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Sábado 19 de Octubre de 2019
17:14 hs.

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ARGÉLIA
Nova terça de protestos na Argélia exige a queda de todo o regime
Redação

Desde que os protestos começaram, as terças são os dias em que os jovens e estudantes saem as ruas. Milhares voltaram a fazê-lo nessa semana contra o Governo militar.

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Milhares de estudantes foram as ruas pela décima oitava terça consecutiva para exigir uma vez mais um Estado civil e não militar e a retirada de todos os símbolos do antigo regime.

Sob o grito de “Argélia livre e democrática”, os manifestantes marcharam cerca de quatro quilômetros desde a simbólica praça dos Mártires até a famosa praça Primeiro de Maio, enfrentando as altas temperaturas e a intimidação policial.

Um dos estudantes foi detido no inicio da marcha por carregar uma bandeira berbere – um simbolo para diversos povos presentes na Argélia – e cuja ostentação foi proibida na semana passada pelo chefe do Exército e novo homem forte do país, Ahmed Gaid Salah.

Com a bandeira bérbere vetada, algumas estudantes optaram por usar o vestido tradicionalmente Cabila (um dos povos de origem berbere), enquanto outros desenharam no rosto a letra Yaz (Z), símbolo do “homem livre” e da cultura e identidade tamazique na África do Norte.

A polícia avançou contra os estudantes e tentou diversas vezes romper as colunas que marchavam como forma de provocação.

“Poder assassino” ou a frase “Não perdoamos” em língua tamazique foram as consignas mais repetidas entre os manifestantes, que carregavam cartazes em que diziam: “Não a política de divisão, somos um povo unido”.

“Como proibiram a bandeira berbere, coloquei um vestido cabila, porque é um simbolo de revolução e resistência. Nós berberes estamos unidos”, disse a estudante de língua inglesa Lanali Nur al Huda à agência de notícias Efe.

“O problema não está na bandeira e sim no bando mafioso”, “Estamos fartos de suas declarações incendiárias” e “A bandeira tamazique não ataca a unidade nacional, é um simbolo de liberdade” eram outras consignas populares no protesto.

Os protestos massivos, que acontecem toda terça e sexta-feira a mais de quatro meses, mergulharam a Argélia na incerteza política depois da queda do ex-presidente Abedelaziz Bouteflika, através da qual chegaram ao poder os militares, com um governo e um chefe de estado interinos, que são rechaçados pelos manifestantes que pedem que caia todo o velho regime. Uma demanda que inclui os militares que fizeram parte do governo de Bouteflika durante 40 anos e que, por hora, tiveram que cancelar as eleições manipuladas que haviam convocado para o dia 4 de julho.

As eleições tinham sido convocadas pelo presidente do Senado, Abdelkader Bensalah, de acordo com a constituição, que entretanto não contemplava nenhuma alternativa no caso das eleições não acontecerem. Depois da suspensão das eleições a Argélia caiu em um limbo político, do qual o Exército busca sair nesse momento a base do amedrontamento e repressão dos manifestantes.

Tradução: Pedro Rebucci de Melo

 
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