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Sábado 23 de Noviembre de 2019
01:27 hs.

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MONARQUISTAS
‘Deus é brasileiro e vai nos ajudar com a volta da monarquia’, diz príncipe em Encontro lunático no ABC
Redação

Nesta quarta-feira (17), ocorreu um verdadeiro show de horrores chamado de "I encontro dos monárquicos brasileiros" no Teatro Municipal de Santo André, no ABC Paulista. Com muita loucura combinada com reacionarismo, os defensores da volta da família real ao poder se reuniram para discutir o cenário político atual e as características do regime que deixou de existir no país há 130 anos.

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A noite era de gala, com pessoas vestidas com ternos e usando broches do brasão da monarquia. Havia um grupo de jovens católicos aguardava ansiosamente o começo da palestra segurando a bandeira da monarquia brasileira.

O Encontro contou com a presença do líder do movimento que pede a volta da monarquia no Brasil, o herdeiro do trono real Dom Bertrand Maria José de Orleans e Bragança. O príncipe de 78 anos, é advogado e autor do livro “Psicose Ambientalista”, que faz duras críticas aos defensores do meio ambiente e que foi utilizado como argumento por Bolsonaro ao criticar países europeus que pressionaram o Brasil na defesa da Amazônia.

O público, é claro, era base eleitoral de Bolsonaro. Segundo a Carta Capital, a opinião de quem participou foi assistir o evento era bastante peculiar: “Acho que Bolsonaro segue mais a linha progressista inglesa. Sou contra. Lá a ideologia de gênero é mais aceita, precisamos barrar isso aqui”. E que a emissora de televisão Globo transmite, através de suas novelas, a ideologia de esquerda. Isso, segundo ele, era um plano para doutrinar a população e abrir caminho para que algum partido político conseguisse colocar o comunismo em prática no Brasil. “Eu leio muito. Essa teoria da Globo é de Flávio Gordon”, justificou.

Com insanidades, desinformação e reacionarismo: pró-monarquistas passam muita vergonha

O primeiro a subir ao palco foi ‘Doutor Willian Lago’, o advogado fez seu discurso em torno de 20 minutos falando sobre a importância do evento no berço do sindicalismo e a necessidade da sociedade recuperar valores que a esquerda fez os brasileiros perderem, como a valorização da família, o direito à propriedade, entre outros.

Depois, Dan Berg, um senhor de meia idade debateu o tema ‘Cristo era, é e sempre será monárquico’. Ele insiste em dizer que tudo que Deus criou foi em forma de monarquia, como a natureza, o sistema solar, entre outros.

“Deus é o rei, Cristo era o príncipe e o Espírito Santo o herdeiro. Jesus é monárquico”, argumentou. “Se perguntarem para as donzelas aqui presentes se ao beijarem um sapo preferem que vire um príncipe ou um presidente, o que elas vão escolher?”, disse ele em tom de piada ao defender a volta da monarquia no Brasil.

Para continuar o show do horrores, Paulo Cruz começou seu discurso dizendo que

‘quando jovem acreditava na teoria do racismo e que tinha a polícia como inimiga’. “Comecei a andar menos de madrugada e fui menos parado pela polícia. A periferia e a criminalidade ainda são ocupadas por negros. Para resolver isso, os negros precisam deixar a criminalidade, isso não é culpa da polícia”

, disse ele olhando para os policiais presentes no teatro.

Cruz considera o fim da escravidão uma vitória de Dom Pedro II e da princesa Isabel. “Dado o contexto da época, não poderia ser feito de forma rápida. Havia uma intenção de não desestabilizar o País. A república foi colocada em prática de forma rápida e olha no que deu”, argumentou.

Depois o atrapalhado Principe finalmente discursou. Bertrand começou fazendo uma pergunta: “O Brasil está preparado para a monarquia?”, ninguém responde e fica um silêncio na plateia. Em seguida, para a surpresa de todos, o monárquico responde: “Não”.

Mais uma vez o silêncio toma conta do teatro. Ninguém estava entendendo mais nada, até que o príncipe se corrige. “Não, me confundi. Sim, o Brasil está preparado para a monarquia, não está preparado para a República”, justifica.

Entre as loucuras e insanidades, o príncipe criticou a revolução francesa, culpou Napoleão pela loucura de Maria Antonieta e justificou a fuga da família real para o Brasil como uma estratégia para vencer Napoleão, que em 1808 liderava a revolução pelo fim da monarquia na Europa.

Ainda disse que a Constituição de 1824, a primeira do País assinada por Dom Pedro I, foi a melhor que tivemos até hoje. “Ela é diferente da nossa atual Constituição, a qual muitos artigos nem foram discutidos. A Constituição de hoje é um desastre. Uma Constituição de parlamentarismo no presidencialismo”, disse.

Como parte do apoio crítico ao Bolsonarismo, atacou o PT num exagero deselegante sobre o papel à esquerda que teria cumprido este partido: “Com o pretexto dos direitos humanos, Lula criou conselhos municipais, estaduais e federais que eram comandados por soviéticos. Tudo isso era uma tentativa de espionar as instituições e os militares, a fim de transformar a América Latina em uma união soviética”, disse ele, em tom de denúncia apontando para os militares presentes na plateia.

“Temos uma intuição coletiva de que a divina providência tem planos extraordinários para o Brasil. E esse Brasil será monárquico. E um país que reconheça o reinado do nosso senhor Jesus Cristo. Uma nação que respeita os 10 mandamentos do reino de Deus, que problema teríamos? Nenhum. Deus é brasileiro e vai nos ajudar com a volta da monarquia”, concluiu o príncipe.

O deputado terminou o discurso agradecendo aos presentes, o príncipe e soltou o atual jargão bradado pelos conservadores: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Ainda não se sabe se o evento foi uma cômica piada mal entendida ou uma trágica expressão da decadência reacionária que vivemos num capitalismo tardio.

 
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