoa consensuada por ambas partes, presidido pelos militares nos primeiros 21 meses, enquanto que os civis o farão no restante do período. Também inclui a formação de um comitê de investigação independente para investigar a desocupação violenta do acampamento de protesto em frente à sede do Exército no dia 3 de junho, assim como outros abusos e violações.

Um dos pontos de discussão exigidos pelo Conselho Militar é a imunidade para que não sejam julgados. Questão que a oposição rechaçou, o que fez com que este ponto não fosse incluído no texto final do pacto, já que o Conselho Militar é composto também pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, aliado Hemedti, vice-presidente da junta militar e líder das Fuerzas de Apoyo Rápido (FAR).

As FAR, milícias paramilitares que participaram no genocídio em Darfur, são acusadas de protagonizar a desocupação violenta do acampamento de protesto em frente à sede do Exército em Jartum no último 3 de junho. Mas o objetivo da ALC não é remover o velho regime, mas fazer mudanças cosméticas nas Forças Armadas.

As negociações continuariam nesta sexta-feira, já que as duas partes pressionam para resolver os problemas restantes, como a redação da declaração constitucional onde se definirá quais papéis terão o Conselho Soberano e o gabinete.

A intervenção internacional na crise do Sudão mostra os esforços para evitar o aprofundamento do processo aberto com a queda de Al Bashir, onde a oposição chegou a liderar várias greves gerais. Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes são três países, que governados por monarquias ou militares, estavam abertamente contra as manifestações e interviram à favor de uma saída de governo militar.

No entanto, a brutalidade da repressão parece ter ido além da correlação de forças que se estabeleceu após a queda do ex-presidente e a exigência dos manifestantes de que “caia todo o regime” levou à mediação de objetivos em construir um “homem forte” no estilo egípcio. Mas optaram por desviar o processo com uma saída negociada. A opositora ALC é também uma formação liberal, apesar de ter liderado greves gerais, atuou em função de disputar maiores espaços de poder dentro do “Conselho Soberano”.

A intensa atividade dos trabalhadores, das mulheres e da juventude do Sudão, apesar da violenta repressão que sofreram, mostrou um caminho. Os acampamentos, bloqueios e, sobretudo a greve geral são uma experiência acumulada de setores de massa que ainda não foi derrotada.

 
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